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segunda-feira, novembro 28

 

Ser Igreja – um desafio permanente! (parte 2)

Retomo o tema, e trago à reflexão mais algumas pistas para irmos descobrindo o caminho de “ser Igreja”. Sabendo que - “o caminho são os passos que damos”.

A partir do século IV depois de Cristo, a Igreja que antes se reunia nas catacumbas para escapar à perseguição do império romano, cede lugar à Igreja das massas, que se reune em grandes templos, e celebra liturgias pomposas.

O Concílio Ecuménico Vaticano II, convocado pelo Papa João XXIII (1962-1965) foi um marco decisivo e importante para que a Igreja retomasse a sua missão, a fidelidade ao Evangelho (Boa Nova) que liberta e traz vida plena para todos. A reforma litúrgica, foi um dos aspectos mais visíveis. Saliento como ponto marcante o uso do vernáculo na liturgia e o acesso à Palavra. A leitura da Bíblia que estava vedada ao comum dos crentes, passou a estar disponível e acessível. Mas ainda hoje, há uma devoção acentuada em relação à comunhão das Espécies Eucarísticas, que a Igreja promove com festas litúrgicas como o “Corpo de Deus”, as procissões do “Santíssimo Sacramento”, as “Exposições do Santíssimo Sacramento”, mas uma desvalorização em relação à Palavra proclamada. Em cada Eucaristia, alimentamo-nos com o “Pão Sagrado” mas também, de igual modo, da Liturgia da Palavra. É uma única e mesma “refeição”.

Não consigo deixar de pensar, de cada vez que participo em alguma celebração litúrgica, sobretudo, na celebração da Eucaristia, como todo aquele ritual, me parece despropositado, excessivo, nada de acordo com o simples rito de partir o pão com que Jesus Cristo instituiu a Eucaristia.
Na Ceia, Jesus com um grupo de amigos, fora do Templo, comporta-se como verdadeiro pai de família. Antes de começarem a refeição, lava os pés dos irmãos. Celebram a Páscoa segundo o rito judaico. O ambiente é de intimidade, partilha, comensalidade. Era uma reunião familiar, onde não havia sacerdote.
Como será possível trazer para o nosso “ser Igreja” estas características de fraternidade, de proximidade que caracterizavam as primeiras comunidades?
Em primeiro lugar creio que é fundamental uma conversão efectiva de cada cristão e da Igreja no seu todo. Há que aprofundar o sentido do Baptismo e da co-responsabilidade de todos no caminhar da Igreja. Cada baptizado tem de ser incentivado, a perceber e viver o sentido de pertença à Igreja – a família dos amigos íntimos de Cristo – e não a instituição a que por tradicionalismo se adere, ou não se tem a coragem de rejeitar.

O modelo paroquial, rural, em que o prior assume o percurso e o rumo de cada comunidade, está esgotado. Pelas características de mobilidade, culturais, familiares das pessoas que habitam no perímetro territorial da paróquia. Há necessidade urgente de descobrir outras formas de organização das comunidades. A pastoral tem de estar cada vez mais ao serviço das pessoas, sobretudo, dos mais frágeis e desprotegidos, quer pela doença, solidão, fragilidade material, ou qualquer outra. A pastoral de cada comunidade tem de se inserir em diálogo com toda a estrutura humana que a envolve, aberta ao diferente, aos que não crêem, aos que têm outra forma de expressar a fé, aos que lutam pela justiça e pela dignidade de cada homem.
O modelo de comunidade em que tudo se “espera do prior”, onde ele se assume como o único responsável pela condução da evangelização, onde os “fiéis leigos” são apenas meros colaboradores desresponsabilizados do anúncio da Boa-Nova do Reino, tem de ceder o lugar à “comunidade viva”; onde cada um com os seus carismas próprios se entrega com generosidade e, por sua vez, se “alimenta” da partilha de todos.

Em alguns países, sobretudo, da América Latina, têm aparecido como forma de estrutura de comunidade; as chamadas “CEB's” (Comunidades Eclesiais de Base). E o que são as CEB's? São como o nome indica pequenos grupos de pessoas que se reunem para pensar juntos a sua realidade à luz da Palavra de Deus e encontrar caminhos de superar tudo o que impede as pessoas de viver do melhor modo possível. Onde juntos se descobrem os meios de superar todos os obstáculos materiais, e não só, para “que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10b)

Os bispos latino-americanos reunidos em Puebla em 1979, dizem que as CEB's “converteram-se em centros de evangelização e de motores de libertação e desenvolvimento” (nº96). E os bispos do Brasil lembram que “ no constante esforço de actuar, reflectir e celebrar, as CEB's são uma alternativa de educação para os que buscam uma sociedade nova, onde o individualismo, a competição e o lucro cedem lugar à justiça e à fraternidade” (nº40)


Maria da Conceição (JARDIM DE LUZ)

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