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quarta-feira, março 1

 

Os pecados de ódio

Em Junho do ano passado, a propósito da admissão ou não à celebração da Eucaristia, coloquei aqui uma espécie de exercícios de casuística. Um deles era: «Um grupo de jovens (ou menos jovens...) de uma cidade com valores morais mais conservadores, organiza-se em locais que sabem ser de encontro de homossexuais, para os atacar e agredir. Fazem alarde da "proeza" e, portanto, é do conhecimento geral. Poderão ser admitidos à comunhão eucarística?».

Retomo a questão no momento em que se fala de acrescentar ao elenco dos "crimes de ódio" aqueles de motivações homófobas, porque me parece que a posição da Igreja, não só através daqueles com maior responsabilidade, mas de todos os cristãos, poderá ajudar a atacar as raízes desse tipo de crimes.
O pecado surge antes do crime. Diz Jesus que "todo aquele que se encolerizar contra o se u irmão terá de responder no tribunal; aquele que chamar ao seu irmão 'Cretino!' estará sujeito ao julgamento do Sinédrio; aquele que lhe chamar 'Louco' terá de responder na geena de fogo" (Mt 5, 22). Ou seja: há uma responsabilidade individual em relação aos próprios sentimentos, uma necessidade de permanente exercício de conversão. Porque é sempre mais fácil alimentar o ódio do que olhar para o outro como idêntico a nós.
As grandes manifestações de ódio revelam-se na exaltação das diferenças, sobretudo como motivo de afirmação de superioridade. Muitas vezes a exaltação obsessiva e até a distorção de determinados pontos da doutrina da Igreja potenciam a criação de preconceitos geradores de ódio. A história dos cristãos está cheia de exemplos disso e só nos faz bem termos consciência desses erros.

A Igreja tem que ajudar a contrariar esses sinais de ódio sobretudo através do testemunho. Temos que saber distinguir o pecado do pecador. Temos que prever o alcance daquilo que dizemos e fazemos para que não seja entendido como pretexto para a violência. Temos que promover o aprofundamento das nossas convicções, com bases seguras e firmadas na inteligência e no amor. Temos que clarificar, nas nossas comunidades, se achamos correcto celebrar a Eucaristia juntamente com quem age, motivado pelo ódio, contra o vizinho do lado, contra os de outras convicções, contra os de outros clubes, contra homossexuais ou outro qualquer grupo ou modo de agir ou pensar.
Também por isto passa a vontade da Igreja de humanizar a sociedade, de que falava o Cardeal-Patriarca na sua mensagem do Natal do ano passado.


Rui Almeida (RUIALME)

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