<$BlogRSDURL$>

 

 

 

   

 
 

terra da alegria


 
 
timshel guia dos perplexos cibertúlia poesia distribuída na rua a bordo baixa autoridade
 
     

quarta-feira, abril 5

 

Relativismo

Além do teísmo e do monismo, existe uma outra posição que pode ser considerada como situada entre as duas. Esta abordagem é chamada relativismo. Resumidamente, assume a posição de que a Realidade Última é incognoscível, está além da capacidade humana para a conceptualizar. O conhecimento (seja do mundo físico ou metafísico) é sempre o conhecimento de uma perspectiva particular, e portanto é relativo a esse ponto de vista. Não é possível proferir nada que seja uma verdade absoluta. Todos os conceitos são meras perspectivas da verdade, sendo cada uma correcta do seu próprio ponto de vista. Isto representa um relativismo cognitivo.

Este modo de pensar surgiu na escola Madhyamika que foi fundada por Nagarjuna, na Índia, provavelmente no séc. II EC. Apesar de não ser uma grande corrente do Budismo, é de grande importância, pois muito do Budismo Mahayana tem a sua base filosófica nos ensinamentos desta escola. Este modo de pensar também surge na Fé Bahá'í como forma de explicar a unidade subjacente à diversidade de religiões no mundo.

Tal como elementos de pensamento teísta e monista ocorrem universalmente, elementos de pensamento relativista encontram-se entre escritores de outras religiões. Além do pensamento de Nagarjuna no Budismo descrito anteriormente, o conceito do "Deus criado nas fés" de
Ibn al'Arabi, o místico muçulmano, tem em si uma implicação de relativismo. Inb al'Arabi sustentou que cada pessoa tem uma certa aptidão e capacidade para “ver” Deus e que Deus lhe surge de acordo com essa capacidade. Numa escala maior, ele viu as religiões históricas como caminhos limitados e particulares para adorar o Absoluto. Também existem semelhanças entre o relativismo Bahá'í e a posição apresentada pelo teólogo cristão John Hick. Ele sustenta que as diferenças nas descrições do Absoluto/Deus nas várias religiões são devidas às diferentes influências culturais e diferentes modos de cognição.

A perspectiva relativista, obviamente, aceita tanto o monismo como o teísmo. Contém uma explicação para o facto de, conforme descrito anteriormente, cada religião ter expressões teístas e monistas. O relativismo sustenta que as diferentes expressões de teísmo e monismo são devidas aos diferentes tipos de percepção mental da realidade. Assim, claramente, se uma religião pretende ter um apelo universal e tornar-se uma religião mundial, deve satisfazer estes diferentes tipos de mentalidade ao incluir elementos teístas e monistas.

(...) O relativismo bahá'í aceita, como se podia esperar, pontos de vista teísta e não-teísta relativos ao sofrimento, ao mal e à salvação. A salvação, ou a libertação, trazida pelos fundadores das religiões mundiais é vista, da perspectiva bahá'í, como tendo um efeito duplo. Ao nível pessoal liberta os seres humanos de um estado de ignorância; e conduz a humanidade a uma salvação social (paz e unidade). A segunda facilita o esforço dos seres humanos pela primeira, e vice-versa. A salvação, ou a libertação, é vista mais como um processo do que como um estado em que se está ou não está. A condição que ocorre após a morte é impossível de ser descrita. Pode apenas ser parcialmente apreciada recorrendo a analogias, tais como o mundo do embrião relativamente ao nosso mundo (uma analogia da nossa condição de preparação para o que acontece após a morte, mas da qual somos ignorantes).

Em contraste com as religiões teístas e monistas, a Fé Bahá'í tem pouco rituais fixos. Isto permite-lhe uma grande flexibilidade para adoptar práticas religiosas que estejam de acordo com as preferências do crente individual. Tanto a oração como a meditação são obrigações diárias pessoais.

No que toca a conceitos de tempo e espaço, o ponto de vista relativista é que ambos são assuntos em que “divergir devido às divergências de opinião nos pensamentos e opiniões dos homens”. Na perspectiva bahá’í, os ciclos de progresso e declínio afectam todos os aspectos da vida humana, e a religião não é excepção. Mas apesar de tudo, existe um progresso e evolução generalizadas na vida social humana. Porém, quando a religião entra em declínio e os seus ensinamentos já não são adequados à condição de desenvolvimento da sociedade humana, surge uma nova religião. O conceito bahá'í apresenta, portanto, elementos de progresso linear e cíclicos.

Moojan Momen, in The Phenomenon of Religion: A Thematic Approach, pag.41-43

Marco Oliveira [POVO DE BAHÁ]

sementes da terra
 
mail
 
 
anteriores
04.2004
05.2004
06.2004
07.2004
09.2004
10.2004
11.2004
12.2004
01.2005
02.2005
03.2005
04.2005
05.2005
06.2005
07.2005
08.2005
09.2005
10.2005
11.2005
12.2005
01.2006
02.2006
03.2006
04.2006
05.2006
06.2006
07.2006
08.2006
12.2006
 

 

 
 

terra da alegria. 2004.


 

This page is powered by Blogger. Isn't yours?