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quarta-feira, janeiro 18

 

A busca da unidade na diversidade

Começa hoje, o oitavário de oração pela unidade dos cristãos. Como viver este tempo? Em primeiro lugar, de facto, a oração. A oração tendo como qualidade base, a humildade. Humildade de quem sabe que, a única atitude válida é a da escuta e acolhimento. Como os discípulos abeiremo-nos do Mestre e digamos:”Senhor, ensina-nos a orar...”(Lc 11,1)
Ontem, como hoje, precisamos escutar o Espírito, precisamos que Ele guie os nossos passos no caminho do diálogo aberto e construtivo. Para que seja possível e proveitoso o diálogo, nenhuma confissão religiosa poderá assumir o papel de “religião verdadeira”. Grandes teólogos e estudiosos do fenómeno religioso, afirmam que todas o são. Nenhuma poderá afirmar que é a única religião revelada. Nenhuma religião é fim em sim mesma. Nenhuma, pela sua própria natureza – humana, poderá dizer que é a verdade. Todas são caminhos imperfeitos, provisórios de encontro com Deus. Por isso, o diálogo dentro de cada confissão religiosa e entre as várias, é fundamental. A cada passo, e pelo sopro do Espírito se descobrem, se apontam novos caminhos.

No horizonte religioso actual, o cristianismo não pode constituir-se em “imperativo categórico” universalizante, mas com a sua mensagem e vida deve, sim oferecer o seu testemunho como dom. As religiões não podem existir para si mesmas, seu objectivo fundamental é fazer com que o ser humano viva mais próximo da divindade mediante a experiência do amor. Este é o grande sentido da oração sacerdotal de Jesus em favor da unidade no Evangelho de João:”Para que sejam um, como nós somos um: Eu neles e tu em mim...a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles” (Jo 17,22-23, 26). Faustino Teixeira, teólogo).

A unidade, não será conseguida com a perda de identidade de cada crente, ou grupo religioso, mas sim na valorização do que já é caminho e compromisso de fé. Para um proveitoso diálogo ecuménico ninguém precisa abdicar da sua convicção religiosa. Para se encontrar a unidade não significa que tenha de haver fusão ou anulação, e sim alteridade.

Maria da Conceição (JARDIM DE LUZ)
Comments:
Quero expressar o meu apreço pelo espaço TdA e deixar votos de boa saúde a todos para levar a cabo este projecto.
Parabéns!

Parabéns também porque agora há a possibilidade de fazer comentários. É um belíssimo princípio este de querer escutar o outro. Assim fazia Jesus Cristo.

E,
como no hay camino...

Continuemos a caminhar!
Abraços para todos.
 
Abraço também para ti, Céu.
 
Olá, MC.

Tudo isto de haver um fundo comum identificável na actividade religiosa etc, assim como o diálogo inter-religioso, teria muito a interrogar tematicamente, mas deixo para isso se prosseguir aos “pedaços” e conforme as questões forem surgindo agora e noutros momentos e posts – este é um tema que com certeza voltará.

Para já perguntaria tão só como definir “religião”? Isso inclui satânicos, ou os rael? E a partir de que critério (só as religiões “amorosas”? por exemplo), e quem é legitimador teórico e prático desse critério?

Digo isto porque eu defino religião como um modo de vida, pensar e concepção de realidade, fundadas numa transcendência, e a que se adere existencialmente. (Ai, isto das definições… São tão… pontuais…)

Abraço terno.
 
Vítor
por causas internas e externas e um pouco deliberadamente o texto está vago. As tuas questões têm toda a razão. Vou responder antes num próximo texto para a Terra.
Agora, não abuses. Satânicos?
 
Olá, MC!

Abuso? (eh eh)

Mas foi um exemplo limite para expôr problemas que se põem quando a dialogalidade e a unidade são afirmadas por si.

Dizer que há um núcleo comum (mesmo que não seja entendido como uma "essência", algo de fixamente determinável) não pode servir como falácia para afirmar determinados valores em detrimento de outros, e que só são universais numa pré-concepção que se tenha da religiosidade.

E sim, os satânicos são religiosos. Qual é a dúvida?

Eu acho que há uma conflitualidade religiosa, e que não se limita a casos limite :)
E que não impede (antes pelo contrário, fundamenta-a) a dialogalidade.
O problema é a pasta de indistinção, onde já não há diálogo mas "ya, meu, o amor, a religião, Deus, é tão fixe, tão bonito" (cliché limite, caricatura).

Não estou evidentemente a dizer que o teu post para aí remete, ou sequer que a atitude inter-religiosa, entendida de certo modo o faz.
Estou apenas, como é meu catecumenal costume, a levantar o braço e a fazer perguntas.

Butade: "não abusar", é uma palavra pouco jesuânica.

Abraço forte e reflexivo.
 
Vitor,
Nenhum curso de teologia lhe dá uma definição de religião.
Também a Lei da Liberdade Religiosa cá em Portugal evita essa definição.
Mas concordo com a MC. O tema do diálogo e da diluição de valores merece uma reflexão mais profunda.
 
Caro Marco.

Não percebo muito bem essa do curso de teologia, nem a remissão jurídica. Quem deu a definição fui eu... pontualmente ;)

Quanto ao diálogo, é evidente que não estamos a falar de diálogos pessoais e livres entre religiosos diversos e descrentes - esses não precisam de serem institucionalizados, nem de deixar à partida ninguém "à porta" - a não ser na medida das vontades singulares do diálogo.
Ou seja, algumas determinações, com ou sem definição de "religião", definem a participação no diálogo "publicista" ou "oficial".

A diluição de valores - ou, quanto a mim, surgimento de valores diversos - seria talvez outra "conversa". Quero dizer, está tudo interligado, mas pronto, até porque estou um pouco a leste das problemáticas "oficiosas" da inter-religiosidade, preferia restringir-me a tal e às minhas perguntas de leste.

E como me é evidente, não tenho absolutamente nada contra o diálogo, inter-religioso e outros ;) Não me é essa a questão.

Um abraço.
 
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