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quarta-feira, março 15

 

Revelação e Iluminação

De forma análoga à diferença entre as religiões teístas ocidentais e as religiões monistas orientais na forma como vêem os seus fundadores, está a diferença como vêem as suas escrituras. Para as religiões teístas, a escritura é considerada como sendo a palavra de Deus ou a vontade de Deus revelada ao mundo através da mediação do fundador/profeta da religião. No Islão, Maomé e os outros profetas são vistos como transmissores passivos das escrituras. A palavra "revelação" transmite um sentido de desvendar à humanidade algo que sempre existiu. Isto é mais saliente no Islão, onde o Alcorão é considerado como tendo uma preexistência celestial cujo arquétipo, o Alcorão terreno é apenas uma cópia. Assim, a função de Maomé foi revelar, ou desvendar o texto do Alcorão celestial.

O processo da revelação nas religiões teístas é visto com tendo quatro aspectos principais:
  • a origem da mensagem (Deus)
  • o transmissor da mensagem (o profeta)
  • os destinatários da mensagem (a humanidade)
  • a própria mensagem (as escrituras)

Existem várias elaborações sobre este padrão básico nas diferentes religiões. No Cristianismo, Cristo é simultaneamente transmissor e parte da mensagem. Ele é o Verbo que se fez carne. No Islão, o anjo Gabriel, através de quem Maomé recebeu a escritura, partilha o papel de transmissor.

Nas religiões teístas existe ainda um significado mais genérico para a palavra "revelação". Pode tratar-se de qualquer auto-descoberta divina. Desta forma, visões e sonhos experimentados pelos santos são consideradas, neste sentido, revelações. De facto, todo o mundo natural é, em alguma medida, revelador de Deus.

No Budismo, por contraste, as palavras de Buda que estão contidas nas várias escrituras budistas não são consideradas como tendo sido transmitidas por Buda e provenientes de uma fonte transcendente. Elas são resultado da visão e sabedoria do próprio Buda, da iluminação que atingiu através dos seus próprios esforços.

O Hinduísmo tem neste contexto, talvez, uma posição intermédia entre o Budismo e as religiões teístas. Parte das suas escrituras podem-se dizer ter sido reveladas. Estas são os Vedas e os Upanishads, que são designados por escrituras shruti (escutadas). Estas são tidas como tendo sido uma revelação divina directa aos rishis (videntes) de tempos antigos. As restantes escrituras hindus, chamadas smriti (lembranças), são atribuídas a tradições e são trabalho de sábios e estudiosos humanos.

Moojan Momen, in The Phenomenon of Religion: A Thematic Approach, pag. 203-204


Marco Oliveira [POVO DE BAHÁ]

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