<$BlogRSDURL$>

 

 

 

   

 
 

terra da alegria


 
 
timshel guia dos perplexos cibertúlia poesia distribuída na rua a bordo baixa autoridade
 
     

quarta-feira, março 29

 

Para que o dom não humilhe o outro

Para que o dom não humilhe o outro, devo não apenas dar-lhe qualquer coisa minha, mas dar-me a mim mesmo, devo estar presente no dom como pessoa

A frase que serve para título do post é frase final do ponto 34 da primeira Encíclica do Papa Bento XVI, ponto este cujo conteúdo integral é o seguinte:

"A abertura interior à dimensão católica da Igreja não poderá deixar de predispor o colaborador a sintonizar-se com as outras organizações que estão ao serviço das várias formas de necessidade; mas isso deverá verificar-se no respeito do perfil específico do serviço requerido por Cristo aos seus discípulos. No seu hino à caridade (cf. 1 Cor 13), São Paulo ensina-nos que a caridade é sempre algo mais do que mera actividade: «Ainda que distribua todos os meus bens em esmolas e entregue o meu corpo a fim de ser queimado, se não tiver caridade, de nada me aproveita» (v. 3). Este hino deve ser a Magna Carta de todo o serviço eclesial; nele se encontram resumidas todas as reflexões que fiz sobre o amor, ao longo desta Carta Encíclica. A acção prática resulta insuficiente se não for palpável nela o amor pelo homem, um amor que se nutre do encontro com Cristo. A íntima participação pessoal nas necessidades e no sofrimento do outro torna-se assim um dar-se-lhe a mim mesmo: para que o dom não humilhe o outro, devo não apenas dar-lhe qualquer coisa minha, mas dar-me a mim mesmo, devo estar presente no dom como pessoa."

Logo no princípio deste ponto é sublinhada a necessidade de os católicos se associarem e trabalharem com todas as organizações que estão ao serviço das várias formas de necessidade. Todos nunca seremos demais.

Em seguida o Papa chama a atenção para o facto de que a caridade nunca pode ser vista com um espírito assistencialista mas com espírito de doação total. A dádiva não é nem nunca pode ser simplesmente material. Não se trata da simples entrega de bens mas sim da entrega da própria pessoa do dador.

Todos os católicos praticam esta entrega total? Acho que nenhum a pratica. Acho que ninguém consegue praticar esta entrega radical e absoluta. A única pessoa que o conseguiu fazer foi o próprio Deus feito homem na figura do seu filho, Jesus Cristo.

Será legítimo os católicos andarem a medir o catolicismo uns dos outros?

Também não me parece. Todos somos pecadores, e se compreendo uma certa indignação dos católicos perante pecados mais graves praticados por outros católicos, embora por vezes também caia nessa tentação, sobretudo no que diz respeito aos chamados pecados sociais, tento não proceder a julgamentos pessoais nos termos dos quais classifico a pessoa A ou a pessoa B como pouco caridosa. Foi Jesus Cristo que disse: "Não julgueis para que não sejais julgados" (Mateus, 7-1).

É verdade que considero certas doutrinas políticas (como o neoliberalismo) nos antípodas da palavra de Cristo e da Igreja. Mas se me parece legítimo condenar ideias (e, mesmo neste caso, é recomendável explicar porquê), já não me parece legítimo condenar comportamentos pessoais.

As palavras de Jesus Cristo e da Igreja apontam o Caminho. Há quem consiga tornar o seu comportamento mais próximo da Palavra. A olharmos para alguém nesta caminhada, deve ser sobretudo para estes que devemos olhar e não para aqueles que mais parecem afastar-se dos caminhos de Cristo.


Timshel (TIMSHEL)

sementes da terra
 
mail
 
 
anteriores
04.2004
05.2004
06.2004
07.2004
09.2004
10.2004
11.2004
12.2004
01.2005
02.2005
03.2005
04.2005
05.2005
06.2005
07.2005
08.2005
09.2005
10.2005
11.2005
12.2005
01.2006
02.2006
03.2006
04.2006
05.2006
06.2006
07.2006
08.2006
12.2006
 

 

 
 

terra da alegria. 2004.


 

This page is powered by Blogger. Isn't yours?