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quarta-feira, abril 26

 

Justiça e amor no mundo actual

No ponto 30 da sua primeira Encíclica, o Papa Bento XVI debruça-se sobre "a situação geral do empenho pela justiça e o amor no mundo actual":

"a) Os meios de comunicação de massa tornaram hoje o nosso planeta mais pequeno, aproximando rapidamente homens e culturas profundamente diversos. Se, às vezes, este «estar juntos» suscita incompreensões e tensões, o facto, porém, de agora se chegar de forma muito mais imediata ao conhecimento das necessidades dos homens constitui sobretudo um apelo a partilhar a sua situação e as suas dificuldades. Cada dia vamo-nos tornando conscientes de quanto se sofre no mundo, apesar dos grandes progressos em campo científico e técnico, por causa de uma miséria multiforme, tanto material como espiritual. Por isso, este nosso tempo requer uma nova disponibilidade para socorrer o próximo necessitado. Sublinhou-o já o Concílio Vaticano II com palavras muito claras: «No nosso tempo, em que os meios de comunicação são mais rápidos, em que quase se venceu a distância entre os homens, (...) a actividade caritativa pode e deve atingir as necessidades de todos os homens».

Por outro lado — e trata-se de um aspecto provocatório e ao mesmo tempo encorajador do processo de globalização —, o presente põe à nossa disposição inumeráveis instrumentos para prestar ajuda humanitária aos irmãos necessitados, não sendo os menos notáveis entre eles os sistemas modernos para a distribuição de alimento e vestuário, e também para a oferta de habitação e acolhimento. Superando as fronteiras das comunidades nacionais, a solicitude pelo próximo tende, assim, a alargar os seus horizontes ao mundo inteiro. Justamente o pôs em relevo o Concílio Vaticano II: «Entre os sinais do nosso tempo, é digno de especial menção o crescente e inelutável sentido de solidariedade entre todos os povos». Os entes do Estado e as associações humanitárias apadrinham iniciativas com tal finalidade, fazendo-o na maior parte dos casos através de subsídios ou descontos fiscais, os primeiros, e pondo à disposição verbas consideráveis, as segundas. E assim a solidariedade expressa pela sociedade civil supera significativamente a dos indivíduos.

b) Nesta situação, nasceram e desenvolveram-se numerosas formas de colaboração entre as estruturas estatais e as eclesiais, que se revelaram frutuosas. As estruturas eclesiais, com a transparência da sua acção e a fidelidade ao dever de testemunhar o amor, poderão animar de maneira cristã também as estruturas civis, favorecendo uma recíproca coordenação que não deixará de potenciar a eficácia do serviço caritativo. Neste contexto, formaram-se também muitas organizações com fins caritativos ou filantrópicos, que procuram, face aos problemas sociais e políticos existentes, alcançar soluções satisfatórias sob o aspecto humanitário. Um fenómeno importante do nosso tempo é a aparição e difusão de diversas formas de voluntariado, que se ocupam duma pluralidade de serviços. Desejo aqui deixar uma palavra de particular apreço e gratidão a todos aqueles que participam, de diversas formas, nestas actividades. Tal empenho generalizado constitui, para os jovens, uma escola de vida que educa para a solidariedade e a disponibilidade a darem não simplesmente qualquer coisa, mas darem-se a si próprios. À anti-cultura da morte, que se exprime por exemplo na droga, contrapõe-se deste modo o amor que não procura o próprio interesse, mas que, precisamente na disponibilidade a «perder-se a si mesmo» pelo outro (cf. Lc 17, 33 e paralelos), se revela como cultura da vida.

Na Igreja Católica e noutras Igrejas e Comunidades eclesiais, também apareceram novas formas de actividade caritativa e ressurgiram antigas com zelo renovado. São formas nas quais se consegue muitas vezes estabelecer uma feliz ligação entre evangelização e obras de caridade. Desejo aqui confirmar explicitamente aquilo que o meu grande predecessor João Paulo II escreveu na sua Encíclica Sollicitudo rei socialis, quando declarou a disponibilidade da Igreja Católica para colaborar com as organizações caritativas destas Igrejas e Comunidades, uma vez que todos nós somos movidos pela mesma motivação fundamental e temos diante dos olhos idêntico objectivo: um verdadeiro humanismo, que reconhece no homem a imagem de Deus e quer ajudá-lo a levar uma vida conforme a esta dignidade. Depois, a Encíclica Ut unum sint voltou a sublinhar que, para o progresso rumo a um mundo melhor, é necessária a voz comum dos cristãos, o seu empenho em «fazer triunfar o respeito pelos direitos e necessidades de todos, especialmente dos pobres, humilhados e desprotegidos». Quero exprimir aqui a minha alegria pelo facto de este desejo ter encontrado um vasto eco por todo o mundo em numerosas iniciativas."


O Papa começa por recordar que estes novos tempos de globalização da comunicação constituem um novo desafio para os católicos. Com efeito, "o facto de agora se chegar de forma muito mais imediata ao conhecimento das necessidades dos homens constitui sobretudo um apelo a partilhar a sua situação e as suas dificuldades. Cada dia vamo-nos tornando conscientes de quanto se sofre no mundo, apesar dos grandes progressos em campo científico e técnico, por causa de uma miséria multiforme, tanto material como espiritual. Por isso, este nosso tempo requer uma nova disponibilidade para socorrer o próximo necessitado."

Outro aspecto positivo da globalização é que ela permite pôr "à nossa disposição inumeráveis instrumentos para prestar ajuda humanitária aos irmãos necessitados, não sendo os menos notáveis entre eles os sistemas modernos para a distribuição de alimento e vestuário, e também para a oferta de habitação e acolhimento. Superando as fronteiras das comunidades nacionais, a solicitude pelo próximo tende, assim, a alargar os seus horizontes ao mundo inteiro."

O Papa sublinha igualmente a importância das actividades do Estado na redistribuição da riqueza: "Os entes do Estado e as associações humanitárias apadrinham iniciativas com tal finalidade, fazendo-o na maior parte dos casos através de subsídios ou descontos fiscais, os primeiros, e pondo à disposição verbas consideráveis, as segundas. E assim a solidariedade expressa pela sociedade civil supera significativamente a dos indivíduos."

A importância da actividade do Estado na redistribuição da riqueza, em colaboração com as organizações da sociedade civil, é constatada pelo Papa quando refere que "nasceram e desenvolveram-se numerosas formas de colaboração entre as estruturas estatais e as eclesiais, que se revelaram frutuosas. As estruturas eclesiais, com a transparência da sua acção e a fidelidade ao dever de testemunhar o amor, poderão animar de maneira cristã também as estruturas civis, favorecendo uma recíproca coordenação que não deixará de potenciar a eficácia do serviço caritativo. Neste contexto, formaram-se também muitas organizações com fins caritativos ou filantrópicos, que procuram, face aos problemas sociais e políticos existentes, alcançar soluções satisfatórias sob o aspecto humanitário. Um fenómeno importante do nosso tempo é a aparição e difusão de diversas formas de voluntariado, que se ocupam duma pluralidade de serviços."

A todos os que se empenham nestas actividades de redistribuição dos recursos o Papa deixa "uma palavra de particular apreço e gratidão". Com efeito, "tal empenho generalizado constitui, para os jovens, uma escola de vida que educa para a solidariedade e a disponibilidade a darem não simplesmente qualquer coisa, mas darem-se a si próprios. À anti-cultura da morte, que se exprime por exemplo na droga, contrapõe-se deste modo o amor que não procura o próprio interesse, mas que, precisamente na disponibilidade a «perder-se a si mesmo» pelo outro, se revela como cultura da vida."

O Papa reiterou igualmente a disponibilidade da Igreja Católica que já João Paulo II tinha afirmado relativamente à colaboração com outras organizações caritativas, "uma vez que todos nós somos movidos pela mesma motivação fundamental e temos diante dos olhos idêntico objectivo: um verdadeiro humanismo, que reconhece no homem a imagem de Deus e quer ajudá-lo a levar uma vida conforme a esta dignidade."

Finalmente, o Papa recordou de novo João Paulo II: "para o progresso rumo a um mundo melhor, é necessária a voz comum dos cristãos, o seu empenho em «fazer triunfar o respeito pelos direitos e necessidades de todos, especialmente dos pobres, humilhados e desprotegidos»."


Timshel (TIMSHEL)

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quarta-feira, abril 19

 

KÖZSÖNÖM!



Retomo um breve relato de há dias. A missa do lava-pés ouvi-a em húngaro, numa das mais belas igrejas que visitei até hoje - Mátyás templom, em Budapeste. Não percebi quase nada: apenas a cadência da oração, o Jezsus vivido ou o ámen universal. Na longa celebração, a estranheza da língua cuidou do tempo de outro modo. Com um coro, como nunca ouvi numa igreja portuguesa - a música tornada contemplação, e não um acrescento pop para arregimentar jovens. E depois o silêncio e a luz.

Lá fora, escurecia também. Mas os vitrais reflectiam cores de vida, para o interior da igreja, para o interior do templo de cada um. E do tempo de todos.

O tempo, por aqui, deixa marcas. Indeléveis, físicas. Como a da torre de Madalena, que resistiu às guerras que abriram fendas nos homens e romperam corações nos edifícios. Ao lado, uma janela (na foto) esventrada, enorme, deixa ver o que está do outro lado, é o outro lado. Metáfora de uma cidade de cruzamentos e cruzadas, em que as últimas parecem hoje ceder aos primeiros: nas esplanadas, o linguarajar indecifrável dos magiares mistura-se, bebe-se, saboreia-se com línguas de quem os visita e desvela.

Por estes dias de Páscoa, o belo e o indizível mostram-se assim, quase inexplicáveis. Ou talvez não. Como, em Sete Palmos de Terra, o diálogo do filho (que nunca seria o "pródigo" da parábola) com o pai, que ele e nós, telespectadores, sabemos já morto:
«Tens uma dorzinha. Mas estás vivo! O que é uma dorzinha comparada com isso!», diz-lhe o pai. «Não pode ser assim tão simples...», responde o filho. «É assim tão simples», remata o pai.

É assim, simples. Como naquela missa de lava-pés, celebrada em húngaro.


Miguel Marujo [
CIBERTÚLIA]

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Deus é amor

Deus é amor e torna-Se presente precisamente nos momentos em que nada mais se faz a não ser amar

Sob o título “O perfil específico da actividade caritativa da Igreja”, a primeira Encíclica do Papa Bento XVI tem uma secção cujo único ponto, o ponto 31, diz o seguinte:

“O aumento de organizações diversificadas, que se dedicam ao homem em suas várias necessidades, explica-se fundamentalmente pelo facto de o imperativo do amor ao próximo ter sido inscrito pelo Criador na própria natureza do homem. Mas, o referido aumento é efeito também da presença, no mundo, do cristianismo, que não cessa de despertar e tornar eficaz este imperativo, muitas vezes profundamente obscurecido no decurso da história. A reforma do paganismo, tentada pelo imperador Juliano o Apóstata, é apenas um exemplo incipiente de tal eficácia. Neste sentido, a força do cristianismo propaga-se muito para além das fronteiras da fé cristã. Por isso, é muito importante que a actividade caritativa da Igreja mantenha todo o seu esplendor e não se dissolva na organização assistencial comum, tornando-se uma simples variante da mesma. Mas, então quais são os elementos constitutivos que formam a essência da caridade cristã e eclesial?

a) Segundo o modelo oferecido pela parábola do bom Samaritano, a caridade cristã é, em primeiro lugar, simplesmente a resposta àquilo que, numa determinada situação, constitui a necessidade imediata: os famintos devem ser saciados, os nus vestidos, os doentes tratados para se curarem, os presos visitados, etc. As organizações caritativas da Igreja, a começar pela Caritas (diocesana, nacional e internacional), devem fazer o possível para colocar à disposição os correlativos meios e sobretudo os homens e mulheres que assumam tais tarefas. Relativamente ao serviço que as pessoas realizam em favor dos doentes, requer-se antes de mais a competência profissional: os socorristas devem ser formados de tal modo que saibam fazer a coisa justa de modo justo, assumindo também o compromisso de continuar o tratamento. A competência profissional é uma primeira e fundamental necessidade, mas por si só não basta. É que se trata de seres humanos, e estes necessitam sempre de algo mais que um tratamento apenas tecnicamente correcto: têm necessidade de humanidade, precisam da atenção do coração. Todos os que trabalham nas instituições caritativas da Igreja devem distinguir-se pelo facto de que não se limitam a executar habilidosamente a acção conveniente naquele momento, mas dedicam-se ao outro com as atenções sugeridas pelo coração, de modo que ele sinta a sua riqueza de humanidade. Por isso, para tais agentes, além da preparação profissional, requer-se também e sobretudo a «formação do coração»: é preciso levá-los àquele encontro com Deus em Cristo que neles suscite o amor e abra o seu íntimo ao outro de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento por assim dizer imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé que se torna operativa pelo amor (cf. Gal 5, 6).

b) A actividade caritativa cristã deve ser independente de partidos e ideologias. Não é um meio para mudar o mundo de maneira ideológica, nem está ao serviço de estratégias mundanas, mas é actualização aqui e agora daquele amor de que o homem sempre tem necessidade. O tempo moderno, sobretudo a partir do Oitocentos, aparece dominado por diversas variantes duma filosofia do progresso, cuja forma mais radical é o marxismo. Uma parte da estratégia marxista é a teoria do empobrecimento: esta defende que, numa situação de poder injusto, quem ajuda o homem com iniciativas de caridade, coloca-se de facto ao serviço daquele sistema de injustiça, fazendo-o resultar, pelo menos até certo ponto, suportável. Deste modo fica refreado o potencial revolucionário e, consequentemente, bloqueada a reviravolta para um mundo melhor. Por isso, se contesta e ataca a caridade como sistema de conservação do status quo. Na realidade, esta é uma filosofia desumana. O homem que vive no presente é sacrificado ao moloch do futuro — um futuro cuja efectiva realização permanece pelo menos duvidosa. Na verdade, a humanização do mundo não pode ser promovida renunciando, de momento, a comportar-se de modo humano. Só se contribui para um mundo melhor, fazendo o bem agora e pessoalmente, com paixão e em todo o lado onde for possível, independentemente de estratégias e programas de partido. O programa do cristão — o programa do bom Samaritano, o programa de Jesus — é «um coração que vê». Este coração vê onde há necessidade de amor, e actua em consequência. Obviamente, quando a actividade caritativa è assumida pela Igreja como iniciativa comunitária, à espontaneidade do indivíduo há que acrescentar também a programação, a previdência, a colaboração com outras instituições idênticas.

c) Além disso, a caridade não deve ser um meio em função daquilo que hoje é indicado como proselitismo. O amor é gratuito; não é realizado para alcançar outros fins. [30] Isto, porém, não significa que a acção caritativa deva, por assim dizer, deixar Deus e Cristo de lado. Sempre está em jogo o homem todo. Muitas vezes é precisamente a ausência de Deus a raiz mais profunda do sofrimento. Quem realiza a caridade em nome da Igreja, nunca procurará impor aos outros a fé da Igreja. Sabe que o amor, na sua pureza e gratuidade, é o melhor testemunho do Deus em que acreditamos e pelo qual somos impelidos a amar. O cristão sabe quando é tempo de falar de Deus e quando é justo não o fazer, deixando falar somente o amor. Sabe que Deus é amor (cf. 1 Jo 4, 8) e torna-Se presente precisamente nos momentos em que nada mais se faz a não ser amar. Sabe — voltando às questões anteriores — que o vilipêndio do amor é vilipêndio de Deus e do homem, é a tentativa de prescindir de Deus. Consequentemente, a melhor defesa de Deus e do homem consiste precisamente no amor. É dever das organizações caritativas da Igreja reforçar de tal modo esta consciência em seus membros, que estes, através do seu agir — como também do seu falar, do seu silêncio, do seu exemplo —, se tornem testemunhas credíveis de Cristo.”


Este ponto é extraordinariamente rico. Vou apenas sublinhar algumas passagens.

Logo no parágrafo introdutório:

“O imperativo do amor ao próximo ter sido inscrito pelo Criador na própria natureza do homem” – Isto pode ser verdade, mas convém igualmente sublinhar a “presença, no mundo, do cristianismo, que não cessa de despertar e tornar eficaz este imperativo, muitas vezes profundamente obscurecido no decurso da história”.


Depois, “a caridade cristã é, em primeiro lugar, simplesmente a resposta àquilo que, numa determinada situação, constitui a necessidade imediata: os famintos devem ser saciados, os nus vestidos, os doentes tratados para se curarem, os presos visitados”.


“Relativamente ao serviço que as pessoas realizam em favor dos doentes, requer-se antes de mais a competência profissional”. Mas, a competência profissional, embora seja uma primeira e fundamental necessidade, só por si não basta. As pessoas “necessitam sempre de algo mais que um tratamento tecnicamente correcto: precisam da atenção do coração”. “De tal modo que o amor do próximo já não seja um mandamento imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé que se torna operativa pelo amor”.

A propósito do marxismo, o Papa sublinha, com toda a razão, que se trata de “uma filosofia desumana. O homem que vive no presente é sacrificado ao moloch do futuro — um futuro cuja efectiva realização permanece pelo menos duvidosa.”

O que o Papa diz sobre o marxismo é igualmente aplicável manifestamente ao neoliberalismo: também neste sistema ideológico, se diz que é inevitável a pobreza e a miséria no presente para alguns para que os mais competitivos sobrevivam conseguindo-se (?) assim um eventual e hipotético futuro de maior riqueza geral (não deixa de ser curioso aliás que uma filosofia que se pretende individualista, como é o caso do neoliberalismo, utilize como argumento um conceito colectivo que é o de uma média estatística geral em termos de riqueza – talvez porque assim é possível camuflar essa utópica realidade futura que consistiria de facto numa meia dúzia de supermilionários em contraste com a esmagadora maioria da população).


Como diz o Papa, “a humanização do mundo não pode ser promovida renunciando, de momento, a comportar-se de modo humano. Só se contribui para um mundo melhor, fazendo o bem agora e pessoalmente, com paixão e em todo o lado onde for possível”.

Convém igualmente sublinhar que “a caridade não deve ser um meio” pois “o amor é gratuito; não é realizado para alcançar outros fins”.

Finalmente gostaria de salientar o seguinte belíssimo excerto:

“O cristão sabe quando é tempo de falar de Deus e quando é justo não o fazer, deixando falar somente o amor. Sabe que Deus é amor e torna-Se presente precisamente nos momentos em que nada mais se faz a não ser amar.”


Timshel (TIMSHEL)

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Por que vou ao Rossio

Só soube que fazia agora 500 anos que tinha havido um massacre de judeus em Lisboa quando o Nuno Guerreiro falou disso, há uns meses. Nunca me falaram de tal coisa na escola... Mesmo do facto de ter havido expulsões de grupos étnicos, ao longo da história, no nosso país, só me apercebi que eram uma realidade significativa a partir de leituras menos canónicas que a dos manuais escolares.
Logo à tarde, irei passar pelo Rossio. Irei, sobretudo, para me lembrar de que os que mataram professavam a mesma fé que eu professo, que rezavam o mesmo credo que eu, que, de acordo com o que acredito, são parte do mesmo corpo que eu: a Igreja. Não posso afirmar o que faria se vivesse naquele tempo e naquelas condições (acho até este tipo de especulação estéril e inútil), mas sei que sou da mesma condição e sujeito às mesmas fraquezas daqueles que cometeram ou foram cúmplices de tal crime. Por isso peço para eles o perdão de Deus e a Deus peço que me ajude em cada momento da minha vida a manter a lucidez para evitar a violência e ajudar a construir a paz.

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(sem ligação com o texto anterior, mas por considerar de interesse para os leitores da TdA, deixo a seguir uma notícia que me chegou)


Um Papa (In)esperado

Será lançado amanhã, dia 20, pelas 18h30, um livro da autoria de António Marujo, sobre o primeiro ano de pontificado de Bento XVI. Será apresentado pelo prof. Luís Moita, na sala 20 da Universidade Autónoma (Rua de Santa marta, 56, em Lisboa – estação do Metro do Marquês, saída da Rua Alexandre Herculano)


Rui Almeida (RUIALME)

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quarta-feira, abril 12

 

Páscoa

Cruzes, Credo!
A defesa, 16.04.2003
Páscoa

Vem aí a Páscoa.
Para alguns serão apenas uns dias de férias.
Para outros, uma quadra ligada a meia dúzia de tradições cujo sentido já se perdeu. Aparecem os ovos, mais os coelhos de chocolate e as amêndoas, come-se o borrego, seja no campo (cada vez menos), seja no mais fino serviço de porcelana. E se perguntarmos qual é o sentido destas tradições, a maioria das pessoas ficará hesitante, sem saber muito bem, por exemplo, por que carga de água estão os ovos associados a estes dias...
Para uma minoria, ainda significativa, a Páscoa despe-se desta parafernália supérflua, para assumir o seu lugar de celebração central da fé cristã: a morte e ressurreição de Jesus Cristo, como mistério irradiador de sentido para a vida do homem todo.
Num tempo de uma certa deriva existencial, em que assistimos a uma implacável fragmentação das respostas globais aos mais profundos anseios do ser humano, a Páscoa continua a ser, para aqueles que com sinceridade e humildade se abeiram dela, uma fonte de sentido e essa resposta global e perene.
A Passagem da morte à vida, do homem velho ao homem novo, é um convite à renovação da humanidade inteira. Não pela força das revoluções, nem pelo reformismo dos inconsequentes, mas pela conversão tranquila de cada coração ao apelo de plenitude proposto por Jesus Cristo. A mudança do mundo começa e opera-se pela transformação lenta, discreta e subtil que a presença do ressuscitado vai operando na vida de cada homem. E quando um homem muda, por dentro, "o mundo pula e avança".

Manuel Vieira (
NO ADRO)

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O dever da caridade como tarefa intrínseca da Igreja inteira e do Bispo na sua diocese

O ponto 32 da primeira Encíclica do Papa Bento XVI é o ponto que inicia a última secção desta encíclica (antes da conclusão propriamente dita), secção esta que é dedicada aos responsáveis da acção caritativa da Igreja.

"Por último, devemos ainda fixar a nossa atenção sobre os responsáveis pela acção caritativa da Igreja, a que já aludimos. Das reflexões feitas anteriormente, resulta claramente que o verdadeiro sujeito das várias organizações católicas que realizam um serviço de caridade é a própria Igreja — e isto a todos os níveis, a começar das paróquias passando pelas Igrejas particulares até chegar à Igreja universal. Por isso, foi muito oportuna a instituição do Pontifício Conselho Cor Unum, feita pelo meu venerado predecessor Paulo VI, como instância da Santa Sé responsável pela orientação e coordenação entre as organizações e as actividades caritativas promovidas pela Igreja Católica. Depois, é cônsono à estrutura episcopal da Igreja o facto de, nas Igrejas particulares, caber aos Bispos enquanto sucessores dos Apóstolos a primeira responsabilidade pela realização, mesmo actualmente, do programa indicado nos Actos dos Apóstolos (cf. 2, 42-44): a Igreja enquanto família de Deus deve ser, hoje como ontem, um espaço de ajuda recíproca e simultaneamente um espaço de disponibilidade para servir mesmo aqueles que, fora dela, têm necessidade de ajuda. No rito de Ordenação Episcopal, o acto verdadeiro e próprio de consagração é precedido por algumas perguntas ao candidato, nas quais se exprimem os elementos essenciais do seu ofício e são-lhe lembrados os deveres do seu futuro ministério. Neste contexto, o Ordenando promete expressamente que será, em nome do Senhor, bondoso e compassivo com os pobres e todos os necessitados de conforto e ajuda. O Código de Direito Canónico, nos cânones relativos ao ministério episcopal, não trata explicitamente da caridade como âmbito específico da actividade episcopal, falando apenas em geral do dever que tem o Bispo de coordenar as diversas obras de apostolado no respeito da índole própria de cada uma. Recentemente, porém, o Directório para o ministério pastoral dos Bispos aprofundou, de forma mais concreta, o dever da caridade como tarefa intrínseca da Igreja inteira e do Bispo na sua diocese, sublinhando que a prática da caridade é um acto da Igreja enquanto tal e que também ela, tal como o serviço da Palavra e dos Sacramentos, faz parte da essência da sua missão originária."

Seria bom que muitos padres, bispos e cristãos compreendam esta suprema importância da prática da caridade. Mais do que ritualismos e formalismos, é na atitude objectiva para com o outro em concreto que precisa de mim que o cristianismo revela a sua única e verdadeira força.


Timshel (TIMSHEL)

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quarta-feira, abril 5

 

Chamamento

Meu olhos abriam-se como bocas sedentas de tudo devorar e continuava a caminhar, agora na solidão e extensa morte dos outros, o vazio. O oceano arfava como se me quisesse engolir, imenso e assustador, a palavra.
Apenas o odor violento do meu corpo apodrecido me situava no espaço e no tempo, aqui nesta vida, uma circunstância.
E caminhava, nu e esperançoso, imóvel, o corpo aclarando-se por dentro como se uma luz crescesse no centro do meu ser. Rejuvenescia sem dor, e sem esquecimento. As feridas rejuvenescem.
Os olhos, era como se estivessem agora selados, e sangrentos, subitamente.
Parei todo o movimento e fiquei frente ao mar que se estendia à minha frente como uma respiração insustentável. E do mesmo modo que à formiga transcende o imenso ser humano, também eu me quedava perante aquele ser que eu não entendia, espantado e respeitoso. O céu nascia com ele sempre que adormecesse. A minha estrutura de entendimento não abarca a tua inteligência, perdoa-me a tentativa, sou um fragmento de vento, e nada parecia responder-me ou existir, continuava humano e falível, sabedor de não-aceitação. Pouco fluente, como todos, sistematizado, projecto: humano, conjugação de forças vitas específicas. Todo eu sou uma mentira biológica. Perdoa-me como se me aceitasses, como se revelasses aquilo que me não é.
E então o céu moveu-se, deslocou-se num arrastamento, como a dor desértica tornando-se canto ou a árvore curvar-se e a areia levantar-se água, inaudível som que invade a pele como uma queimadura. De olhos feridos, podia perceber, infindos movimentos cruzando-se dentro de mim receptáculo, o som habitava-me da pele para dentro, vento e sangue, percorrendo-me em dissolução animada, serena e aceite violação. Não rodava, a imobilidade era total como o pico da constatação ou da pedra atirada ao ar, algo a crescer dentro e percepcionado de fora: Eu era o objecto e olhava-me.
Abri-me no céu numa expansão transformada, a luz que se reúne numa visão esférica, global, e se anula sem negação.
...
Ele ergueu-se, de olhos fechados e sangrentos, o corpo liquefazendo-se em merda plasmática. Era o céu abrindo-se, a fenda da união, o ponto de intersecção, o horizonte. O mel escorria da noite quebrada, gotejando fenda abaixo, golfando. Sufoco. A multiplicidade é unidade. Sueste. De fogo nas veias. Ele ergueu-se em conjunto e gritou. O mel cobria o oceano, acumulava-se em vagas na areia. O horizonte dourado e material, o pensamento. Porosamente, expandi-me até não poder mais, abri-me sol gelado e desci à terra. As suas mãos tocaram-me.
...
Te reúnes, como um levantamento. Meus olhos que se tentam abrir, escuro odor. Ergo qualquer coisa, membros, tocos, mãos, algo que toque. Como uma curva ascendente, um suspiro de tensão. Ergo-me. É como uma estrela gelatinosamente despontando do céu, do rasgo. Raios brancos e vidrados e quietos, uma flor esticada no ar. Pequeno e dissolvido, o arco ascendente, um quedar assustado de atenção. Eu toquei, e todo estremeci na reconstituição, a forma possuindo-me como um desejo, estabelecendo-me. O estado da forma é a manifestação que nos expõe ao contacto e nos faz existir no tempo, nascer e morrer. A matéria livre tornada matéria formada, perecível. Equacionada como um destino ou uma condenação. A estrela de gelo. Eu existo. O nada tornou-se coisa e a Possibilidade Total circunstanciou-se. A estrutura no infinito vazio, subliminando-o. – Não-ser é ser-se tudo, é existir em tudo o que não se é, como o zero e a abstracção. Toquei o primeiro abrir de olhos e gritei.
...
O que desce tu recebes. E dentro dos olhos o mar abre-se. A planta moveu-se. Ferida. Os olhos. Abri-los. A forma. Criada. Temporal. Caminhar. A contagem começou, decrescente.
...


Vítor Mácula (SER CRISTÃO)

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A Vida

Há dias em que apetece filosofar sobre cada coisa que até a gente se espanta: hoje deu-me para este lado!

O que é a vida?

A vida é um dom pessoal: Inerente à pessoa ou ao ser vivo.
Mas, no início, a vida não depende do próprio ser vivo: Depende de Deus como criador, depende de outras pessoas como participantes activos no dom da vida e depende também do meio envolvente (das coisas).
Deus, as pessoas e as coisas.
Qualquer um destes três pilares é, a seu modo, determinante: Deus, como criador, está aberto à Vida e a criação não foi um acontecimento limitado no início dos tempos, mas é um processo dinâmico que se renova a cada momento, onde uma espécie pode desaparecer e outras podem surgir (onde não há duas laranjas iguais e se pode admitir uma nova espécie de citrinos dentro em breve). As pessoas, como seres conscientes e dotados de vontade própria, também interagem directamente e de modo determinante no dom da vida. Interagem não só pelo exercício da própria vontade, mas igualmente pelas condições favoráveis ou desfavoráveis do meio ambiente, na medida em que este dependa da vontade das pessoas. O meio ambiente – as coisas que nos rodeiam (ou as coisas com que as pessoas se querem rodear), -- também condiciona, a seu modo, e interage no começo de uma nova vida ou na sua manutenção.
É interessante notar que os seres criados interagem, com Deus, na criação de nova vida, por um lado e, por outro, também dependem entre si da sua continuidade e equilíbrio.
As pessoas, como seres dotados de consciência, inteligência e de vontade próprias, participam na criação ao nível da responsabilidade individual e colectiva.
Nesta interligação e interdependência o ser humano pode orientar a sua maneira de ser mais em direcção a si mesmo, às coisas, aos outros ou a Deus, distorcendo ou repondo o equilíbrio propício à Vida.
A abertura à Vida é um chamamento e uma presença de Deus em cada ser vivo.
Estar aberto à Vida, quer seja acolhendo e participando directamente na criação, quer seja proporcionando um ambiente favorável ao seu desenvolvimento e crescimento, é dar sentido ao próprio dom da Vida recebido de Deus.
Feliz de quem consegue fazer da sua Vida um dom para os outros, para as coisas e para Deus.
Boa Páscoa.


Luís Almeida

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O amor deve ser inteiramente gratuito

No ponto 33 da primeira Encíclica do Papa Bento XVI dão-se alguns conselhos aos colaboradores mais dedicados ao trabalho caritativo da Igreja. Nele se diz que:

"No que diz respeito aos colaboradores que realizam, a nível prático, o trabalho caritativo na Igreja, foi dito já o essencial: eles não se devem inspirar nas ideologias do melhoramento do mundo, mas deixarem-se guiar pela fé que actua pelo amor (cf. Gal 5, 6). Por isso, devem ser pessoas movidas antes de mais nada pelo amor de Cristo, pessoas cujo coração Cristo conquistou com o seu amor, nele despertando o amor ao próximo. O critério inspirador da sua acção deveria ser a afirmação presente na II Carta aos Coríntios: «O amor de Cristo nos constrange» (5, 14). A consciência de que, n'Ele, o próprio Deus Se entregou por nós até à morte, deve induzir-nos a viver, não mais para nós mesmos, mas para Ele e, com Ele, para os outros. Quem ama Cristo, ama a Igreja e quer que esta seja cada vez mais expressão e instrumento do amor que d'Ele dimana. O colaborador de qualquer organização caritativa católica quer trabalhar com a Igreja, e consequentemente com o Bispo, para que o amor de Deus se espalhe no mundo. Com a sua participação na prática eclesial do amor, quer ser testemunha de Deus e de Cristo e, por isso mesmo, quer fazer bem aos homens gratuitamente."

Surge logo no princípio a advertência fundamental: não buscar inspiração nas ideologias de melhoramento do mundo. A inspiração deverá vir de Cristo e não de uma qualquer teoria. Nas escolhas políticas é na inspiração em Cristo que se devem buscar as melhores soluções e não numa qualquer ideologia auto-suficiente. O poder político deve contribuir para que a sociedade seja mais feliz. Deve procurar as melhores soluções técnicas e deve procurar as melhores soluções morais.

Porque, como diz o Cardeal Patriarca de Lisboa, "os problemas da pobreza e da ajuda aos mais débeis é, hoje, responsabilidade da sociedade como um todo e, particularmente, dos Estados. Trata-se da promoção de modelos de sociedade que implementem a justiça e que percebam que o amor é a principal força da construção de uma sociedade justa. A Igreja não pode, nem quer, assumir sozinha essa luta pela justiça, mas colabora, através dos cristãos e das instituições de caridade organizada, nessa busca de uma sociedade mais justa e fraterna."


Timshel (TIMSHEL)

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Relativismo

Além do teísmo e do monismo, existe uma outra posição que pode ser considerada como situada entre as duas. Esta abordagem é chamada relativismo. Resumidamente, assume a posição de que a Realidade Última é incognoscível, está além da capacidade humana para a conceptualizar. O conhecimento (seja do mundo físico ou metafísico) é sempre o conhecimento de uma perspectiva particular, e portanto é relativo a esse ponto de vista. Não é possível proferir nada que seja uma verdade absoluta. Todos os conceitos são meras perspectivas da verdade, sendo cada uma correcta do seu próprio ponto de vista. Isto representa um relativismo cognitivo.

Este modo de pensar surgiu na escola Madhyamika que foi fundada por Nagarjuna, na Índia, provavelmente no séc. II EC. Apesar de não ser uma grande corrente do Budismo, é de grande importância, pois muito do Budismo Mahayana tem a sua base filosófica nos ensinamentos desta escola. Este modo de pensar também surge na Fé Bahá'í como forma de explicar a unidade subjacente à diversidade de religiões no mundo.

Tal como elementos de pensamento teísta e monista ocorrem universalmente, elementos de pensamento relativista encontram-se entre escritores de outras religiões. Além do pensamento de Nagarjuna no Budismo descrito anteriormente, o conceito do "Deus criado nas fés" de
Ibn al'Arabi, o místico muçulmano, tem em si uma implicação de relativismo. Inb al'Arabi sustentou que cada pessoa tem uma certa aptidão e capacidade para “ver” Deus e que Deus lhe surge de acordo com essa capacidade. Numa escala maior, ele viu as religiões históricas como caminhos limitados e particulares para adorar o Absoluto. Também existem semelhanças entre o relativismo Bahá'í e a posição apresentada pelo teólogo cristão John Hick. Ele sustenta que as diferenças nas descrições do Absoluto/Deus nas várias religiões são devidas às diferentes influências culturais e diferentes modos de cognição.

A perspectiva relativista, obviamente, aceita tanto o monismo como o teísmo. Contém uma explicação para o facto de, conforme descrito anteriormente, cada religião ter expressões teístas e monistas. O relativismo sustenta que as diferentes expressões de teísmo e monismo são devidas aos diferentes tipos de percepção mental da realidade. Assim, claramente, se uma religião pretende ter um apelo universal e tornar-se uma religião mundial, deve satisfazer estes diferentes tipos de mentalidade ao incluir elementos teístas e monistas.

(...) O relativismo bahá'í aceita, como se podia esperar, pontos de vista teísta e não-teísta relativos ao sofrimento, ao mal e à salvação. A salvação, ou a libertação, trazida pelos fundadores das religiões mundiais é vista, da perspectiva bahá'í, como tendo um efeito duplo. Ao nível pessoal liberta os seres humanos de um estado de ignorância; e conduz a humanidade a uma salvação social (paz e unidade). A segunda facilita o esforço dos seres humanos pela primeira, e vice-versa. A salvação, ou a libertação, é vista mais como um processo do que como um estado em que se está ou não está. A condição que ocorre após a morte é impossível de ser descrita. Pode apenas ser parcialmente apreciada recorrendo a analogias, tais como o mundo do embrião relativamente ao nosso mundo (uma analogia da nossa condição de preparação para o que acontece após a morte, mas da qual somos ignorantes).

Em contraste com as religiões teístas e monistas, a Fé Bahá'í tem pouco rituais fixos. Isto permite-lhe uma grande flexibilidade para adoptar práticas religiosas que estejam de acordo com as preferências do crente individual. Tanto a oração como a meditação são obrigações diárias pessoais.

No que toca a conceitos de tempo e espaço, o ponto de vista relativista é que ambos são assuntos em que “divergir devido às divergências de opinião nos pensamentos e opiniões dos homens”. Na perspectiva bahá’í, os ciclos de progresso e declínio afectam todos os aspectos da vida humana, e a religião não é excepção. Mas apesar de tudo, existe um progresso e evolução generalizadas na vida social humana. Porém, quando a religião entra em declínio e os seus ensinamentos já não são adequados à condição de desenvolvimento da sociedade humana, surge uma nova religião. O conceito bahá'í apresenta, portanto, elementos de progresso linear e cíclicos.

Moojan Momen, in The Phenomenon of Religion: A Thematic Approach, pag.41-43

Marco Oliveira [POVO DE BAHÁ]

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