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quarta-feira, novembro 2

 

Judaísmo (experiência de um católico)

Quem, como eu, se interessa pela poesia portuguesa e procura conhecê-la nas suas raízes e primórdios, não pode ficar indiferente às suas profundas marcas judaicas, ao longo dos séculos, de Bernardim a João Miguel Fernandes Jorge, passando por Camões ou por Pessoa. De modos ocultos e sub-reptícios, a poesia assinala o que foi sendo a sociedade e o lugar dos judeus ao longo da nossa História: presença continuada e activa, apesar dos ataques e perseguições.
Mas, mais do que a poesia, foi a figura de dois papas que me levou a simpatizar e a querer conhecer melhor o judaísmo.
No “Diário Íntimo” (editado pela Moraes em 1964 e pela Paulus em 2000), João XXIII revela a profunda simpatia pelo povo Judeu, não deixando margem para espanto para o facto de ter suprimido da liturgia de Sexta-Feira Santa a expressão “pérfidos judeus” e introduzido um texto de quase louvor. Também João Paulo II tinha particular afecto pelos Judeus (além de alguns dos seus textos auto-biográficos e até de alguns documentos oficiais é de grande interesse a “Carta a um Amigo Judeu” de Gian Franco Svidercoschi, editada em 1994 pela Rei dos Livros), referindo-se a eles por várias vezes como “os nossos irmãos mais velhos”, em referência à herança de fé comum e, em muitos pontos, ainda partilhável.
Mais recentemente, o surgimento (fez agora dois anos) da Rua da Judiaria foi, para mim, um modo de aprofundar nesse exercício de convívio intercultural e inter-religioso. Mesmo com as minhas limitações de conhecimentos, a forma afectuosa do blog de Nuno Guerreiro, permitiu-me aproximar-me um pouco mais da realidade do judaísmo.
Reconhecendo as diferenças e factores de separação e divisão, nomeadamente as questões teológicas e doutrinais (apesar de o cristianismo ter nascido no seio do judaísmo, o que os divide é inconciliável), acredito que é possível e desejável uma sã convivência, assim o queiramos e nos saibamos respeitar e aprender uns dos outros.
Não quero, por isso, deixar passar um trecho que considero de grande importância, da mensagem do Cardeal-Patriarca para o Congresso da Nova Evangelização, que ocorrerá em Lisboa, entre 5 e 13 deste mês:
«Longamente dominada por muçulmanos, nela [cidade de Lisboa] sempre habitaram cristãos e judeus, numa experiência única de convivência e tolerância. Esta tem de continuar a ser uma nota constitutiva da fisionomia cultural de Lisboa, na imensa variedade da sua população actual».

Rui Almeida [POESIA DISTRIBUÍDA NA RUA.]

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