<$BlogRSDURL$>

 

 

 

   

 
 

terra da alegria


 
 
timshel guia dos perplexos cibertúlia poesia distribuída na rua a bordo baixa autoridade
 
     

quarta-feira, fevereiro 1

 

Religião

No passado dia vinte e um de Janeiro, celebrou-se o Dia Mundial da Religião. No meio de tantas celebrações, talvez até, de uma excessiva banalização das mesmas, algumas verdadeiramente importantes, passam-nos despercebidas. Qual o sentido de celebrar a religião, hoje, no início do séc. XXI?

Maria Clara Lucchetti Bingemer teóloga brasileira, num artigo publicado na Agência Adital, diz:
Certamente na velha Idade Média não era preciso haver um dia Mundial da Religião. O mundo medieval era essencialmente religioso. A concepção de mundo, de ser humano, de arte, de saber era teocêntrica, ou seja, tinha Deus por centro. E Deus é o centro irradiador e convergente em torno do qual gira e se forma a religião. É da experiência de Deus, do contacto com o Ser Transcendente, que nenhuma categoria humana explica, que nasce a religião, feita de símbolos, ritos e doutrina.

A modernidade retirou Deus do centro da visão de mundo e organização do saber, colocando aí o ser humano. O mundo moderno, à diferença do medieval, passou a ser antropocêntrico e não mais teocêntrico. O homem é a medida de todas as coisas e o saber, o pensar, o sentir desejam ser autónomos e não mais tutelados por uma religião. A religião passou, então, a ser um sector da vida e da organização social e científica, não sendo mais o centro a partir do qual se explica a vida. Alguns mesmo – como Marx, Freud e Nietzche, chamados com razão de “mestres da suspeita” - profetizaram o seu fim.

No entanto, essas profecias parece que não se cumprem. Ao invés de desaparecer e acabar, a religião re-aparece sob novas formas e configurações, mostrando que na verdade nunca se retirou e sempre esteve presente na vida humana....

Primeiro que tudo é preciso entender o que é religião. Religião é a crença na existência de uma força ou forças sobrenaturais, considerada(s) criadora(s) do Universo, e que como tal deve(m) ser adorada(s) e obedecida(s). É a manifestação de tal crença por meio de doutrina e ritual próprios, que envolvem, em geral, preceitos éticos.

A palavra religião vem de re-ligar, quer dizer, daquilo que liga, que faz a conexão, a relação do ser humano com aquilo ou Aquele que não é humano, que é transcendente, que é sobrenatural. Portanto, é a ligação misteriosa do ser humano com algo ou alguém maior do que ele, que ele não controla nem domina e que, no entanto, se mostra, se manifesta, se revela.

Durante muitos séculos no mundo ocidental, a experiência religiosa era quase exclusivamente configurada pela tradição judaica-cristã. Ser religioso era sinónimo de ser cristão e em muitos casos ser católico. Hoje, com as migrações e globalização, o mundo é (pluri)religioso. O grande desafio é acolher as diferenças e dialogar com essas diferenças, tornando-as potencialidade de vida e harmonia
.”


Para muitos a religião ou as religiões, são um mal. São uma alienação, são violação da liberdade. Para outros, crentes de alguma fé, a religião é uma mais-valia porque pondo-os para fora de si mesmos, indo ao encontro dos outros e do Outro, são mais felizes. Vivem de forma mais humana. Creio que o coração humano não cabe neste mundo, daí a abertura ao Transcendente. Os nossos olhos abarcam muito mais do que vêem, por isso o Homem sai para fora de si e do imediato que o cerca.

Maria da Conceição (JARDIM DE LUZ)
Comments:
Olá, MC.

Uuuups, relativamente às “religiões” vide Marco e comentários, bzzzzzzzzzz!

Agora essa Bingemer…
Nem Marx nem Freud nem Nietzsche profetizaram o fim da religião; este último profetizou foi o supra-humano vitalista e criador, e o primeiro a sociedade sem classes.

Marx fez um levantamento da alienação das práticas religiosas, entendendo-a como correlata à estrutura de trabalho e produção de riquezas. Tratam-se de modos históricos de religiosidade que estão em análise em Marx. Lá para o fim da sua vida, apercebeu-se que talvez a religiosidade não se reduzisse nos seus fundamentos a coordenar os comportamentos no equilíbrio injusto das classes sociais e a servir de paliativo à dureza da existência.

Freud fez um levantamento psicanalítico dos comportamentos religiosos dos católicos, instaurando-lhes o diagnóstico de neuróticos. Esqueceu-se – ou melhor, não era realmente o seu forte – o lado psicótico desses comportamentos, que é o lado que mais me agrada ;) E já agora, penso que deves conhecer o Drewermann, que fez bem “pior” com a estrutura hierárquica da Igreja Católica. Se não e te apetecer lê-lo, eu empresto-te…

Nietzsche constatou a morte do Deus cristão na modernidade – isto é, enquanto orientador de fundo e doador de sentido de vida – e diagnosticou a modernidade como nihilista, propondo uma superação do nihilismo no supra-citado supra-humano Zaratustra… Isto com o Nietzsche é preciso ter cuidado, porque os seus textos são realmente muito bons e jogam em imensas frentes de expressão, ao contrário dos outros dois chatos acima referidos.

Isto passa-se porque eram cabeçorras, estes senhores, e não se subsumem nunca no que posteriores cabecinhas ilustradas (incluindo a minha) da sua obra fazem e simplificam.

Beijos.
 
Carago, pertinentíssimo o teu comentário. Alinho. Simplificar o que é complicado...olha, é como dar as tais pérolas...
Mas os ditos, respeitáveis senhores, tinham as suas razões, que hoje, de algum modo permanecem.

Quanto ao Drwe...não li.

(Se virem por aí um homem e uma mulher com meia dúzia de livros de baixo do braço, para troca, são a MC e o Vítor.)
 
Ena bem, no que eu me meti...

O Drwe (há outro teólogo com nome pior, o Schlzcsmkr...:) é, ou era (ele, pelo menos até ontem, está vivo, não sei é o que é que o "magistério" lhe "fez"), um padre católico e psicoterapeuta, que escreveu entre outras coisas, esta análise à hierarquia e seus modos de acção e selecção de pares...

Ele disparata (a meu ver) mas também toca em pontos muito pertinentes (a sexualidade, a subsumpção da personalidade, a frustração, e por aí fora). Mas isso é melhor falarmos depois de...

Ai, eu tenho uma edição disto em português, não muito boa mas suficiente para perceber-se o fundamental, e pronto, vou-to emprestar, mas ai ai, estou-te mesmo a ver a lê-lo, eh eh isso promete, carago, porque é que me lembrei do raio do Drwm... ;)
 
Alô MC, bom dia!

Bem, desculpa lá, mas devo ter erigido essa senhora em bode expiatório das minhas descargas emocionais ;)

Então, mas ele exclui da categoria religiosa todas as religiões que não concebem a noção de Criação do Universo? E há religiões da imanência também, já agora…

Tens a certeza que ela é teóloga, ou honesta – é que há muito não via um imposição do judaico-cristianismo tão disfarçada de dialogalidade. Bolas, antes o Das Neves, mas com toda a convicção, caraças…

Relativamente ao Drm e ao Frd e inter-religiosidade vide comentários ao artigo do Marco acima, que achei não engraçado nada mesmo repetir aqui e lá mesmo aqui ao lado e onde também estás comentando…

Beijo forte.
 
Porra, os géneros... No terceiro parágrafo é evidentemente "ela" que exclui etc...

Raio da pressa...
 
Enviar um comentário

sementes da terra
 
mail
 
 
anteriores
04.2004
05.2004
06.2004
07.2004
09.2004
10.2004
11.2004
12.2004
01.2005
02.2005
03.2005
04.2005
05.2005
06.2005
07.2005
08.2005
09.2005
10.2005
11.2005
12.2005
01.2006
02.2006
03.2006
04.2006
05.2006
06.2006
07.2006
08.2006
12.2006
 

 

 
 

terra da alegria. 2004.


 

This page is powered by Blogger. Isn't yours?