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quarta-feira, março 8

 

Deus é Amor e o Credo da Igreja

A Encíclica do Papa centra-nos na essência de Deus: Amor! Deus é Amor!
Um Deus que se deixa apaixonar pela obra das Suas mãos, as Suas criaturas: o ser humano, o Seu povo, a humanidade.
Deus que se revela ao seu Povo comparando-se com o noivo apaixonado pela eleita do seu coração (Israel) e que deseja o amor da sua amada. E, mesmo que a amada Lhe seja infiel, isso não desencadeia nEle um processo de justiça ou de humana vingança, mas antes Se fez homem e, por Amor, oferece a Sua vida para conquistar o amor da Sua amada: Nós! Em Deus, mais importante que a justiça, mais importante que a vida de Seu Filho é o Amor pelo Homem e o desejo da sua resposta de Amor. A felicidade de Deus é a conversão do Homem em Amor: “à Sua imagem e semelhança”. Por esse objectivo Deus oferece a Sua vida.
Dizer que Deus é todo-poderoso ou omnipotente é importante; mas, tentar definí-Lo desse modo, ou dizer que é criador, único, fonte de toda a santidade, eterno, … é, ainda assim, referir aspectos secundários. O essencial ficou por dizer.
Durante muito tempo a definição de Deus como Pai, preenchia e satisfazia o meu melhor conceito e definição de Deus: se é meu Pai eu sou Seu filho e, como filho de Deus, eleva a minha dignidade a um nível sobre-humano, ao nível do divino; ser filho de Deus estava, em dignidade, acima de qualquer outro estatuto humano, era superior; Além disso, reconhecer Deus como Pai, era também reconhecê-Lo como Pai do meu semelhante e, portanto, reconhecer no meu semelhante um filho de Deus e um irmão, igual em dignidade, independentemente do seu estatuto ou condição.

Mas dizer que Deus é Amor, é especial! É ir mais à essência e menos ao acessório, ao secundário. Se tentasse definir o Amor, diria que amar é sentir-se feliz por conseguir fazer o outro mais feliz. O Amor procura ser correspondido, mesmo o de Deus. E, quando se sente correspondido, inunda-nos de uma infinita alegria e satisfação interiores: Por isso eu acredito na felicidade de Deus. “Haverá mais alegria nos céus por um pecador que faça penitência…”
Quem já experimentou poder contar com o apoio incondicional de um amigo? Para poder dizer isso de Deus, sentir o Seu Amor, é preciso despirmo-nos do nosso egoísmo, da nossa auto-suficiência, do nosso orgulho e é preciso uma grande dose de humildade e de confiança para nos deixarmos conduzir pela mão de Deus, que é o Seu Amor – que é, afinal, Ele próprio. Eu gostava de sentir profundamente que Deus me ama de uma maneira particular e especial. Sentir-se amado por Deus e confessá-lo será, quanto a mim, o maior acto de fé. E deixar-se conduzir por esse Deus que é Amor é deixarmo-nos “ser imagem e semelhança” dAquele que nos criou e que nos ama.
Talvez seja oportuno, talvez seja urgente, recriar, remodelar, o Credo da Igreja. Talvez hoje não faça tanto sentido dizer-se, por exemplo, “… sentado à direita do Pai”, “… para julgar os vivos e os mortos”, “… na ressurreição da carne”. E como estas questões da Fé se conjugam na 1ª pessoa, que cada um diga em que acredita.
Quanto a mim, talvez pudesse começar assim:
Creio que Deus é Amor. Creio que sou amado por Deus, …


Luís Almeida
Comments:
Gostei muito!
 
Eu sinto que a minha fé é pobre.
Gostava de sentir assim Deus!
Gostei. Ajudou-me.
Gostie do testemunho e colori de ouro o tempo da tua vida que deste para escrever.
filipe
 
Olá caro Luís Almeida!
Por "acaso" li o seu texto e digo-lhe que gostei. Não por estar de acordo com tudo com o que escreveu (que de facto não estou..., mas por ver que ainda há pessoas (e ainda bem...) que pensam, reflectem e não têm medo de manifestar o fruto de tal "meditação". Muito obrigado por assim o fazer e por me ter posto também a pensar... Queria-lhe dar algumas pistas de reflexão:
1º é verdade que as questões de fé se conjugam na 1ª pessoa do singular(bem visto! LOL), mas é exactamente esse o desafio de um cristão, ou seja, perceber que a fé começa com o contacto pessoal e intímo com o seu Senhor, que é Amor,mas que depois se exprime numa realidade comunitária de uma só fé, um só corpo, um só espírito... Santa Teresa do Menino Jesus afirmou que a Oração era e é o diálogo intímo de Amor entre Aquele que Ama (Deus) e Aquele que é Amado (Homem)... É assim que tudo começa... E depois de assim começar desabrocha numa manifestação pública e comunitária desse mesmo Amor... Por isso é que os cristãos começam a sua oração dizendo em "nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo"... Foi a Trindade que os chamou... Foi a Trindade que tomou a "iniciativa"... Não é "em meu nome, da minha vontade e do espírito" (LOL);
2ª não podemos esquecer que, apesar de todo o "esforço",
Deus está SEMPRE para além daquilo que eu, você ou mesmo a Igreja possam definir... Deus é mistério... e como diz S. Paulo, o grande santo "filósofo" (LOL) "agora vemos como num espelho"... Vemos o "reflexo", até somos capazes de definir bem o que vemos e sentimos, mas... Não é a Pessoa... É simplesmente a "imagem"... Assim, acredito que mesmo que quando professamos o Credo, nem todos estejamos na mesma "onda" e percebamos o que dizemos, Deus continua a ser aquilo que é: Amor... que eu, nem você, nem ninguém, consegue abarcar na sua totalidade, esplendor, beleza e santidade!;
3ª na verdade, Jesus está sentado à direita do Pai (Ele próprio o afirmou...) e é verdade, também, "para julgar os vivos e os mortos"... Mas Luís... O verbo "julgar", humanamente, significa o que significa, não "perderei" tempo a explicar uma evidência... Mas, entendido com os olhos da fé significa Amor... A justiça de Deus é Amor. Amor que é respeito, tolerância, "não esquecimento", perdão, compaixão, etc... Já reparou? Deus não me obriga a nada! Obriga-o a si? Eu no próximo Domingo posso não querer ir à Missa... Deus virá bater-me à porta de casa a obrigar-me a ir? Deus pede-me para amar como Ele ños amou... Eu muitas vezes não sou capaz... Ele apresenta-me factura disso? Não... Assim se manifesta o Amor de Deus e a sua justiça, na Liberdade... Por isso mesmo, entendo o "julgar os vivos e os mortos" como aquele "momento de eternidade", que começa em cada segundo, minuto, hora da nossa vida terrestre, em que somos confrontados com a pergunta de Jesus a Pedro: "Amas-me"? E o seu julgamento não partirá d'Ele, mas da nossa resposta... Portanto, meu caro Luís, eu, e falo por mim, quando rezo o Credo em cada Domingo, por outras palavras digo exactamente aquilo que escreveu como fim do seu texto: "Creio que Deus é Amor. Creio que sou amado por Deus"!;
4ª a filosofia ajuda-nos... à sempre a questão Material e a questão Formal... O que eu gostava mesmo é que a forma correspondesse em tudo à matéria... Mas sabemos que, muitas vezes, assim não é... Mas no caso do Credo, e em tantos outros, se nos detivermos na matéria, somos até capazes de perceber e até "aceitar" (LOL) a forma...

E pronto... Será que também o fiz pensar? Espero que sim...
Obrigado mais uma vez Luís por falar destas coisas que são importantes... Às vezes parece que só à espaço para se falar de Orçamentos, Opas, Défices, etc, etc...
Obrigado. Tozé
 
Agradeço à Conceição e ao Filipe a amabilidade e um obrigado especial ao Tozé que, "por acaso"(?), se predispôs a partilhar tb a sua reflexão. É bom perdermos o medo de falar sobre estas coisas da Fé e percebermos que depois de um "eu" há tb um "nós", e que cada um descobre nesse tesouro coisas novas e coisas velhas ao deixar-se iluminar e conduzir pelo Espírito, mas sempre condicionado a falar de Deus com palavras e conceitos humanos e limitados...
Ainda assim os gestos falarão mais alto.
Obrigado.
 
gostei!
 
...
 
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