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segunda-feira, dezembro 19

 

A árvore da vida

A utilização de elementos da natureza como metáforas é algo comuns às Escrituras Sagradas de todas as religiões(1). Um exemplo disso é a forma como alguns Profetas e místicos usam a árvore como símbolo de uma mensagem de carácter espiritual, ou mesmo místico. Nos textos sagrados, a árvore é frequentemente representada como fonte de conhecimento e os seus frutos descritos como geradores de vida eterna.

No Hinduísmo, os
Vedas e os Upanishads referem-se à Árvore da Vida como tendo raízes no submundo, um tronco que liga a terra e os céus, e ramos puros que crescem no Brahman. Trata-se de um símbolo de nascimento, maturidade, morte e renascimento. No Budismo, é mencionado o facto de Buda ter recebido a inspiração quando estava à sombra de uma árvore. A renovação anual da folhagem dessa árvore (chamada "Árvore do Verdadeiro Conhecimento") simboliza a necessidade de renascimento espiritual dos crentes.

Uma pessoa de origem judaico-cristã recordar-se-á provavelmente do livro do Génesis refere a “árvore da vida” no episódio de Adão e Eva; para os místicos do judaísmo, o conceito de árvore da vida está associado à Kabalistica e à
Árvore de Sefirot. Já no Novo Testamento, o versículo "Eu sou a vinha e vós os ramos" (Jo 15:5) apresenta uma parábola em que associa Cristo a uma árvore. E no Alcorão, o episódio da Viagem Nocturna, refere-se que Maomé ao atravessar os sete céus passou pelo Sadrat al-Muntaha, uma árvore de lótus que simboliza o fim do conhecimento mundano (Alcorão 53:14).

Um conceito muito semelhante encontra-se nas Escrituras Baha'is. Bahá'u'lláh refere-se a Si próprio como Sadrat al-Muntaha (a Árvore para lá da qual não existe passagem); trata-se um símbolo de orientação divina e limite de uma caminhada espiritual(2). Bahá'u'lláh também Se refere aos Seus filhos como "ramos" e às Suas filhas como "folhas".

Expressões Artísticas

Uma símbolo religioso tão forte como este não podia deixar de ser alvo da atenção de vários artistas em diferentes culturas.

A figura seguinte apresenta uma ilustração hindu da árvore da vida. As flores simbolizam a fertilidade. Geralmente esta árvore é apresentada ladeada por crentes ou animais. Nesta figura surgem os pavões como símbolos de imortalidade, fertilidade, realeza e protecção.



No ícone abaixo, Cristo está representado como sendo o tronco central da árvore e os discípulos são os ramos. Acima do próprio Cristo encontra-se o Espírito Santo (representado por uma pomba) e Deus.


Na imagem seguinte, apresenta-se uma caligrafia de uma artista baha'i, Mishkin Qalam, onde além da árvore notamos a dupla presença de outro poderoso símbolo místico existentes nas escrituras bahá'ís: o pássaro do paraíso que entoa melodias divinas.


As semelhanças este trabalho de caligrafia e a ilustração hindu apresentada anteriormente são claras. E se tivermos presente que o trabalho de Mishkin Qalam foi elaborado em 1905, em Bombaim, creio que não podemos excluir a hipótese de alguma influência da cultura hindu sobre este calígrafo.

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NOTAS:

(1) - Sobre a utilização da Árvore como símbolo noutros cultos e em religiões antigas ver:
The Tree of Life: The Uniter of Worlds
(2) – Sobre as referências ao Sadrat’ul-Muntahá ver:
Sadrat’ul-Muntahá, The Tree beyond which there is no passing e também: The Sidrah (Lote-Tree) and Sidrat al-Muntahā

Marco Oliveira [POVO DE BAHÁ]


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