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quarta-feira, dezembro 14

 

Rezar: falando com Deus sobre a vida

Falando sobre música e sobre um "fenómeno" que me deixa sempre um pouco perplexo. Existem canções que não me dizem nada num primeiro momento e que, após as ouvir com mais atenção se tornam canções fascinantes que desejo estar sempre a ouvir.

Qual a razão de ser deste fenómeno?

Penso que a principal razão se encontra ligada a um problema de "conjuntura/estrutura".

Explico-me.

Julgo que todos temos uma estrutura pessoal que é mais propícia a certas canções e a certos estilos musicais que a outros. Tem que ver com a nossa estrutura de personalidade tal qual ela resulta do nosso património genético e da nossa história pessoal.

Deste ponto de vista, eu gosto mais de certas canções por simples acaso. O acaso do meu património genético e dos eventos da minha história pessoal e a aleatoriedade do modo como todas essas variáveis interagiram e interagem. A minha existência pessoal é um simples acumular de acasos que são os "meus".

Depois surge outro acaso: a conjuntura de um dado momento. Uma espécie de instantâneo de uma situação. Se o meu património genético e a minha história pessoal assim o determinar, em momentos em que vivo desesperadamente terei tendência a gostar de canções desesperadas, em momentos em que me sinto triste terei tendência a gostar de canções desesperadas, em momentos em que vivo euforicamente terei tendência a gostar de canções eufóricas, etc.

Parece tudo obra do acaso.

Existem escolhas autónomas em termos musicais? Existe o livre arbítrio musical? Existe o puro exercício da liberdade, o exercício da vontade, quando quero ouvir uma canção e não outra?

Vamos imaginar dois cenários simples.

No primeiro cenário, num determinado momento da minha história pessoal tenho que fazer uma escolha. Sem que eu saiba, essa escolha vai ser decisiva para moldar certos elementos estruturantes da felicidade. E essa escolha que fiz vai implicar que eu agora goste estruturalmente mais de um certo tipo de canções que de outras. Numa análise custo/benefício do tempo que disponho e do prazer provável que uma canção me vai provocar, este mecanismo pode conduzir ao afunilamento dos gostos musicais.

Num segundo cenário, num determinado momento em que não tenho nada para escutar da música que realmente me agrada, sou obrigado a ouvir canções de que não gosto particularmente à primeira vista. Mas acabo por gostar dessas canções. Porque o ser humano é um sistema complexo em que poucas coisas estão em absoluto, excluídas à partida.

Ando agora descobrir algo que estupidamente ainda não conhecia: Saint-Etienne. Os tais que cantaram I believe in love over cynicism. Felizmente ainda só ouvi exaustivamente cerca de metade da sua produção discográfica. Mas a ouvi-los, lembro-me dos patos de Lorenz. Biologicamente os patos estão preparados para seguir o primeiro objecto em movimento que vêem após o nascimento. Normalmente é a mãe…


Timshel [TIMSHEL]

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