<$BlogRSDURL$>

 

 

 

   

 
 

terra da alegria


 
 
timshel guia dos perplexos cibertúlia poesia distribuída na rua a bordo baixa autoridade
 
     

quarta-feira, fevereiro 15

 

A caridade (pela primeira das muitas vezes em que vai aparecer na Encíclica "Deus caritas est").

O ponto 40 da primeira Encíclica do Papa Bento XVI (recorde-se que já aqui coloquei nas semanas passadas os pontos 42 e 41, numa espécie de recapitulação desta encíclica do fim para o princípio), o Papa escreve sobre a importância dos Santos:

"Por fim, olhemos os Santos, aqueles que praticaram de forma exemplar a caridade. Penso, de modo especial, em Martinho de Tours († 397), primeiro soldado, depois monge e Bispo: como se fosse um ícone, ele mostra o valor insubstituível do testemunho individual da caridade. Às portas de Amiens, Martinho partilhara metade do seu manto com um pobre; durante a noite, aparece-lhe num sonho o próprio Jesus trazendo vestido aquele manto, para confirmar a perene validade da sentença evangélica: «Estava nu e destes-Me de vestir (...). Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 36.40). [36] Mas, na história da Igreja, quantos outros testemunhos de caridade podem ser citados! Em particular, todo o movimento monástico, logo desde os seus inícios com Santo Antão Abade († 356), exprime um imenso serviço de caridade para com o próximo. No encontro «face a face» com aquele Deus que é Amor, o monge sente a impelente exigência de transformar toda a sua vida em serviço do próximo, além do de Deus naturalmente. Assim se explicam as grandes estruturas de acolhimento, internamento e tratamento que surgiram ao lado dos mosteiros. De igual modo se explicam as extraordinárias iniciativas de promoção humana e de formação cristã, destinadas primariamente aos mais pobres, de que se ocuparam primeiro as ordens monásticas e mendicantes e, depois, os vários institutos religiosos masculinos e femininos ao longo de toda a história da Igreja. Figuras de Santos como Francisco de Assis, Inácio de Loyola, João de Deus, Camilo de Léllis, Vicente de Paulo, Luísa de Marillac, José B. Cottolengo, João Bosco, Luís Orione, Teresa de Calcutá — para citar apenas alguns nomes — permanecem modelos insignes de caridade social para todos os homens de boa vontade. Os Santos são os verdadeiros portadores de luz dentro da história, porque são homens e mulheres de fé, esperança e caridade."

É evidente o modelo de Santo que resulta deste ponto. Trata-se de alguém que pratica de forma exemplar a caridade.

Um Santo mostra o valor insubstituível do testemunho individual da caridade.

O exemplo mais evidente é o de São Martinho que partilha metade do seu manto com um pobre.

A partilha como a face material do amor (a outra face, é, parece-me, o diálogo).

Bento XVI refere em seguida os movimentos na história da Igreja que exprimem um imenso serviço de caridade para com o próximo: "no encontro «face a face» com aquele Deus que é Amor" torna-se manifesta a "exigência de transformar toda a sua vida em serviço do próximo".

Os Santos são os verdadeiros portadores de luz dentro da história, porque são homens e mulheres de fé, esperança e caridade.

A caridade é um comportamento pessoal. Mas todos os nossos comportamentos são pessoais. Dar esmola a um pobre é um comportamento tão pessoal como votar num partido que defende a intervenção do Estado na redistribuição de recursos, dos mais capazes para os mais necessitados.

O comportamento de recusa em partilhar é tão pessoal quando ele assume a forma de recusa de dar uma esmola como quando se manifesta no voto num partido que recusa a intervenção do Estado na redistribuição de recursos, dos mais capazes para os mais necessitados.

Alguém que se disponibiliza para actos caritativos pessoais e que recuse a intervenção do Estado na redistribuição de recursos (pessoalmente não conheço ninguém assim mas posso admitir que exista), é, na melhor das hipóteses, alguém que confunde o que o Estado tem por vezes de mau (gente que, sem precisar, vive sem trabalhar à conta do trabalho dos outros) com as necessárias funções do Estado na redistribuição de recursos, com vista à igualdade na dignidade entre todos os seres humanos.


Timshel (TIMSHEL)

sementes da terra
 
mail
 
 
anteriores
04.2004
05.2004
06.2004
07.2004
09.2004
10.2004
11.2004
12.2004
01.2005
02.2005
03.2005
04.2005
05.2005
06.2005
07.2005
08.2005
09.2005
10.2005
11.2005
12.2005
01.2006
02.2006
03.2006
04.2006
05.2006
06.2006
07.2006
08.2006
12.2006
 

 

 
 

terra da alegria. 2004.


 

This page is powered by Blogger. Isn't yours?