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quarta-feira, junho 7

 

A importância da caridade desde os primeiros tempos da Igreja

O ponto 24 da primeira encíclica de Bento XVI contém, a propósito da caridade, uma interessante reflexão sobre o imperador Juliano:

"Uma alusão merece a figura do imperador Juliano o Apóstata († 363), porque demonstra uma vez mais quão essencial era para a Igreja dos primeiros séculos a caridade organizada e praticada. Criança de seis anos, Juliano assistira ao assassínio de seu pai, de seu irmão e doutros familiares pelas guardas do palácio imperial; esta brutalidade atribuiu-a ele — com razão ou sem ela — ao imperador Constâncio, que se fazia passar por um grande cristão. Em consequência disso, a fé cristã acabou desacreditada a seus olhos uma vez por todas. Feito imperador, decide restaurar o paganismo, a antiga religião romana, mas ao mesmo tempo reformá-lo para se tornar realmente a força propulsora do império. Para isso, inspirou-se largamente no cristianismo. Instaurou uma hierarquia de metropolitas e sacerdotes. Estes deviam promover o amor a Deus e ao próximo. Numa das suas cartas, escrevera que o único aspecto do cristianismo que o maravilhava era a actividade caritativa da Igreja. Por isso, considerou determinante para o seu novo paganismo fazer surgir, a par do sistema de caridade da Igreja, uma actividade equivalente na sua religião. Os «Galileus» — dizia ele — tinham conquistado assim a sua popularidade. Havia que imitá-los, senão mesmo superá-los. Deste modo, o imperador confirmava que a caridade era uma característica decisiva da comunidade cristã, da Igreja."

Esta passagem suscita-me duas reflexões. A primeira é a importância do exemplo. Com efeito foi por causa do terrível exemplo de alguém que se fazia passar por cristão (o imperador Constâncio) que o imperador Juliano abandonou o cristianismo. Embora o exemplo de alguém em concreto nada diga sobre a exactidão ou a bondade das ideias e valores em que esse alguém se diz inspirar (é possível encontrar bons exemplos e maus exemplos em pessoas de todas as crenças), o poder pedagógico do exemplo é fortíssimo e qualquer pessoa que acredite em Cristo deverá ter sempre isso em conta.

A segunda reflexão que esta passagem me suscita é relativa à afirmação de Juliano nos termos da qual "o único aspecto do cristianismo que o maravilhava era a actividade caritativa da Igreja". Tenho que admitir que compreendo perfeitamente Juliano. Sem a mensagem de amor sem limites (expressa nomeadamente no mandamento "Ama os teus inimigos") o cristianismo seria simplesmente mais uma religião igual a tantas outras. Mas não deixa de ser curioso que a prática da caridade enquanto simples comportamento desligado de qualquer fundamentação religiosa, embora formalmente muito sedutor (porque estando aparentemente apenas ligado à consciência individual de cada um) tenda normalmente à extinção. De facto, são praticamente inexistentes as organizações privadas de solidariedade social de cariz ateu.

Timshel (TIMSHEL)
Comments:
Pelo que conheço mesmo as organizações privadas de solidariedade social que não têm ligações a igrejas são em grande parte impulsionadas por cristãos.

António Maria
 
"...Embora o exemplo de alguém em concreto nada diga sobre a exactidão ou a bondade das ideias e valores em que esse alguém se diz inspirar ..." pois, mas quando a maioria não mostra nenhum exemplo começa a ser grave (ou são mais os que não dão exemplo), e daí se poder questionar se essas ideias/valores que estão a ser transmitidas estão a ser assimilados da melhor forma?...
 
Um post absolutamente fantástico.

De facto, a enciclica do Papa é excelente.

Há uma outra explicação para o facto de haver tão poucas instituições de solidariedade social que não estejam ligadas à Igreja: o Estado prefere a Igreja, em detrimento de outras instituições, para fazer acordos desse tipo. Mesmo assim, é um facto que, desde sempre, a Igreja tem um papel social importantissimo. Basta abrir o Anuário Católico e ver os números da acção social da Igreja :o)
 
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