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quarta-feira, dezembro 14

 

As sãs capelas da tolerância

Seria, no mínimo, insultuosa, uma frase que começasse por “concordo com tudo o que diz”. E a verdade é que não concordo com tudo o que diz o evangélico Tiago no post desta segunda-feira na sua Voz do Deserto. Mas concordo com o que de mais politicamente incorrecto lá está. E transcrevo um pedaço: «Os fanáticos não suportam nos outros a crença em algo que lhes pareça demasiado fora do tolerável. Toleram intolerantemente o tolerável apenas. São os fanáticos que sempre perseguiram cristãos evangélicos, testemunhas de Jeová, maricas, judeus, ciganos, IURDs, Manás, o Kurt Cobain na escola e o César das Neves no DN porque não se limitavam ao que era tolerável. Onde gostam mais os tolerantes de tolerar? Gostam de tolerar na cama, tolerar no supermercado e tolerar na biblioteca. Na igreja nem pensar. No sagrado não se tolera, legitimam os tolerantes.»
Também a mim me irrita o sentido frouxo que se dá à tolerância por estes dias. Tenho um amigo padre que costuma dizer que Jesus Cristo não nos tolerou, amou-nos e amou-nos até às últimas consequências. E temo bem que, de cada vez que se invoca (est)a tolerância, se esteja a colocar o Amor à margem. Ou mais do que a colocá-lo à margem: a recusá-lo.
Do texto fica-me a ideia de que o Tiago fala da perfeição do Pai Celeste que Jesus nos dá como objectivo (Mt 5, 48). O Deus em que nós, cristãos, acreditamos, é um Deus que, sendo perfeito e omnipotente, nos ama a todos, imperfeitos, sem distinção.
Quem tenha convicções fortes e as manifeste explicitamente (e não só as religiosas) corre o sério risco de ser tomado por louco, fanático, coitadinho. Corre o risco de não ser levado a sério por aqueles que, afinal, ou porque não querem, ou porque não podem, ou até porque as macaqueiam de outros, recusaram a capacidade de as ter.

O Tiago não tolera, denuncia. E denuncia porque ama.


Rui Almeida [POESIA DISTRIBUÍDA NA RUA]

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