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sexta-feira, dezembro 8

 

Dúvidas

Este é um texto de dúvidas. Dúvidas às quais tento dar respostas. Todavia as respostas que encontrei não me satisfizeram totalmente. E é esse o motivo porque escrevo este texto. Ele visa partilhar dúvidas. Mas é assim que eu também vejo o catolicismo. Sempre com dúvidas. Sempre a procurar. Sempre a caminho.

"Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam" (Lucas 6, 27).
Que quer isto dizer?
Se o meu inimigo quiser os meus bens, eu devo dar-lhos?
Se o meu inimigo quiser a minha liberdade, eu devo dar-lha?
Se o meu inimigo quiser a minha dignidade, eu devo dar-lha?
Se o meu inimigo quiser a minha vida, eu devo dar-lha?
E a resposta de Cristo é sempre a mesma. Sim.
Mas isto parece impossível. Imaginemos que um bando de totalitários ateus quer a vida de todos os cristãos. E que estes em conformidade com o seu catolicismo lha dão. Isto não significaria o desaparecimento do Cristianismo?
Esta última pergunta é mais fácil de responder que as anteriores e por isso vou abordá-la em primeiro lugar. Na hipótese de esta estranha e mais que improvável realidade acontecesse é óbvio que o Cristianismo não desapareceria. Os assassinos teriam ficado com a experiência do assassinato daqueles que mataram e com a experiência do que isso significava. Por outro lado, ficaria a Palavra. Só com o extermínio da espécie humana se poderia conceber como provável o desaparecimento da Palavra. Mas mesmo neste caso diz a Bíblia que no princípio era o Verbo ["No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (João 1,1)].

Depois de ter tentado responder à pergunta mais fácil passo agora às outras. Podem-se resumir numa única pergunta radical:
Se o teu inimigo estiver a matar ou a torturar o teu filho e se a única possibilidade de parar esse
comportamento for matares o teu inimigo, que fazes?
Entregas o teu filho como Deus entregou Cristo?
Estas são as dúvidas para as quais não consigo responder. Sei que não seria capaz de fazer o que Ele fez (talvez porque não sou Deus).
Mas, felizmente que a realidade não é a preto e branco. Talvez a resposta para estas questões tenha sido dada em dois posts fundamentais do palombella rossa e do companheiro secreto há uns tempos atrás.
Só saberá ser cristão quem assumir a ressurreição como uma superação de todos os limites. Talvez assim a fasquia esteja mesmo alta demais. Mas não é de todo inatingível. Porque cada pequena conversão antecipa, em pequena escala, a ressurreição plena (manuel).
Talvez o mais importante seja saber para onde vivemos voltados (Tolentino).
Talvez que se possa viver um cristianismo aceitável com uma prática quotidiana de vivência dos princípios cristãos, no respeito do princípio da proporcionalidade, e em que cada pequena conversão antecipa, em pequena escala, a ressurreição plena.

Recordo-me de um princípio comunista: "De cada um segundo as suas capacidades a cada um segundo as suas necessidades".
Talvez o termo "capacidades" signifique também a capacidade de dar, a capacidade de partilhar, a capacidade de amar.
Talvez que o que se exige de um cristão seja, apenas e tão somente, dar, partilhar e amar um pouco acima das suas capacidades de dar, partilhar e amar.
É uma visão prosaica do cristianismo? Sem dúvida. Por isso tenho dúvidas.

Timshel [TIMSHEL] - 28 de Abril de 2004 [post escolhido por Rui Almeida]

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