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quarta-feira, dezembro 7

 

A Anedota

Há aquela anedota do sujeito que se ria três vezes da mesma piada: a primeira quando a ouvia, para não parecer mal; depois quando pensava que tinha compreendido; e, por fim, quando de facto percebia.
Parece-me isto uma espécie de metáfora para a nossa relação com Deus.
Começamos por nos afirmar crentes por imitação, porque vemos a convicção, a prática e/ou a felicidade dos outros; seguimos no cortejo, mais ou menos sem saber o que se passa, o que é aquilo.
Depois surge um clique qualquer e convencemo-nos de que aquilo tudo até faz sentido, que estamos no bom caminho, que nada pode abalar a nossa convicção.
Nesta altura da história viria o ponto em que entrávamos no verdadeiro sentido de tudo, em que estaríamos diante da verdade absoluta e tudo seria revelado. Mas como qualquer boa metáfora, esta também é imperfeita. O mais certo de acontecer é este segundo momento ir-se repetindo, com altos e baixos, pela vida fora. E depois há todas as outras variantes: os que nem sequer ligam à piada; os que, por não perceberem, nem sequer pensam mais nisso; os que acham que não tem graça nenhuma e a vão contestando; os que vão ponderando hipótese atrás de hipótese sem nunca considerarem uma definitiva; os que pensam que a compreendem e, ao perceberem que não é assim, desistem de voltar a tentar; os que pensam que compreendem e nem sequer colocam que hipótese de ser de outra maneira, etc, etc, etc.


Rui Almeida [POESIA DISTRIBUÍDA NA RUA.]

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