<$BlogRSDURL$>

 

 

 

   

 
 

terra da alegria


 
 
timshel guia dos perplexos cibertúlia poesia distribuída na rua a bordo baixa autoridade
 
     

quarta-feira, julho 12

 

Um Deus chamado Abba

"Em dez anos, o nosso conhecimento sobre o computador e respectivos programas mudou radicalmente; em decénios, o conceito sobre Deus pouco muda na nossa vida. Não será isto, quando muito, surpreendente?" Esta é uma das pequenas provocações com que José Luis Cortés nos brinda na introdução do seu livro Um Deus chamado Abba.

O livro - foi publicada entre nós no início deste ano - nasceu de uma série de desenhos encomendados por uma editora ao longo de vários anos. Estes desenho agora compilados são acompanhados vários textos explicativos e frases provocadoras, que não nos deixam indiferentes.

O autor começa por desmontar uma série de ideias infantis e distorcidas que muitas pessoas têm sobre o criador: "Quer Deus exista, quer não, o que não pode mesmo existir são certas imagens de Deus que alguns apregoam por aí, e que a maioria das pessoas interiorizou, sem se aperceber, de uma forma ou de outra."(p.12) E adverte o leitor: "Deus não é um ancião como eu o pinto, não tem barba, nem aquele triângulo na cabeça (...); não está num céu cheio de nuvens e os anjos não andam por ali com asas de frango." (p.9)

O livro não pode deixar de incomodar o crente acomodado, e até incomodar alguma hierarquia religiosa: "Não tenho medo nenhum de que me digam que disparando contra as falsas imagens de Deus podemos atacar a boa fé das pobres pessoas, ou a fé ingénua de tanta gente simples... Sobre essa fé ingénua e essa ingenuidade foram edificadas muitas fortunas e até algumas carreiras eclesiásticas."(p.14)

O livro não é um tratado de teologia; poderia ser melhor descrito como um convite a uma reflexão pessoal sobre o conceito e a experiência que cada um de nós tem sobre Deus. E apesar de ter sido escrito por um católico para uma audiência católica, a grande maioria das reflexões pessoais do autor facilmente encontram paralelo na experiência religiosa de pessoas de todas as religiões (substitua-se a palavra "igreja" por "comunidade religiosa").

Para aguçar o apetite por este livro aqui ficam alguns dos desenhos do autor.









Marco Oliveira [Povo de Bahá]
Comments:
Proibir não! Como diz S. Paulo "tudo te é permitido mas nem tudo te convém". Mas também não podemos querer que a Igreja e os que a representam permaneçam calados! As uniões de facto não são um mal, como o casamento não é um bem só por si. Quem quiser viver assim tudo bem! Mas então não se peça depois a comparação ao casamento, porque nessa altura não se valoriza a união de facto mas esvazia-se o casamento. Não sejamos ingénuos!
O casamento esvaziar-se-á de significado social, a família deixará de precisar dele (e não é uma invenção da Igreja como alguns apregoam), e então viveremos todos os nossos prazeres egoisticamente, e assim poderão os filhos ser geridos pelos Estados como muito bem entenderem. Já Bertrand Russel o dizia há alguns anos atrás. Eu não quero e tenho o direito de gritar que não quero esse tipo de sociedade! Na China é o Estado que decide quantos filhos se tem. A família nada tem com isso. A China não está assim tão longe!
 
Talvez não esteja errado a hierarquie eclesial condenar as uniões de facto, mas será isso prioridade no nosso mundo? Prioridade é incentivar a solidariedade, anunciar os valores de Cristo que disse "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". E o amor não existe unicamente no casamento e na família. Existe nas amizades, na doação aos outros... Há casais não católicos, que vivem em união de facto ou casados pelo registo que são mais caridosos que muitos casais católicos. Num mundo esvaziado de conteúdo, os sacerdotes têm de mostrar aos fiéis o que existe nesta terra e no exemplo de Cristo que ainda valha a pena. Prefiro ver as uniões de facto que a desunião total, ou casamentos perante Deus e os Homens só porque é uma festa bonita. Primeiro os valores, depois as cerimónias.
O livro parece-me interessante, um desafio a crentes acomodados!
 
Cada caso concreto é um caso, a ser olhado como tal, com a humanidade e o calor do olhar d'Ele. Mas isso não significa que tudo seja igual: "vai e não voltes a pecar" foi o que disse à mulher adúltera, depois de a ter perdoado.
O mundo não é a preto-e-branco, mas também não é o mesmo voar de avião ou saltar de para-quedas! Quem gostar, faça o favor. Não pode é apresentar-se como detentor de um Airbus, porque simplesmente não é verdade.
 
Enviar um comentário

sementes da terra
 
mail
 
 
anteriores
04.2004
05.2004
06.2004
07.2004
09.2004
10.2004
11.2004
12.2004
01.2005
02.2005
03.2005
04.2005
05.2005
06.2005
07.2005
08.2005
09.2005
10.2005
11.2005
12.2005
01.2006
02.2006
03.2006
04.2006
05.2006
06.2006
07.2006
08.2006
12.2006
 

 

 
 

terra da alegria. 2004.


 

This page is powered by Blogger. Isn't yours?