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quarta-feira, janeiro 25

 

O Amor é a procura do bem do outro

Soube no fim da passada semana que é hoje publicada a primeira Encíclica do Papa Bento XVI. O seu tema é o Amor. No momento em que escrevo estas palavras ignoro ainda o seu conteúdo.

Para celebrar este acontecimento da máxima importância pensei colocar aqui hoje um post com excertos sobre o tema "Amor" publicados aqui na Terra ao longo destes dois anos.

Depressa me dei conta do irrealismo de tal intenção. Teria que publicar aqui hoje um post contendo talvez mais de 50% do conteúdo dos textos publicados até hoje na Terra da Alegria. O tema do Amor tem sido o tema dominante deste blogue.

Fiquei-me portanto apenas pelo princípio: alguns excertos aqui publicados em Maio/Junho de 2004. Para a semana espero debruçar-me um pouco sobre esta Encíclica.


"O mandamento do amor diz-nos que o nosso farol é a cedência, dar a outra face, o sacrifício, a humildade, a humilhação mesmo. Amor é disponibilidade total.

Por vezes, a natureza humana e a complexidade inerente a essa natureza dificulta ou impede a concretização do mandamento do amor. Não o conseguimos pôr em execução na sua dimensão radical.

Julgo que é aqui que entra o princípio da proporcionalidade.

O amor, no contexto da realidade humana actual, é também justiça. Por vezes é necessário compatibilizar valores que podem colidir entre si na aplicação a situações práticas.

E é nesta situação de conflitos de valores que o mínimo que se exige a um cristão é ter sempre presente o princípio da proporcionalidade: quando um dos valores tem que ser limitado por razões inerentes à aplicação de outros valores há que verificar se os meios que o cristão põe em execução são aptos a contender o mínimo possível com o valor que está a ser limitado e se são aptos a realizar realmente o outro valor.

Mas, para que este princípio escape ao contexto de um simples princípio cívico torna-se necessário que ele seja orientado por "opções preferenciais" .

A primeira opção, que, mais do que uma opção preferencial, é mesmo uma orientação fundamental, é o primado do Outro. Sempre que estiverem em causa apenas os interesses do Eu e os interesses do Outro, estes últimos devem sempre prevalecer.

As opções preferenciais cristãs que devem orientar os conflitos de valores parecem-me então ser as opções pelos pobres, pelos fracos, pelos marginalizados, pelos fragilizados, pelos excluídos. Sempre no respeito absoluto pela vida humana nas suas dimensões de integridade, de dignidade e de respeito pelos direitos humanos.

Porquê? Qual a fundamentação desta opção? Simplesmente porque, enquanto cristão, acredito que o sentido da minha vida é o de contribuir para minorar o sofrimento do Outro."


"Para o cristão, o maior dos mandamentos é «amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo». É o próprio Deus quem o revela através do seu Filho que, excluindo a violência, assume a alternativa do amor, da caridade, da conversão contínua à procura da harmonia da vida com Deus, consigo e com todos os homens. Jesus Cristo lega-nos um modelo de vida evangélico que nega a morte e nos transmite o dom da vida (pertença exclusiva do Criador), numa doação total e gratuita aos outros. Assim, o amor aos inimigos, o dar a outra face, não são propósitos irrealistas ou destinados a ficarem encerrados nos templos ou nas conversas dominicais, mas sim mandamentos fundamentais dados por Deus à nossa vida quotidiana, para orientarem as relações entre os homens."

"o amor é um exercício de vontade. Não é um exercício de curiosidade intelectual ou emocional ou um reflexo pavloviano decorrente de uma situação de vazio. O amor traduz-se em actos que visam minorar ou prevenir aqui e agora o sofrimento e a infelicidade vividos por pessoas concretas."


Timshel [TIMSHEL]

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Levar poesia à Cidade

As eleições acabaram, o estertor das derrotas farão mazelas e caminho para os próximos dias e semanas. O fragor da vitória foi fátuo, mesmo ensosso, próprio de um tempo que não pede brincadeiras. Os cristãos nestas eleições deixaram correr. Mais uma vez. Uns quantos (poucos) insistem no espaço público em fazer crer que a direita detém monopólios de crentes e fé. Insistem ainda na demarcação de um território em estéreis provocações ou frágeis argumentações sobre o pecado da secularização, como se esta fosse má, e não tivesse apenas vantagens.
Alguns recordaram Pintasilgo, para criticar uma candidatura quixotesca no Portugal misógino e clubisticamente partidário de 1986. Maria de Lourdes se fosse viva talvez se tivesse posicionado ao lado do poeta, das trovas da praça da alegria. Abuso da especulação, mas não custa pensar no quixotismo que se entreviu no programa de Alegre para estas eleições e nas semelhanças de percurso de uma e outro. Mais: entre os seus apoiantes de agora, alguns de outrora.
O ciclo da história fecha-se. Outros cá estarão daqui a cinco anos, para fazer da cidade espaço de cidadania. (Há quem insista que o voto tem uma validade alargada de dez anos, quando o eleitorado não deu essa alforria.) Mas, entretanto, fica bem dizer: haverá mal em levar poesia à cidade? Não. Haverá mal em dizer da minha opção política num espaço como esta Terra da Alegria? Não. Metêssemos todos as mãos na massa, como aqui sonhei várias vezes, e o mundo e o país e a cidade não teriam este ar e esta vida de desencanto. E que, no fundo, tem tão pouco de Boa Nova.

Miguel Marujo [CIBERTÚLIA]

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quarta-feira, janeiro 18

 

Igreja

Era uma gaiola de rede metálica, enorme. Sem tecto. Nem chuva. E nada se passava lá dentro. Seres humanos. De fora. A defendiam. Percebem. Algo iria surgir lá dentro. Do nada. Assim então a defendiam. Era necessário vedar aquele espaço de futuro. Daí a rede. Defendê-lo. Daí aquela ser metálica. Necessário olhar o espaço. Esperar. Era um ofício repleto de paciência. Até que um dia as toupeiras enlouqueceram. Não se sabe se todas ou se apenas algumas. Nem sequer o motivo. Talvez desesperassem. Surgiam do solo às centenas. E atiravam-se às redes da gaiola. Subiam. Saltavam para dentro. Pareciam querer destruir o que ainda não acontecera. Centenas de toupeiras raivosas amontoando-se na gaiola. Como cadáveres das valas comuns em tempo de peste, levantando-se num clamor de morte injusta, inaceitável. Qualquer coisa do género. Centenas de toupeiras a boca em espuma mordendo e roendo. Centenas de toupeiras escavando e arranhando o solo como se este tivesse que desaparecer. E os seres humanos atiravam veneno às pázadas, veneno branco e ácido. No entanto parecia inútil. Era como se por cada toupeira morta aparecessem dezenas, obsessivamente. Um dos seres humanos empunhava um revólver, disparando contra as toupeiras loucas. Outro lançava gasolina para cima delas e ateava-lhes fogo. E outro ainda, quase tão enlouquecido como as toupeiras, ou talvez com a volúpia de mártir que aquela excitação poderia instigar, subiu pela rede e atirou-se para o meio das toupeiras, urrando e batendo e mordendo, e finalmente desaparecendo por entre elas. E foi então que um dos seres humanos teve uma iluminação, uma daquelas intuições em que a percepção se funde com o entendimento numa compreensão imediata. Clara, súbita e inquestionável. Talvez num sonho, vira-se a si-próprio toupeira, as patas curtas e o focinho afunilado, e uma raiva sem objecto a corroer-lhe a paciência. Mas sobretudo, aquela escuridão visual, quase absoluta, e aquela intensificação sensorial do tacto, do olfacto e da audição, transformando-lhe a consciência e o pensamento dum modo que ele agora apenas pressentia, entrevia, se assim se pode dizer. De qualquer modo, sentiu-o o suficiente para deduzir o sentido da situação. Compreender. Perceber. Que o acontecimento tão esperado, o acontecimento tão preparado, eram as toupeiras. A cegueira. Qualquer coisa de súbito, de fulminantemente transformador. E a pouco e pouco, talvez numa clareza induzida pela inutilidade do esforço, todos os seres humanos acabaram por entender a situação, ou agir como tal. Por intuição, ou raciocínio, ou apenas cansaço. Desistência. E sentaram-se todos olhando o espaço de futuro agora presente, olhando as toupeiras entrando na gaiola, guinchando e espumando. Até que a última toupeira entrou, e os seres humanos colocaram então um tecto na gaiola, e as toupeiras lá dentro, uma gaiola enorme e selada e os seres humanos adormecendo sem espera nem receio ou raiva. E caiu a primeira gota de chuva. Do lado de fora do sono humano. E já não havia espaço nem tempo para poder dizer: até que um dia, ou sequer a palavra “fim”. Uma espécie de hiato, como o intervalo de substituição duma corda de guitarra que se quebre a meio duma cantiga que entretanto se esquece. Uma espécie de inexistência. A cegueira. Supõe-se que quando acordarem, estarão, por dentro, no mesmo momento que quando adormeceram. E, por fora, totalmente noutro momento. É realmente um ofício repleto de paciência.

Vítor Mácula (
SER CRISTÃO)

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O amor é a única certeza

No livro "O Nome da Rosa" de Umberto Eco, a dada altura, o monge que é suposto estar a descrever os acontecimentos que se passam no livro diz:

"E tudo quanto vi mais tarde na abadia (e de que falarei depois) fez-me pensar que muitas vezes são os inquisidores que criam os hereges. E não só no sentido de que os imaginam quando não existem, mas porque reprimem com tanta veemência a tabe herética que muitos são levados a nela participar por ódio contra eles. Na verdade, um círculo imaginado pelo demónio, que Deus nos salve."

Já aqui foi referido que as certezas se querem fortes mas poucas, muito poucas, talvez mesmo só uma.

Embora seja absolutamente necessário que esta certeza exista para não cairmos no relativismo e no seu irmão gémeo, o egoísmo.

Mas, a esmagadora maioria das certezas são o primeiro passo para a intolerância e para a violência. As dúvidas não são apenas o caminho para uma Fé profunda. Fazem parte também talvez da sua própria essência, da essência dos valores em que acreditamos.

A fronteira que separa a arrogância das certezas da força da violência é ténue e frágil.

Já em 2002, o Papa João Paulo II, na sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz, dizia:

"Pretender impor aos outros com a violência aquela que se presume ser a verdade, significa violar a dignidade do ser humano e, em última instância, ultrajar a Deus, de quem ele é imagem."

E, este ano, na sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz, o Papa Bento XVI, disse:

"Bem vistas as coisas, o niilismo e o fundamentalismo relacionam-se de forma errada com a verdade: os niilistas negam a existência de qualquer verdade, os fundamentalistas avançam a pretensão de poder impô-la com a força. Mesmo tendo origens diversas e sendo manifestações que se inserem em contextos culturais distintos, o niilismo e o fundamentalismo têm em comum um perigoso desprezo pelo homem e sua vida e, em última análise, pelo próprio Deus. Com efeito, na base deste trágico recurso está, em definitivo, a falsificação da verdade plena de Deus: o niilismo nega a sua existência e providencial presença na história; o fundamentalismo fanático desfigura a sua face amorosa e misericordiosa, substituindo-O por ídolos feitos à própria imagem."

Mais adiante, o Papa Bento XVI avança com uma proposição que, embora corresponda à essência do cristianismo, é espantosamente revolucionária na sua formulação:

"Isto deve impelir os crentes em Cristo a fazerem-se testemunhas convictas de um Deus que é inseparavelmente verdade e amor, colocando-se ao serviço da paz numa ampla colaboração ecuménica e com as outras religiões e ainda com todos os homens de boa vontade."

"Um Deus que é inseparavelmente verdade e amor". O amor é a única verdade, o amor é a única certeza, e, a única verdade, a única certeza, é o amor. Talvez por isso o Papa refere uma colaboração que vai para além da colaboração ecuménica e com as outras religiões, uma colaboração também com "todos os homens de boa vontade" (ateus, agnósticos, etc.).

E, mais à frente, o Papa concretiza um pouco mais uma das componentes do amor, aquela que se traduz numa actividade política destinada a diminuir o sofrimento dos nossos irmãos:

"Os primeiros a beneficiarem duma decisiva opção pelo desarmamento serão os países pobres, que reclamam justamente, depois de tantas promessas, a actuação concreta do direito ao desenvolvimento. Tal direito foi reafirmado solenemente ainda na recente Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, que celebrou este ano o 60o aniversário da sua fundação. A Igreja Católica, ao confirmar a própria confiança nesta Organização internacional, deseja-lhe uma renovação institucional e operativa que a ponha em condições de responder às novas exigências da época actual, marcada pelo vasto fenómeno da globalização. A Organização das Nações Unidas deve tornar-se um instrumento sempre mais eficiente para promover no mundo os valores da justiça, da solidariedade e da paz. A Igreja, por sua vez, fiel à missão recebida do seu Fundador, não se cansa de proclamar por todo o lado o «Evangelho da paz». Animada como está pela firme persuasão de prestar um indispensável serviço a quantos se dedicam a promover a paz, ela lembra a todos que a paz, para ser autêntica e duradoura, deve ser construída sobre a rocha da verdade de Deus e da verdade do homem. Só esta verdade pode sensibilizar os ânimos para a justiça, abri-los ao amor e à solidariedade, encorajar a todos a trabalharem por uma humanidade livre e solidária."

Timshel [
TIMSHEL]

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A busca da unidade na diversidade

Começa hoje, o oitavário de oração pela unidade dos cristãos. Como viver este tempo? Em primeiro lugar, de facto, a oração. A oração tendo como qualidade base, a humildade. Humildade de quem sabe que, a única atitude válida é a da escuta e acolhimento. Como os discípulos abeiremo-nos do Mestre e digamos:”Senhor, ensina-nos a orar...”(Lc 11,1)
Ontem, como hoje, precisamos escutar o Espírito, precisamos que Ele guie os nossos passos no caminho do diálogo aberto e construtivo. Para que seja possível e proveitoso o diálogo, nenhuma confissão religiosa poderá assumir o papel de “religião verdadeira”. Grandes teólogos e estudiosos do fenómeno religioso, afirmam que todas o são. Nenhuma poderá afirmar que é a única religião revelada. Nenhuma religião é fim em sim mesma. Nenhuma, pela sua própria natureza – humana, poderá dizer que é a verdade. Todas são caminhos imperfeitos, provisórios de encontro com Deus. Por isso, o diálogo dentro de cada confissão religiosa e entre as várias, é fundamental. A cada passo, e pelo sopro do Espírito se descobrem, se apontam novos caminhos.

No horizonte religioso actual, o cristianismo não pode constituir-se em “imperativo categórico” universalizante, mas com a sua mensagem e vida deve, sim oferecer o seu testemunho como dom. As religiões não podem existir para si mesmas, seu objectivo fundamental é fazer com que o ser humano viva mais próximo da divindade mediante a experiência do amor. Este é o grande sentido da oração sacerdotal de Jesus em favor da unidade no Evangelho de João:”Para que sejam um, como nós somos um: Eu neles e tu em mim...a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles” (Jo 17,22-23, 26). Faustino Teixeira, teólogo).

A unidade, não será conseguida com a perda de identidade de cada crente, ou grupo religioso, mas sim na valorização do que já é caminho e compromisso de fé. Para um proveitoso diálogo ecuménico ninguém precisa abdicar da sua convicção religiosa. Para se encontrar a unidade não significa que tenha de haver fusão ou anulação, e sim alteridade.

Maria da Conceição (JARDIM DE LUZ)

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quarta-feira, janeiro 11

 

A companhia de Jesus


Gamado do Abrupto, Cristo no deserto de Kramskoy.


O espelho da espiritualidade russa permite ver um amor sofrente e atento: Deus fica para além dos areais da Dor, e é preciso atravessar o deserto…

Eu acredito que Jesus veio em testemunho de Deus.
Caminhante em passagem sobre a Terra, ser finito e em trânsito, mas que para ela trouxe uma medida do Céu, como medida sem medida – a que humanamente se chama o Impossível.

Também acredito que por isso mesmo, Jesus sondou a Infinita Solidão, sondou a Dor até ao ponto onde ela se transfigura em Imortal Alegria.
Deus é Homem e todo o "fanatismo" se esgota depois de passar Nele.
O Pai foi passado, o Filho é presente e o Espírito é futuro.

Estou-me nas tintas para os outros Universos, paralelos ou não…
Estou-me nas tintas para os filamentos dançantes, os cacos oscilantes de espaço-tempo, a que físicos sem elegância chamaram cordas…
Quero lá saber do Espaço, dos mundos que chocam em formidáveis dilúvios de fogo…Quero lá saber dos sóis, das imensas fornalhas ardentes que vomitam farrapos de fogo maiores que os próprios mundos…Quero lá saber das montanhas, dos dorsos corcovados dos planetas que não passam de granito sobre alicerces de poeira…

Só Ele É... e tudo quanto existe assenta na sua mão.
O seu Verbo é a minha força neste andar humano pelo Vale das Sombras.
Este é o meu Irmão e o meu Deus.
Ali estou eu...
Na companhia de Jesus
.
E quero ser assim.

(feito com o Sampaio Bruno e o Leonardo Coimbra)

CBS (
LA FORCE DES CHOSES)

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Que Deus?

Tanto quanto dure o espaço
E tanto quanto os seres humanos permaneçam,
Possa também eu permanecer
E dissipar o sofrimento dos seres.


Li esta estrofe num pequeno livrinho que recebi pelo Natal. A estrofe corresponde a uma oração budista e o livrinho chama-se "A bondade do coração", um livro que contém uma perspectiva budista sobre os ensinamentos de Jesus, constituído na sua maior parte por intervenções do Dalai Lama a este respeito.

Comecei a ler o livrinho com dedicação mas, por diversas razões, li a sua maior parte em diagonal e aos saltos. Quando compreendi que dificilmente estava em circunstâncias de ler exaustivamente o dito livrinho fui ao índice saber se existiria um comentário especificamente destinado àquele que é, do meu ponto de vista, o dogma fundamental do cristianismo – o amor – na especificidade característica do cristianismo, "Amai os vossos inimigos!".

É que esta expressão específica do cristianismo, que é o seu mais radical e perturbante mandamento, é a razão pela qual sou cristão e não outra coisa qualquer e gostava de saber o que dizia o Dalai Lama a este respeito.

Existia de facto um capítulo destinado a este tema. O Dalai Lama disserta nesse capítulo sobre a paciência, a tolerância e a compaixão, que são valores muito importantes para o budismo. Mas "Amai os vossos inimigos!" não me parece que seja apenas ser paciente, tolerante ou compassivo para com eles. Amar é algo de activo, é a procura activa do bem e da felicidade do outro. Ao longo das dez páginas que o Dalai Lama dedica a este mandamento, e estou-me a recordar de um excerto em que o Dalai Lama diz que um dos mandamentos do budismo é que devemos ser justos para com os nossos inimigos, transparece uma ética que poderia ter simplesmente saído do gabinete de um psicólogo.

O cristianismo é uma fé completamente estranha e desadequada. Não é uma mezinha semelhante às mezinhas do clero psiquiátrico destinada apenas a ajudar-nos a viver melhor em termos individuais. É algo completamente sobrenatural.

"Amai os vossos inimigos!", de um ponto de vista humano, é uma rematada tolice.

É este mandamento que faz do cristianismo a religião mais mística e mais radical. É este mandamento que permite considerar o cristianismo não como uma doutrina igual a tantas outras mas sim como uma revelação divina. A morte na Cruz, elemento fundamental da simbologia cristã, é "Amai os vossos inimigos!"

Mas esqueçamos por agora o mandamento supremo do cristianismo e voltemos à oração inicial. Para a imensa maioria dos cristãos (nos quais me incluo) o simples amor que se encontra também abundantemente expresso no budismo sob diversas formas já é uma meta quase sobrenatural. Essa oração inicial é, sem dúvida, uma forma particularmente bela de expressar o amor: estamos aqui para ajudar a dissipar o sofrimento dos seres.

Existe o amor na política? A política também pode contribuir para dissipar o sofrimento dos seres? O cristianismo será uma espécie de budismo, um catálogo de comportamentos individuais aconselháveis e que nada têm a ver com a forma como a sociedade se organiza politicamente? Será possível que eu possa pensar no sofrimento do outro em concreto que se encontra ao pé de mim e agir individualmente para minorar esse sofrimento e que depois me esqueça do sofrimento do outro que não vejo, sofrimento esse implícito em certas escolhas políticas e na forma como se organiza (ou não) a redistribuição dos recursos? Que Deus é esse que nos manda esquecermo-nos do outro que não vemos? Que Deus é esse que nos impede de reflectirmos em políticas ou em formas de nos organizarmos em sociedade que ajudem a reduzir o sofrimento do meu irmão que não se encontra ao pé de mim?


Timshel [TIMSHEL]

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Nada a esconder?

Michael Haneke é um dos grandes filósofos do cinema contemporâneo. Os seus filmes exigem do espectador o que parece faltar às suas personagens (e ao espectador desprevenido): um olhar para dentro de si, neste tempo absurdo em que somos tentados a ser voyeurs passivos da vida, separados da realidade por uma rede de filtros encantatórios. Como a televisão, a "cultura", o consumismo.
Em especial, a violência dos seus filmes conta muito com a colaboração do espectador. Na maior parte dos casos ela não é mostrada, mas deixada fora de campo. Cabe ao público participar nela. Usar a sua fantasia e a sua experiência. No fundo, confrontar a realidade.

No filme que estreia amanhã nas salas portuguesas, Nada A Esconder («Caché», no original), o realizador austríaco leva ao extremo a noção de que não existe um espectador (ou pessoa, diria) passivo.
Georges Laurent, autor de um programa de televisão sobre crítica literária, vive um casamento feliz com a editora literária Anne, com quem tem um filho, Pierrot. Começa por receber cassetes video, filmadas clandestinamente a partir da rua, em que aparece com a família, assim como desenhos perturbadores e difíceis de interpretar, e não faz a menor ideia da identidade do remetente.
Pouco a pouco, o conteúdo das cassetes vai-se tornando cada vez mais pessoal, o que o leva a pensar que o autor conhece algo sobre o seu passado e a tensão começa a instalar-se no casal.
Lentamente criando a suspeita no espectador de que o protagonista talvez não tenha um passado impoluto, Haneke transforma o público em algoz. Georges tenta esconder de nós o máximo de informações, mas somos continuamente alimentados por elas, e esperamos um desfecho que faça "justiça".

Nada A Esconder é inconclusivo por natureza, é um ensaio psicológico e social em forma de filme. Michael Haneke exige um rigoroso compromisso mental, emocional e moral do espectador, e, ao transformar o que podia ser apenas um eficiente suspense num estudo sobre a culpa e a responsabilidade, o filme mexe nas nossas entranhas mais fundas, do consciente ético.
Somos todos no filme de Haneke: Georges, Anne, os amigos, e quem observa e sabe tudo sobre Georges e o seu passado.

E podemos perguntar(-nos): o que fizeste do teu irmão?

Carlos Cunha

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A propósito de uma notícia.

Bom dia. Aqui está uma notícia para aprofundarmos a nossa Fé. Para nos interrogarmos de facto em que é que acreditamos. O que é que consideramos essencial na nossa Fé, o que é que nos motiva e nos verga e nos orienta o procedimento e a atitude, como pessoas que nos afirmamos cristãs.
Há certos aspectos da nossa Fé, considerados na (ou elevados à) categoria de dogmas,
que podem não ocupar na nossa Fé assim uma importância muito determinante. Esta, para mim, é uma delas: Vejamos a notícia: http://ae.no-ip.org/noticia.asp?noticiaid=22118

Para não deixar dúvidas:
Eu creio que:
De entre as criaturas de Deus, Maria, a Mãe de Jesus, é de facto uma criatura muito especial:
A sua abertura ao plano de salvação de Deus para com a humanidade,
a sua disponibilidade,
a sua vontade de participar,
a sua coragem capaz de ultrapassar o medo humano,
a sua capacidade de arriscar,
a sua entrega a um plano que mal percebe, mas acredita,
a sua confiança,
o seu abandono no Amor de Deus
a sua Vida.
Uma criatura assim só parece poder ser possível depois de Cristo.
(Mas também há mais bons exemplos antes de Cristo).

Durante muito tempo, e ainda hoje me interrogo, para ter aquele estado de espírito, que leituras fazia Maria (Isaías?, os Salmos?, os livros de Moisés?), que ensinamentos teve, como era a sua oração, que caminhada..., que educação..., que percurso de Fé..., que exemplos... ?
Maria parece conseguir desprender-se de todos os bloqueios humanos, (continuando a viver como humana entre humanos), mas numa plataforma superior, no âmbito do espiritual, suportada por valores de ordem espiritual.
Como Ela o consegue, eu penso que é na sua capacidade de acolher os Dons de Deus. "O Senhor fez em mim maravilhas..."
(E Deus continua a fazer maravilhas em cada um de nós, ... quando a gente deixa !)
Para terminar acredito que Ela está nos céus, na presença de Deus, e que intercede por nós.

Postos os pontos nos iis, vamos ao assunto:

Foi o fim da notícia que me apeteceu menosprezar e pareceu-me que não seria difícil recolher algum consenso ao dizer que não era o reconhecimento, como feriado da República Portuguesa que atestava a importância desta solenidade, primeiro porque tem sido a Igreja é que tem segurado uns feriados e deixado cair outros (6 de Janeiro, 6ª Feira Santa etc.), segundo porque a República Portuguesa está muito mais preocupada com a matemática dos votos do que com o dogma da Imaculada Conceição e da Assunção.

Mas isto é ver o tema pela rama, de facto o assunto é bastante mais complexo e profundo e, como não sou teólogo, apenas pensei em partilhar o que penso e acredito, não sem algum receio de dizer alguma heresia ou poder escandalizar alguém.

O dogma, embora relativamente recente, 1950, deve ser entendido no contexto do seu tempo.
Depois do Concílio Vaticano II alterou-se significativamente o modo de compreender o Pecado Original... e o Baptismo também ganhou outros fundamentos.
Hoje aceita-se que uma criança ao nascer seja simples, pura e sem culpa e parece-me que hoje não será heresia dizer que uma criança é concebida sem pecado, tal como, antes, se afirmou sobre Maria.
Assim, a meu ver, hoje poder-se-ia afirmar a imaculada conceição relativamente a qualquer criança.
Penso que antes se relacionava o "pecado sexual" dos pais que "infectava", na concepção, o novo ser -- e hoje não se pensa assim.

A questão da Assunção aos céus:
O túmulo vazio. Um corpo, o de Cristo, que antes existia, ali, morto e que depois já não estava. E que estava de outro modo.
A questão da Ressurreição, o estado glorioso,... é mais que uma questão: é um Mistério!
Não se explica com as nossas limitações de tempo e de espaço.
Dizer apenas:“...a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. Parece querer afirmar-se que um corpo material, tal como nós o conhecemos, estará, agora, num determinado local, num espaço, materialmente falando.
Não me parece que assim seja.
Não me parece que "... a incorruptibilidade e a imortalidade lhe tenham sido concedidas sem morte prévia".
Cristo, embora Deus, aceitou o percurso completo do ser humano, incluindo a morte.
Mas ao dizer-se:"...e com todas as qualidades e dotes próprios dos corpos gloriosos", já se remete para uma imaterialidade que está mais de acordo com o alcance da minha fé.
De facto não sei explicar como é, mas parece-me que, depois da Ressureição, acho que nos reconheceremos, mas não ficaremos com as limitações deste corpo terrestre e limitado.
Sendo assim, eu acredito que Maria esteja junto de Deus. Que Deus a tenha na Sua presença, tal como tem muitas outras criaturas que neste mundo se esforçaram por cumprir a Sua vontade.
E, deste modo, a Assunção aos Céus, tal como a de Maria, faz parte do Mistério da Ressurreição, inaugurado por Cristo, e poderia ser afirmada relativamente a todos os que estão na presença de Deus.
Cristo foi homem e, na Ressurreição, o Primogénito de Deus.
A criatura humana, os homens e as mulheres, são os destinatários do Plano de Salvação de Deus e candidatos à Ressurreição.
Maria está lá a interceder por nós. Amén

Luís Almeida (VIA MAIL)

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Balanço do Sínodo em Roma: (sabe a pouco)

Constata-se que a Igreja tem aspectos diferentes em cada Continente e até de comunidade para comunidade
mas parece que a abertura a essas diferenças fica por aí.

Gostaria de estar enganado, mas parece que deste Sínodo, vamos ter pouco mais do que mais do mesmo: A Hierarquia da Igreja relê a sua Doutrina com séculos de existência,
Doutrina alicerçada, confirmada e comprovada com o passar dos séculos, Doutrina essa que foi o avanço na leitura dos sinais dos tempos desses tempos...!

Hoje a Igreja parece que receia de se deixar inspirar pelo Espírito Santo, e ler os sinais dos tempos presentes, para continuar a ser Fermento em cada tempo e lugar, nos tempos de hoje, nesta sociedade, em cada sociedade, em cada comunidade... Na minha comunidade!

As "Comunidades de Paulo" tinham muito pouco a ver umas com as outras... Tinham em comum a referência a Jesus Cristo! E até tinham gestos de solidariedade e de inter-ajuda... conheciam-se. Era a Igreja que estava em... aí se inseria e aí procurava resposta e caminhos de salvação.

Se calhar a maior conclusão deste Sínodo será que não trouxe nada de novo e a consequência talvez seja o despertar da Igreja (toda!) para a necessidade de se deixar abrir e conduzir nos tempos correntes (necessariamente diferentes de local para local) pela força do Espírito Santo, para voltar a ser Luz, Fermento, Proposta de Salvação e de Felicidade para as pessoas deste tempo.

Ainda bem que S. Paulo e os outros discípulos não se acomodaram a ficar nas suas comunidadezinhas a celebrar a Missa ao Domingo. Tinha sido bom, mas tinha sido pouco.
Cristo celebrou uma, à Quinta-feira.

Celebrar a Eucaristia é muito importante, isso já foi mais que dito. Mas a Missa ao Domingo, por obrigação, para contar as cabeças, é muito pouco. Cristo propos-nos o desafio de trazer a este mundo o Reino de Deus... !

ainda havemos de descobrir o que isso é.

Um abraço em Cristo,

Luís Almeida (VIA MAIL)

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Os Evangelhos 2006 Comentados

"Os Evangelhos 2006 Comentados" é o titulo de um livro publicado há algumas semanas. Trata-se de uma compilação de comentários a diversos excertos dos Evangelhos feita por autores – agnósticos, ateus, baha'is, budistas, cristãos ortodoxos, católicos, protestantes, gnósticos, hindus, judeus, muçulmanos e teósofos – provenientes do mundo que fala português. O texto que se segue é de autoria de Mário Mota Marques, um membro da comunidade baha’i portuguesa.

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Naquele tempo, os pastores dirigiram-se apressadamente para Belém e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. Quando O viram começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. E todos os que os ouviam admiravam-se do que os pastores diziam. Maria conservava todos estes acontecimentos, meditando em seu coração. Os pastores regressaram glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado. Quando se completaram os oito dias para o menino ser circuncidado, deram-lhe o nome de Jesus, indicado pelo anjo, antes de ter sido concebido no seio materno. (Lc 2:16-21)
Segundo a perspectiva bahá'í, ao longo da história, as religiões funcionaram como pólos de desenvolvimento espiritual dos povos. O seu alicerce principal foram as Escrituras Sagradas que se apresentam como testemunhos de uma vivência espiritual, agentes inspiradores de valores morais e éticos e repositórios de leis que visam regular e enaltecer o relacionamento entre os seres humanos. A própria vida dos Fundadores das grandes religiões e dos Seus seguidores mais conhecidos estão repletas de exemplos de heroísmo, sacrifício e auto-disciplina que inspiraram realizações extraordinárias no campo da arquitectura, da música e de outras artes. Torna-se óbvio que as grandes religiões foram dinamizadores do processo civilizacional.

Este breve excerto do Evangelho de Lucas apresenta-nos um episódio que se terá passado após o nascimento de Jesus; refere o reconhecimento da divindade de Jesus por parte dos Pastores. O reconhecimento da divindade de um Profeta é uma experiência muito pessoal; trata-se de um momento em que um ser humano ao estabelecer, ou aprofundar, a sua relação com Deus encontra um intermediário na figura de um Profeta (geralmente, um fundador de uma grande religião). Para algumas pessoas, esse reconhecimento tem de assentar no conhecimento da Pessoa do Profeta, nas Suas palavras ou Escritos, em actos milagrosos (atribuídos ao próprio ou aos Seus seguidores). Existem ainda outros casos em que uma espécie de experiência mística leva o crente ao reconhecimento do Profeta.

Na Bíblia podemos encontrar vários exemplos de pessoas que reconhecem Jesus: os reis magos (Mt 2), os pastores (Lc 2:16) , Simeão (Lc 2:25), Pedro (16:16) e os apóstolos. Se nestes últimos o processo de reconhecimento parece ter sido fruto de uma vivência comum, os primeiros resultam de uma percepção espiritual difícil de descrever.

Estes vários exemplos de reconhecimento da divindade suscitam algumas questões:
1 - Que requisitos são necessários para que uma pessoa consiga reconhecer um Profeta?
2 - Como explicar as diferentes formas de reconhecimento? Serão compatíveis entre si?As respostas a estas questões encontram-se tanto nos relatos bíblicos, como nas escrituras e tradições de todas as religiões

Para responder à primeira questão temos de tentar perceber o que têm em comum as pessoas que reconheceram os Profetas no tempo em que Eles viveram entre nós. A pureza de motivo é talvez a característica comum mais evidente. É como se as suas almas estivessem naturalmente atraídas pelo Criador; não se denota um traço de vaidade, de orgulho na sua superioridade espiritual. Todo o acto de reconhecimento é de uma pureza e de uma humildade sem iguais.

Outro aspecto comum parece ser a forma como estas pessoas reconhecem a verdade que lhes é transmitida pelo Criador, independentemente da forma que esta possa assumir. Podíamos dizer que há um desprendimento de valores e ideias preconcebidas. Por exemplo, a maioria dos hebreus pensava que o Messias seria um líder político que os libertaria do domínio romano; contrariando esse pensamento corrente, os discípulos reconheceram o Messias na pessoa de Jesus de Nazaré; perceberam que mais importante que a libertação terrena, era a libertação espiritual.

Relativamente à segunda questão devemos ter presente que o Evangelho refere que o reconhecimento da divindade de Jesus ainda era feito por pessoas que diziam que Ele era “João o Baptista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas.” (Mt 16:14) Simeão e Pedro parecem ter sido os primeiros a reconhecê-Lo como Messias; os pastores referem-No como “Salvador”.

É óbvio que a experiência religiosa de cada indivíduo (a sua vivência, as suas expectativas e a sua fé) condiciona naturalmente o reconhecimento da divindade do Profeta. A clareza da imagem divina reflecte-se no coração de cada ser humano tal como a luz do sol se reflecte em diferentes objectos.

Podemos comparar a divindade de um profeta à luz do sol e a alma humana a um espelho que reflecte a luz solar. Se o espelho for irregular ou estiver sujo, a luz vai-se reflectir de forma difusa; se o espelho for regular e estiver limpo, a luz vai-se reflectir na sua plenitude (ao ponto de podermos ver o próprio sol quando olhamos para o espelho). Tal como o reflexo do sol depende da pureza e limpeza do espelho, também o entendimento da dimensão espiritual do Profeta depende da pureza do seu coração de cada crente.

Além destes aspectos, o facto do anúncio ser feito aos pastores e não a sacerdotes ou a doutores, sugere que a capacidade para reconhecer um Profeta não depende da erudição (presume-se que os pastores seriam pessoas simples, sem estudos), nem do conhecimento directo da pessoa do Profeta ou da Sua palavra (Jesus tinha acabado de nascer), mas pode passar por experiências místicas nem sempre fáceis de descrever (o anúncio feito pelo anjo).

Tal como uma vida recém-concebida, estes primeiros sinais de vitalidade espiritual passam indiferentes à imensa maioria do corpo da humanidade. Podem ser apenas o primeiro sinal de uma nova vida, o início de uma grande caminhada que vai mudar a história da humanidade. Tal como todas as religiões mundiais, o Cristianismo ganhou adeptos mesmo antes do Seu Fundador se assumir como Profeta; o Profeta foi sendo reconhecido por diferentes formas e momentos ao longo da Sua vida.

E como em todas as religiões, a maioria destes primeiros adeptos tornaram-se exemplo para os seguintes. A sua intuição espiritual, heroísmo e desprendimento tornaram-se elementos inalienáveis do processo de evolução religiosa e fonte de inspiração para as futuras gerações de crentes.


Marco Oliveira [POVO DE BAHÁ]

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Prostrados na alegria

Saíram do sossego dos seus reinos. Talvez não fossem ricos, talvez fossem apenas magos que respondiam sempre sempre às perguntas que lhes colocavam.

Até ao dia em que surge uma estrela que os baralha.. o que conheciam era pouco mas suficiente para decidirem: ir em busca do rei grande que vai nascer ou não? Sair do comodismo das certezas ou continuar a alimentá-lo e esconder “debaixo do tapete” a vergonha de uma pergunta não respondida?

Eles saíram do sossego das suas casas atrás de uma estrela. E, como acontece tantas vezes, quando estavam mesmo a chegar, acharam desnecessária a estrela para atingir o conhecimento. O resultado viu-se: foram ter ao lugar da mentira irónica.

Ao ver a estrela sentiram grande alegria e entrando na casa viram o Menino com Maria, Sua mãe. Prostrando-se, adoraram-no; e, abrindo os cofres, ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra. (Mt 2, 10-11)

Talvez para muitos seja apenas uma história bonita. Talvez muitos que se confrontam com esta Palavra, não arrisquem a dizer “não sei” mas teimem em opinar uma justificação qualquer que os descanse e tranquilize e acomode.

Eu não sei.
O que já conheço da Palavra diz-me que há homens que se arriscam na humilhação de seguir um caminho desconhecido porque querem conhecer o Rei. E que quando o encontram se prostram na alegria.

milene (
SÓ NO MISTÉRIO)

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