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quarta-feira, março 8

 

A humildade

"Chegou o momento de reafirmar a importância da oração face ao activismo e ao secularismo que ameaça muitos cristãos empenhados no trabalho caritativo. Obviamente o cristão que reza, não pretende mudar os planos de Deus nem corrigir o que Deus previu; procura, antes, o encontro com o Pai de Jesus Cristo, pedindo-Lhe que esteja presente, com o conforto do seu Espírito, nele e na sua obra. A familiaridade com o Deus pessoal e o abandono à sua vontade impedem a degradação do homem, salvam-no da prisão de doutrinas fanáticas e terroristas. Um comportamento autenticamente religioso evita que o homem se arvore em juiz de Deus, acusando-O de permitir a miséria sem sentir compaixão pelas suas criaturas. Mas, quem pretender lutar contra Deus tomando como ponto de apoio o interesse do homem, sobre quem poderá contar quando a acção humana se demonstrar impotente?"

Este ponto (o ponto 37) da primeira Encíclica do Papa Bento XVI parece-me confuso. A confusão presente neste ponto (tal como no ponto anterior) talvez decorra da incompreensão do conceito de omnipotência divina. É duvidoso que Deus seja omnipotente no sentido humano do termo (até porque, de um ponto de vista humano, tal conceito é logicamente impossível - ver o exemplo que foi dado aqui na semana passada sobre a impossibilidade lógica de Deus criar uma pedra que Ele próprio não consiga levantar).

Deus tem planos e um projecto para o homem. Mas apenas os pode realizar com a ajuda da outra parte, do homem. E, tal como Deus, também o homem pode concretizar os planos e o projecto de Deus (e estes planos e este projecto consistem no caminho para a felicidade do homem) se tiver a ajuda da outra parte, d'Ele.

Bento XVI escreve que "um comportamento autenticamente religioso evita que o homem se arvore em juiz de Deus, acusando-O de permitir a miséria sem sentir compaixão pelas suas criaturas". Sem dúvida. Mas, de um ponto de vista lógico, tal só é possível, compreendendo que uma das supremas manifestações da Sua divindade é o exercício dessa suprema virtude chamada humildade. A humildade de Deus impede que este consiga concretizar os seus planos sem a ajuda do homem.

A última questão deste ponto, embora confusa, deixa uma importante pista: "sobre quem poderá contar quando a acção humana se demonstrar impotente?". A resposta é, indubitavelmente: sobre Deus.

Mas a inversa também é verdadeira.

Na caixa negra em que se forma a vontade. Com a ajuda de Deus.


Timshel (TIMSHEL)
Comments:
Sublinho:"...com a ajuda da outra parte, do homem".
O Homem é a outra parte de Deus. E o Homem se quisesse e se se deixasse conduzir com "... a ajuda da outra parte, d'Ele" seria 'todopoderoso' em relação à necessidade e à miséria alheia...
 
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