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quarta-feira, março 22

 

Fazer tudo o que nos for possível e com a força de que dispomos

Ponto 35 da primeira Encíclica do Papa Bento XVI:

"Este modo justo de servir torna humilde o agente. Este não assume uma posição de superioridade face ao outro, por mais miserável que possa ser de momento a sua situação. Cristo ocupou o último lugar no mundo — a cruz — e, precisamente com esta humildade radical, nos redimiu e ajuda sem cessar. Quem se acha em condições de ajudar há-de reconhecer que, precisamente deste modo, é ajudado ele próprio também; não é mérito seu nem título de glória o facto de poder ajudar. Esta tarefa é graça. Quanto mais alguém trabalhar pelos outros, tanto melhor compreenderá e assumirá como própria esta palavra de Cristo: «Somos servos inúteis» (Lc 17, 10). Na realidade, ele reconhece que age, não em virtude de uma superioridade ou uma maior eficiência pessoal, mas porque o Senhor lhe concedeu este dom. Às vezes, a excessiva vastidão das necessidades e as limitações do próprio agir poderão expô-lo à tentação do desânimo. Mas é precisamente então que lhe serve de ajuda saber que, em última instância, ele não passa de um instrumento nas mãos do Senhor; libertar-se-á assim da presunção de dever realizar, pessoalmente e sozinho, o necessário melhoramento do mundo. Com humildade, fará o que lhe for possível realizar e, com humildade, confiará o resto ao Senhor. É Deus quem governa o mundo, não nós. Prestamos-Lhe apenas o nosso serviço por quanto podemos e até onde Ele nos dá a força. Mas, fazer tudo o que nos for possível e com a força de que dispomos, tal é o dever que mantém o servo bom de Cristo sempre em movimento: «O amor de Cristo nos constrange» (2 Cor 5, 14)."

"Cristo ocupou o último lugar no mundo — a cruz". O cristianismo é a religião dos fracos, não é a religião dos fortes. É a religião dos vencidos, não é a religião dos vencedores. É a religião dos pobres, dos que sofrem, dos que são humilhados, não é religião dos ricos, dos soberbos ou dos arrogantes. É a religião dos cordeiros, não é a religião dos violentos. É a religião da "humildade radical".

O que cada cristão faz de bom "não é mérito seu nem título de glória". "Poder ajudar" é simplesmente uma "graça" concedida. "Quanto mais alguém trabalhar pelos outros, tanto melhor compreenderá e assumirá" que, na "realidade, ele reconhece que age, não em virtude de uma superioridade ou uma maior eficiência pessoal, mas porque o Senhor lhe concedeu este dom."

Este dom que o Senhor lhe concedeu e que apenas pode exercitar através da sua vontade, da vontade humana inspirada pelo Senhor. Essa vontade foi possibilidade criada por Deus quando nos ofertou o livre arbítrio ao conceder-nos a existência humana sob a forma de um sistema complexo que, por definição, produz resultados, isto é, comportamentos, que não são inteiramente determinados. Por isso não somos apenas marionetas nas mãos dos nossos genes ou das circunstâncias da nossa história e existência.

Por isso o amor pode nascer nessa caixa negra de biliões de variáveis genéticas, históricas e ambientais em interacção permanente que é a nossa consciência. O amor pode aí nascer, não por obra do acaso, mas pelo exercício da vontade humana. Com a ajuda de Deus.


Timshel (TIMSHEL)

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