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quarta-feira, dezembro 21

 

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O amor entre parêntesis. Dá (-te).

Um frio de rachar. Um ou dois graus negativos. Vento. Uma impressão de navalhas a serem lançadas pelo ar. Uma velhota no meio da rua, de joelhos, a pedir. Romena ou moldava talvez, pelo aspecto. Com este briol que corta tudo…

Uma voz diz-me: "Dá-lhe alguma coisa." (Bem, alguma coisa. Deixa cá ver. Ora bolas, com estas tretas dos porta-moedas electrónico não tenho moeda nenhuma e a nota mais baixa que tenho vale muito dinheiro.)

"Dá-a." (Estás doido pá? Estarei a ficar esquizofrénico? Agora ouço vozes…Eu preciso deste dinheiro.)

"Para alguém estar ali no meio da rua com este frio, é porque precisa absolutamente de todo o dinheiro que lhe puderes dar." (Ó moralista tonto, espécie de grilo falante, já pensaste que quanto mais ela receber mais sofrimento lhe vou causar pois quanto mais dinheiro receber maior é a motivação para ficar ali a sofrer?)

"Dá-lhe dinheiro e deixa-te de músicas." (Não respondeste à minha pergunta. Mas deixa estar. Responde então a esta outra. Como sabes que é ela que precisa do dinheiro? Quem te garante que não é uma máfia qualquer que está a fazer pressão sobre ela? Uma máfia que sabe que as pessoas minimamente humanas tendem a dar mais dinheiro quanto mais difíceis são as circunstâncias em que vêem a pessoa a pedir dinheiro?)

"Dá-lhe o dinheiro. Não interessa nada mais. Não penses. Dá." (Mas porque é que lhe hei-de dar alguma coisa? Dizes-me para eu não pensar. Isso é uma atitude irracional. Esta fulana nunca me poderá ser útil. Nada tem para me dar que seja útil à minha sobrevivência. Porque razão serei obrigado a dar-lhe alguma coisa?)

"Por respeito pela dignidade humana desse ser humano que está aí à tua frente. Por respeito pela tua consciência moral." (Dignidade humana? Consciência moral? Isso é linguagem mágica. Existe algo de material onde esteja inscrita essa tal dignidade humana? E quais os genes responsáveis por essa dita consciência moral? Repito: qual a razão objectiva – objectiva, ouviste? – pela qual serei obrigado a dar-lhe alguma coisa?)

"Porque Eu te peço. Dá-a." (Porque razão hei-de obedecer a alguém de cuja existência duvido – a consciência moral? Deus? um truque de ventríloquo de feira? uma patologia mental que me faz ouvir vozes que só me pedem coisas idiotas?)


Timshel [TIMSHEL]

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segunda-feira, dezembro 19

 

A árvore da vida

A utilização de elementos da natureza como metáforas é algo comuns às Escrituras Sagradas de todas as religiões(1). Um exemplo disso é a forma como alguns Profetas e místicos usam a árvore como símbolo de uma mensagem de carácter espiritual, ou mesmo místico. Nos textos sagrados, a árvore é frequentemente representada como fonte de conhecimento e os seus frutos descritos como geradores de vida eterna.

No Hinduísmo, os
Vedas e os Upanishads referem-se à Árvore da Vida como tendo raízes no submundo, um tronco que liga a terra e os céus, e ramos puros que crescem no Brahman. Trata-se de um símbolo de nascimento, maturidade, morte e renascimento. No Budismo, é mencionado o facto de Buda ter recebido a inspiração quando estava à sombra de uma árvore. A renovação anual da folhagem dessa árvore (chamada "Árvore do Verdadeiro Conhecimento") simboliza a necessidade de renascimento espiritual dos crentes.

Uma pessoa de origem judaico-cristã recordar-se-á provavelmente do livro do Génesis refere a “árvore da vida” no episódio de Adão e Eva; para os místicos do judaísmo, o conceito de árvore da vida está associado à Kabalistica e à
Árvore de Sefirot. Já no Novo Testamento, o versículo "Eu sou a vinha e vós os ramos" (Jo 15:5) apresenta uma parábola em que associa Cristo a uma árvore. E no Alcorão, o episódio da Viagem Nocturna, refere-se que Maomé ao atravessar os sete céus passou pelo Sadrat al-Muntaha, uma árvore de lótus que simboliza o fim do conhecimento mundano (Alcorão 53:14).

Um conceito muito semelhante encontra-se nas Escrituras Baha'is. Bahá'u'lláh refere-se a Si próprio como Sadrat al-Muntaha (a Árvore para lá da qual não existe passagem); trata-se um símbolo de orientação divina e limite de uma caminhada espiritual(2). Bahá'u'lláh também Se refere aos Seus filhos como "ramos" e às Suas filhas como "folhas".

Expressões Artísticas

Uma símbolo religioso tão forte como este não podia deixar de ser alvo da atenção de vários artistas em diferentes culturas.

A figura seguinte apresenta uma ilustração hindu da árvore da vida. As flores simbolizam a fertilidade. Geralmente esta árvore é apresentada ladeada por crentes ou animais. Nesta figura surgem os pavões como símbolos de imortalidade, fertilidade, realeza e protecção.



No ícone abaixo, Cristo está representado como sendo o tronco central da árvore e os discípulos são os ramos. Acima do próprio Cristo encontra-se o Espírito Santo (representado por uma pomba) e Deus.


Na imagem seguinte, apresenta-se uma caligrafia de uma artista baha'i, Mishkin Qalam, onde além da árvore notamos a dupla presença de outro poderoso símbolo místico existentes nas escrituras bahá'ís: o pássaro do paraíso que entoa melodias divinas.


As semelhanças este trabalho de caligrafia e a ilustração hindu apresentada anteriormente são claras. E se tivermos presente que o trabalho de Mishkin Qalam foi elaborado em 1905, em Bombaim, creio que não podemos excluir a hipótese de alguma influência da cultura hindu sobre este calígrafo.

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NOTAS:

(1) - Sobre a utilização da Árvore como símbolo noutros cultos e em religiões antigas ver:
The Tree of Life: The Uniter of Worlds
(2) – Sobre as referências ao Sadrat’ul-Muntahá ver:
Sadrat’ul-Muntahá, The Tree beyond which there is no passing e também: The Sidrah (Lote-Tree) and Sidrat al-Muntahā

Marco Oliveira [POVO DE BAHÁ]


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quarta-feira, dezembro 14

 

Rezar: falando com Deus sobre a vida

Falando sobre música e sobre um "fenómeno" que me deixa sempre um pouco perplexo. Existem canções que não me dizem nada num primeiro momento e que, após as ouvir com mais atenção se tornam canções fascinantes que desejo estar sempre a ouvir.

Qual a razão de ser deste fenómeno?

Penso que a principal razão se encontra ligada a um problema de "conjuntura/estrutura".

Explico-me.

Julgo que todos temos uma estrutura pessoal que é mais propícia a certas canções e a certos estilos musicais que a outros. Tem que ver com a nossa estrutura de personalidade tal qual ela resulta do nosso património genético e da nossa história pessoal.

Deste ponto de vista, eu gosto mais de certas canções por simples acaso. O acaso do meu património genético e dos eventos da minha história pessoal e a aleatoriedade do modo como todas essas variáveis interagiram e interagem. A minha existência pessoal é um simples acumular de acasos que são os "meus".

Depois surge outro acaso: a conjuntura de um dado momento. Uma espécie de instantâneo de uma situação. Se o meu património genético e a minha história pessoal assim o determinar, em momentos em que vivo desesperadamente terei tendência a gostar de canções desesperadas, em momentos em que me sinto triste terei tendência a gostar de canções desesperadas, em momentos em que vivo euforicamente terei tendência a gostar de canções eufóricas, etc.

Parece tudo obra do acaso.

Existem escolhas autónomas em termos musicais? Existe o livre arbítrio musical? Existe o puro exercício da liberdade, o exercício da vontade, quando quero ouvir uma canção e não outra?

Vamos imaginar dois cenários simples.

No primeiro cenário, num determinado momento da minha história pessoal tenho que fazer uma escolha. Sem que eu saiba, essa escolha vai ser decisiva para moldar certos elementos estruturantes da felicidade. E essa escolha que fiz vai implicar que eu agora goste estruturalmente mais de um certo tipo de canções que de outras. Numa análise custo/benefício do tempo que disponho e do prazer provável que uma canção me vai provocar, este mecanismo pode conduzir ao afunilamento dos gostos musicais.

Num segundo cenário, num determinado momento em que não tenho nada para escutar da música que realmente me agrada, sou obrigado a ouvir canções de que não gosto particularmente à primeira vista. Mas acabo por gostar dessas canções. Porque o ser humano é um sistema complexo em que poucas coisas estão em absoluto, excluídas à partida.

Ando agora descobrir algo que estupidamente ainda não conhecia: Saint-Etienne. Os tais que cantaram I believe in love over cynicism. Felizmente ainda só ouvi exaustivamente cerca de metade da sua produção discográfica. Mas a ouvi-los, lembro-me dos patos de Lorenz. Biologicamente os patos estão preparados para seguir o primeiro objecto em movimento que vêem após o nascimento. Normalmente é a mãe…


Timshel [TIMSHEL]

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As sãs capelas da tolerância

Seria, no mínimo, insultuosa, uma frase que começasse por “concordo com tudo o que diz”. E a verdade é que não concordo com tudo o que diz o evangélico Tiago no post desta segunda-feira na sua Voz do Deserto. Mas concordo com o que de mais politicamente incorrecto lá está. E transcrevo um pedaço: «Os fanáticos não suportam nos outros a crença em algo que lhes pareça demasiado fora do tolerável. Toleram intolerantemente o tolerável apenas. São os fanáticos que sempre perseguiram cristãos evangélicos, testemunhas de Jeová, maricas, judeus, ciganos, IURDs, Manás, o Kurt Cobain na escola e o César das Neves no DN porque não se limitavam ao que era tolerável. Onde gostam mais os tolerantes de tolerar? Gostam de tolerar na cama, tolerar no supermercado e tolerar na biblioteca. Na igreja nem pensar. No sagrado não se tolera, legitimam os tolerantes.»
Também a mim me irrita o sentido frouxo que se dá à tolerância por estes dias. Tenho um amigo padre que costuma dizer que Jesus Cristo não nos tolerou, amou-nos e amou-nos até às últimas consequências. E temo bem que, de cada vez que se invoca (est)a tolerância, se esteja a colocar o Amor à margem. Ou mais do que a colocá-lo à margem: a recusá-lo.
Do texto fica-me a ideia de que o Tiago fala da perfeição do Pai Celeste que Jesus nos dá como objectivo (Mt 5, 48). O Deus em que nós, cristãos, acreditamos, é um Deus que, sendo perfeito e omnipotente, nos ama a todos, imperfeitos, sem distinção.
Quem tenha convicções fortes e as manifeste explicitamente (e não só as religiosas) corre o sério risco de ser tomado por louco, fanático, coitadinho. Corre o risco de não ser levado a sério por aqueles que, afinal, ou porque não querem, ou porque não podem, ou até porque as macaqueiam de outros, recusaram a capacidade de as ter.

O Tiago não tolera, denuncia. E denuncia porque ama.


Rui Almeida [POESIA DISTRIBUÍDA NA RUA]

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Entre o JÁ e o AINDA NÃO

E se fizéssemos uma actualização do Natal? Foi assim que amigos formularam a questão, num re-encontro sobre esta época. No discorrer da conversa houve quem dissesse que o grande desafio está entre o "já" e o "ainda não". A contradição é apenas aparente, e inscreve-se neste tempo de Advento: Jesus nasceu, mas ainda não chegou... Afinal é no Advento que preparamos a sua vinda, o seu nascimento.
Tempo de actualizar o Natal, apenas porque todos os anos comemoramos a mesma coisa, em piloto automático, sem chama e sem novidade. "Não pode ser! Ele já nasceu, é um facto consumado! Deixou-nos a tarefa deactualizar em cada Natalo Encontro com Ele e com o Outro." Era assim que começava o desafio do domingo passado, é assim que todos os dias devemos ser e estar. Coisa difícil, em tempo em que se confunde o acessório e o fundamental, amarrados a limbos e pregados a crucifixos, sem perceber que o Outro merece muito mais o nosso olhar. O Outro - que vive a nosso lado, na nossa família, na nossa escola ou emprego, na nossa cidade.
A Cidade que se quer outra merece que o Natal seja tempo de actualizarmos gestos, olhares e celebrações. Fazer de gestos simples, amor e invenção.
Por fim, fica um poema, Vais chegar, que acaba por ilustrar a conversa:
«Vais chegar, Emanuel, Ó Deus-connosco!
Vais chegar trazendo misericórdia às nossas dilacerações.
Vais voar e sobrevoar os espaços encurralados a que nos prendemos.
Vais olhar para nós e fazer-nos parar o passo apressado que nos devora.
Vais avizinhar-Te oculto em quem não Te esperávamos.
Vais libertar-nos as mãos que o vazio disfarça com embrulhos e afazeres.
Vais escutar aquilo que realmente põe o nosso coração a bater.
Vais aproximar o Teu ouvido.
Vais sugerir-nos silêncio (de facto, as palavras por vezes atrapalham).
Vais perguntar-nos pelo nosso sorriso.
Vais abraçar-nos, Ó Deus-connosco!»

[de José Tolentino de Mendonça, 2005]

Miguel Marujo [CIBERTÚLIA]

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quarta-feira, dezembro 7

 

Parabéns Presidente Hugo Chavez!

"Acredito em Deus, e especialmente em Cristo, que considero o maior revolucionário da história, e o socialismo que defendemos na Venezuela será um socialismo cristão".
(…)
"O socialismo cristão é o único caminho para escapar da pobreza."
(Presidente Hugo Chavez)

Em entrevista a Marta Harnecker (Marta Harnecker, “Hugo Chávez, un hombre, un pueblo”, Editora Mepla, Havana, 2002 – em Portugal, esta socióloga marxista foi sobretudo conhecida logo após o 25 de Abril, através de umas pequenas brochuras de divulgação de um marxismo friendly user) , Hugo Chavez explicou:

"Um capitalismo selvagem, como o qualifica o papa João Paulo II, não é humanizável. Mas, no caso venezuelano, com um governo como este, com uma Constituição como esta, com um povo que despertou como o nosso, com uma correlação de forças como a que temos, sim, é humanizável".

Ao explicitar as bases teóricas do seu movimento, ele enfatiza que "a ideologia bolivariana está sustentada por princípios revolucionários, sociais, humanistas e igualitários. A ideologia bolivariana é antineoliberal".

É corrente ver os meios de comunicação da direita passar ataques e calúnias ao socialismo cristão não-marxista de Hugo Chavez. O regime politico venezuelano é, actualmente, o maior inimigo do capitalismo mundial.

Porque chegou ao poder pela via democrática.

Porque se mantém no poder pela via democrática.

Porque, sempre pela via democrática, tem conseguido fazer aquilo que não se consegue fazer de um modo tão profundo em mais nenhum país do mundo: uma luta feroz contra a pobreza e contra as desigualdades sociais num quadro democrático em que cada vez mais pessoas votam nele.

Em condições dificílimas.

Qual é o outro país do mundo que consegue realizar as políticas fortemente redistributivas que Chavez consegue realizar, sem que o país empobreça, conseguindo deste modo cada vez mais votos em sucessivas eleições?

É, finalmente o Socialismo em Liberdade.

Algo que até agora nunca se conseguiu fazer.

Foi preciso vir um cristão fazer isso. Com uma pequena ajuda divina de Cristo, do Deus-Amor, que, na sua infinita Misericórdia, concedeu à Venezuela importantíssimos recursos naturais cujas receitas permitem a libertação da pobreza, o crescimento económico e a luta radical contra as desigualdades sociais. Mas sem a vontade do homem inspirado pela Luz do Amor, esses mesmos recursos apenas serviriam para que os ricos fossem cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres (como tinha sido até agora a história da Venezuela).

Será por isso que cada vez mais se vêem marxistas e neoliberais de capa marxista e neo-marxista a encarniçar-se ferozmente contra Chavez?

No passado domingo mais umas eleições foram ganhas.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!


Timshel [TIMSHEL]

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A Anedota

Há aquela anedota do sujeito que se ria três vezes da mesma piada: a primeira quando a ouvia, para não parecer mal; depois quando pensava que tinha compreendido; e, por fim, quando de facto percebia.
Parece-me isto uma espécie de metáfora para a nossa relação com Deus.
Começamos por nos afirmar crentes por imitação, porque vemos a convicção, a prática e/ou a felicidade dos outros; seguimos no cortejo, mais ou menos sem saber o que se passa, o que é aquilo.
Depois surge um clique qualquer e convencemo-nos de que aquilo tudo até faz sentido, que estamos no bom caminho, que nada pode abalar a nossa convicção.
Nesta altura da história viria o ponto em que entrávamos no verdadeiro sentido de tudo, em que estaríamos diante da verdade absoluta e tudo seria revelado. Mas como qualquer boa metáfora, esta também é imperfeita. O mais certo de acontecer é este segundo momento ir-se repetindo, com altos e baixos, pela vida fora. E depois há todas as outras variantes: os que nem sequer ligam à piada; os que, por não perceberem, nem sequer pensam mais nisso; os que acham que não tem graça nenhuma e a vão contestando; os que vão ponderando hipótese atrás de hipótese sem nunca considerarem uma definitiva; os que pensam que a compreendem e, ao perceberem que não é assim, desistem de voltar a tentar; os que pensam que compreendem e nem sequer colocam que hipótese de ser de outra maneira, etc, etc, etc.


Rui Almeida [POESIA DISTRIBUÍDA NA RUA.]

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