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quarta-feira, fevereiro 1

 

Redescobrir a cidadania nos dias de hoje

Texto de Apresentação das IX Jornadas de Universitários Católicos


A primeira constatação, quando olhamos para a nossa realidade, é a de que a sociedade está a passar por um conjunto de alterações significativas. Essas mudanças são inúmeras e representam desafios novos que exigem soluções novas.

Desde a convivência de culturas diferentes, a mobilidade e o desenraizamento de trabalhadores e famílias, a situação ecológica do planeta, o crescente acesso à informação e a possibilidade de comunicar permanentemente, a persistente “crise” do nosso país, as expectativas de aumento da qualidade de vida e da esperança média de vida, os grandes avanços da ciência e da tecnologia. Passando também pelo descrédito dos actores políticos e o desinteresse pela participação política, a persistência de conflitos em vários pontos do globo e as multidões de refugiados que eles geram, o fenómeno do terrorismo globalizado, o subdesenvolvimento de tantos países apesar de existirem riqueza e recursos suficientes para que ninguém viva na miséria.

Sentimos, por isso, que a nossa geração – ainda que pouco segura da influência da sua acção para alterar o rumo da sociedade – tem nas mãos grandes responsabilidades em trabalhar para a resolução dos problemas e aproveitar as potencialidades dos nossos dias. Importa ler as mudanças que estão a acontecer e contribuir para que a mudança certa aconteça.

Os dias de hoje fazem-nos pensar na nossa própria responsabilidade e questionarmo-nos sobre a influência das nossas acções. A nível mundial, mas também a nível nacional, cada vez é mais claro que o caminho que percorremos só pode ser feito em conjunto e que o compromisso de cada um é indispensável. Esse compromisso pode revestir-se de formas diferentes, mas uma delas salta à vista: o compromisso de cidadania.

A cidadania não é apenas o mínimo denominador comum que nos junta numa comunidade. É um desafio exigente de vivermos a nossa liberdade em comunidade, de nos realizarmos enquanto seres sociais, de procurarmos um sentido para as nossas vidas. Num tempo que muitos consideram marcado pelo egoísmo e pelo individualismo, importa reafirmar o valor da comunidade, discutindo o nosso contributo para o desenvolvimento, entendido de forma abrangente (desenvolvimento económico, social, moral, etc.). Sentimos a necessidade de reconstruir o conceito e a prática que temos de cidadania, de ir fundo na descoberta de como faz parte da nossa vida.

Para nós cristãos, esta discussão não é apenas mais uma.
A cidadania é uma expressão do amor à sociedade e como tal é um imperativo moral. Além disso, num tempo de “medo do futuro”, é urgente o anúncio de uma mensagem de esperança que ajude as pessoas a empenharem-se na construção da nossa sociedade. Há um trabalho profundo que precisa de ser feito para tornar a Boa Nova de Jesus Cristo inteligível na nossa cultura. Sentimos a necessidade de procurar novos nomes que anunciem o amor a que Jesus Cristo nos convida. Novos nomes que exprimam a exigência de encontrarmos formas mais humanas de vivência em sociedade, de tornarmos mais presentes em cada um de nós o Reino de Paz e de Justiça.

Enquanto estudantes universitários sentimos também a necessidade de questionar a forma como a universidade está a fomentar uma cidadania responsável. Isso passa, naturalmente, por formar profissionais competentes, exigentes consigo próprios e atentos aos problemas da sociedade. Não nos referimos à educação para a cidadania, competência deixada nas mãos do Ensino Básico. Estamos, sim, a perguntar pelo salto qualitativo de responsabilidade, competência, atenção, sentido de justiça — numa palavra: cidadania — que uma formação superior deve oferecer aos estudantes.
As mudanças introduzidas pelo Processo de Bolonha parecem-nos interessantes deste ponto de vista: ao colocar a ênfase não no que o professor ensina, mas no trabalho do aluno, estamos a colocar-nos numa perspectiva que valoriza o contributo e o trabalho de cada um, onde cada um é mais sujeito da sua aprendizagem.

Com a proposta das IX Jornadas de Universitários Católicos, no fundo, queremos contribuir para tornar um pouco melhor este nosso tempo tão interessante de se viver. As jornadas realizar-se-ão em Leiria, de 17 a 19 de Março de 2006.

Comissão de Preparação das IX JUC (
www.redescobrircidadania.org)
Lisboa, Janeiro de 2006


Zé Filipe [ENCHAMOS TUDO DE FUTUROS]

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