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quarta-feira, janeiro 18

 

O amor é a única certeza

No livro "O Nome da Rosa" de Umberto Eco, a dada altura, o monge que é suposto estar a descrever os acontecimentos que se passam no livro diz:

"E tudo quanto vi mais tarde na abadia (e de que falarei depois) fez-me pensar que muitas vezes são os inquisidores que criam os hereges. E não só no sentido de que os imaginam quando não existem, mas porque reprimem com tanta veemência a tabe herética que muitos são levados a nela participar por ódio contra eles. Na verdade, um círculo imaginado pelo demónio, que Deus nos salve."

Já aqui foi referido que as certezas se querem fortes mas poucas, muito poucas, talvez mesmo só uma.

Embora seja absolutamente necessário que esta certeza exista para não cairmos no relativismo e no seu irmão gémeo, o egoísmo.

Mas, a esmagadora maioria das certezas são o primeiro passo para a intolerância e para a violência. As dúvidas não são apenas o caminho para uma Fé profunda. Fazem parte também talvez da sua própria essência, da essência dos valores em que acreditamos.

A fronteira que separa a arrogância das certezas da força da violência é ténue e frágil.

Já em 2002, o Papa João Paulo II, na sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz, dizia:

"Pretender impor aos outros com a violência aquela que se presume ser a verdade, significa violar a dignidade do ser humano e, em última instância, ultrajar a Deus, de quem ele é imagem."

E, este ano, na sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz, o Papa Bento XVI, disse:

"Bem vistas as coisas, o niilismo e o fundamentalismo relacionam-se de forma errada com a verdade: os niilistas negam a existência de qualquer verdade, os fundamentalistas avançam a pretensão de poder impô-la com a força. Mesmo tendo origens diversas e sendo manifestações que se inserem em contextos culturais distintos, o niilismo e o fundamentalismo têm em comum um perigoso desprezo pelo homem e sua vida e, em última análise, pelo próprio Deus. Com efeito, na base deste trágico recurso está, em definitivo, a falsificação da verdade plena de Deus: o niilismo nega a sua existência e providencial presença na história; o fundamentalismo fanático desfigura a sua face amorosa e misericordiosa, substituindo-O por ídolos feitos à própria imagem."

Mais adiante, o Papa Bento XVI avança com uma proposição que, embora corresponda à essência do cristianismo, é espantosamente revolucionária na sua formulação:

"Isto deve impelir os crentes em Cristo a fazerem-se testemunhas convictas de um Deus que é inseparavelmente verdade e amor, colocando-se ao serviço da paz numa ampla colaboração ecuménica e com as outras religiões e ainda com todos os homens de boa vontade."

"Um Deus que é inseparavelmente verdade e amor". O amor é a única verdade, o amor é a única certeza, e, a única verdade, a única certeza, é o amor. Talvez por isso o Papa refere uma colaboração que vai para além da colaboração ecuménica e com as outras religiões, uma colaboração também com "todos os homens de boa vontade" (ateus, agnósticos, etc.).

E, mais à frente, o Papa concretiza um pouco mais uma das componentes do amor, aquela que se traduz numa actividade política destinada a diminuir o sofrimento dos nossos irmãos:

"Os primeiros a beneficiarem duma decisiva opção pelo desarmamento serão os países pobres, que reclamam justamente, depois de tantas promessas, a actuação concreta do direito ao desenvolvimento. Tal direito foi reafirmado solenemente ainda na recente Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, que celebrou este ano o 60o aniversário da sua fundação. A Igreja Católica, ao confirmar a própria confiança nesta Organização internacional, deseja-lhe uma renovação institucional e operativa que a ponha em condições de responder às novas exigências da época actual, marcada pelo vasto fenómeno da globalização. A Organização das Nações Unidas deve tornar-se um instrumento sempre mais eficiente para promover no mundo os valores da justiça, da solidariedade e da paz. A Igreja, por sua vez, fiel à missão recebida do seu Fundador, não se cansa de proclamar por todo o lado o «Evangelho da paz». Animada como está pela firme persuasão de prestar um indispensável serviço a quantos se dedicam a promover a paz, ela lembra a todos que a paz, para ser autêntica e duradoura, deve ser construída sobre a rocha da verdade de Deus e da verdade do homem. Só esta verdade pode sensibilizar os ânimos para a justiça, abri-los ao amor e à solidariedade, encorajar a todos a trabalharem por uma humanidade livre e solidária."

Timshel [
TIMSHEL]
Comments:
Caro Timshel.

Tão só para dizer que:

“Já aqui foi referido que as certezas se querem fortes mas poucas, muito poucas, talvez mesmo só uma.

Embora seja absolutamente necessário que esta certeza exista (…)

O amor é a única verdade, o amor é a única certeza, e, a única verdade, a única certeza, é o amor.”

Maravilhosa e precisamente!
E o resto que decorra...

Abraço.
 
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