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quarta-feira, fevereiro 15

 

O cristão na cidade do eurominas

«Cada vez mais uma sociedade de rosto humano não pode ser só fruto da eficácia, mas também da prossecução de valores. Para ajudar a construir um mundo belo, não bastam programas, é precisa a utopia de um ideal, na vivência do amor familiar, no serviço do bem comum, no potenciar da solidariedade, que é o primeiro passo para a fraternidade.
Tudo isto nos leva à meditação da importância da missão dos cristãos na cidade. Eles exercerão a sua competência com sentido humano e fraterno, o modelo de cidade que querem edificar não se esgota no progresso material, pois ela só será verdadeiramente humana, se for fraterna. Também se aplica a esses construtores da cidade terrena, com sentido, generosidade e ideal, a frase do Evangelho em que Jesus diz que faltam obreiros para a messe, essa tarefa imensa de humanizar o mundo e a história. Também na nossa cidade faltam esses trabalhadores, dinamizados por um ideal
».
(
D. José Policarpo, a propósito de coisa diversa)

Uma pessoa, qualquer pessoa (mesmo com nome de filósofo grego) está constantemente a fazer opções. Tem poucos recursos financeiros, vê a sua segurança social em perigo – o que faz? Um campeonato de futebol, está claro. Bem, esta era fácil. Adiante: uma pessoa tem poucos recursos financeiros, o estado geral do seu sistema de saúde vai desde a insuficiência de instalações à desorganização de meios e pessoal – o que faz? Estádios de futebol. Certo. E se as equipas de futebol jogam mal, o futebol está caro, os estádios estão vazios – o que faz? Mais estádios de futebol.
E se as escolas gastam muitos recursos, têm menos alunos, muitas delas têm más condições (mas banda larguíssima), não têm aquecimento, chove lá dentro e são pouco mais que armazéns de aprovisionamento de jovens – o que faz? Além de estádios de futebol e um novo aeroporto longe de qualquer cidade, pensa uma fusão das escolas. Certo.
E se tem:
a) uma escola com cerca de 300 alunos (e não tem mais porque impede novas matrículas há dois anos para os 7ºs anos, com a consequente descida artificial do número de seus alunos), localizada no Alto de Santo Amaro, com uma ampla vista lida para o estuário do rio e a ponte sobre o Tejo – para onde se prevê um aumento populacional num futuro próximo, fruto de uma série de empreendimentos habitacionais em larga escala (uns concluídos, outros em fase de acabamento e outros ainda já aprovados mas ainda não iniciados) – e com espaço decente para a ideia que qualquer pessoa tem de escola (tanto que tem três áreas para espaços desportivos fechadas), dotada de recreio, num bonito enquadramento urbano e que está colocada entre as 50 melhores escolas no ‘ranking’ dos exames do 12º ano, e, a par,
b) uma outra escola bastante mais pequena, sobrelotada (com mais alunos que a primeiro), degradada, sem recreio, situada por debaixo daquela ponte,e está colocada entre as 50 piores escolas no ‘ranking’ dos exames do 12º ano,
- o que faz? Transfere todos os alunos para a escola em piores condições.
O espaço da escola boa (chama-se Escola D. João de Castro) tem condições que atraem qualquer pessoa, seja aluno, pai de aluno ou professor, seja promotor imobiliário do ramo hoteleiro ou de condomínios de luxo. Seja mesmo um boy político e esteja à frente da Direcção Regional da Educação de Lisboa (DREL) e "pense" – no seu míope e arrogante entendimento – que um espaço assim pode ser entretanto utilizado para... as criativas actividades administrativas da própria DREL.
Assim, na impossibilidade de construir mais estádios, cria-se as condições necessárias para a subtracção do espaço público e a sua entrega aos negócios imobiliários e dos colégios privados. E o desmantelamento gradual da escola pública e da generalização igualitária do ensino. As escolas públicas serão apenas para os extractos mais pobres, que não terão outras hipóteses educacionais.
O que é que isto tem a ver com esta nossa Terra?

Carlos Cunha

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