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segunda-feira, novembro 14

 

Ser Igreja – um desafio permanente!

O Fernando, na passada Quarta-feira, pedia “um triciclo” que nos ajudasse a percorrer o caminho da fé. Posteriormente, na caixa de comentários do blogue a-bordo, dialogávamos sobre a necessidade, de se estruturar a Igreja de outros modos, pois o actual sistema “piramidal”, massificado, não serve. Questionava o Fernando com um caso muito prático e comum: “Imaginemos que um crente – ovelha citadina perdida -, se depara com uma situação pessoal de grande desespero; não conhece o padre, nem os grupos da paróquia; telefona a quem?”
A questão não se coloca, só e apenas, num caso de necessidade de apoio, de ajuda. No comum caminho da fé, como o Fernando diz no texto da Terra, precisamos de “pontos de apoio”. O percurso do nosso compromisso cristão, tem ao mesmo tempo duas dimensões -elas entrelaçam-se -, a pessoal e a comunitária. Cada uma, impulsiona e depende, da outra.
Esta, tem sido uma reflexão que eu faço continuamente e de algum tempo para cá ; porque sendo baptizada, fazendo parte de uma comunidade concreta, sinto e testemunho as dificuldades de “ser Igreja”. Cada vez, me convenço mais que, qualquer mudança, não será uma evolução tranquila – é preciso romper de forma decisiva, a acomodação, a inércia vigentes – a história da Igreja está repassada da dimensão profética, e é isso que, devemos resgatar para o tempo presente.

Tivemos por estes dias, em Lisboa, o ICNE - Congresso Internacional para a Nova Evangelização -, sobre ele, não me posso pronunciar muito, porque o meu acompanhamento do mesmo foi à distância, apenas pelas notícias que me chegaram através das agências noticiosas e alguns ecos, poucos, na comunidade a que pertenço. No entanto, a minha avaliação destes actos, corresponde ao que o Manuel no seu blogue “
palombella rossa” escreve:
Pensar a evangelização como destinada à conversão do mundo descrente e como privilégio de cristãos cientes da imensidão da sua fé, é um tremendo equívoco. São os cristãos os primeiros a precisar de se reconverter permanentemente à radicalidade do Evangelho e a fazê-lo em diálogo com este mundo. Amando-o e não ensinando-o.”
Este meu apontamento sobre o Congresso, serve apenas, para manifestar que não me iludo com o mediatismo de algumas acções, pelo número de congressistas, enfim, pela visibilidade mediática que a Igreja Católica, teve por estes dias. Porque no concreto das comunidades, continua-se o mesmo ritmo rotineiro de alguns ritos religiosos, desligados da vida e do compromisso com o Evangelho.

Vamos então, tentar dar resposta à interpelação do Fernando.
A Igreja, nasce no dia de Pentecostes, quando um punhado de discípulos desorientados e confusos, reunidos em casa, sentiram a força do Espírito Santo e tomando consciência da sua missão, irromperam a anunciar a Boa-Nova do Reino. (Act 2,1-4) ; (Mt 28,19)
A partir desse movimento, os seguidores de Jesus começaram a reunir-se em suas casas onde “Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fracção do pão e às orações” (Act 2, 42), “Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum.” (Act 2, 44) “Como se tivessem uma só alma, frequentavam diariamente o templo, partiam o pão em suas casas e tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração.” (Act 2, 46).
Este modo de viver, conviver, partilhar, escutar, aproximar, não passou despercebido a muita gente que, começou a aderir ao projecto de Jesus. “Louvavam a Deus e tinham a simpatia de todo o povo.E o Senhor aumentava, todos os dias, o número dos que tinham entrado no caminho da salvação” (Act 2, 47).
Nos primeiros tempos da Igreja, os discípulos continuavam a frequentar o Templo, mas ao mesmo tempo reuniam-se em suas casas:
“... dirigiu-se a casa de Maria, mãe de João Marcos, onde numerosos fiéis estavam reunidos a orar” (Act 12,12)
A casa de cada um, é assim, o local de encontro para as primeiras comunidades cristãs. É no convívio fraterno, intímo da casa, que se alimenta e anima a Fé dos primeiros cristãos.
Sabemos, os próprios textos bíblicos nos contam, que nem tudo era harmonia. Os problemas existiam; as divisões, as invejas, as calúnias, preconceitos... Encontramos Paulo, nas diversas cartas pastorais, umas vezes a louvar, outras a reagir fortemente e a exortar à mudança de comportamentos das diversas comunidades.

Passaram-se os anos, a Igreja cresceu, era necessária uma estrutura que sustentasse a sua universalidade e foi cada vez mais, hierarquizando-se. Durante estes dois mil anos, viveu períodos de professia, de testemunho, de martírio, mas também muitos momentos de legitimação de poderes bem temporais, de sistemas injustos, de conveniências humanas adversas ao Evangelho.
O Concílio Vaticano II, pretendeu que a Igreja olhasse para si mesma, se reavaliasse e tornasse ao que é o seu fundamento – sacramento de Cristo. Para isso, é necessário que cada cristão descubra na prática do seu baptismo que, ser membro da Igreja, não é uma tarefa para os fins de semana, para quando apetece, para quando e onde convém. Que dentro da Igreja, não há tarefas com maior ou menor dignidade, que o compromisso da missão não é só para alguns que se dizem para isso vocacionados. Que o compromisso de construir a Igreja não é exclusivo da hierarquia. Precisamos também, de descentralizar a vida da Igreja, apenas da celebração dos sacramentos. Temos cristãos que entram na Igreja, apenas em três ou quatro momentos chave da vida – baptismo, casamento e no funeral – e nos intervalos, fazem umas peregrinações aos diversos locais de culto, que a Igreja tem fomentado por esse mundo fora.

E isto já vai tão longo, que vou ficar por aqui. Como quase sempre se faz, perdi-me a identificar os problemas. Para a próxima vou tentar trazer alguns antídotos. Não tenho, como é óbvio, soluções dentro da manga, apenas comungo de alguma reflexão que se faz por aí, quase sempre à margem de quem detém o poder de decidir, mas que são vozes válidas, porque de certeza animadas pelo Espírito que, não está cativo de ninguém.

Maria da Conceição (
JARDIM DE LUZ)

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