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quarta-feira, outubro 12

 

A procura do Verbo

Nota: devia hoje pôr aqui a continuação prometida do meu profano artigo da semana passada. Devia hoje dizer aqui coisas que levaram já à defenestração de pessoas importantes. Ora hoje não me apetece ser defenestrado nem me apetece dizer coisas catárticas sobre este país anárquico, acabado de saír dumas autárquicas. Ficará para a semana, entretanto procuremos um melhor assunto, um assunto sério.

Nós não somos cristãos por acreditarmos em Deus mas sim por acreditarmos que Deus encarnou entre nós, enviando o Seu Filho para viver connosco e para morrer às nossas mãos. Uma vida e uma morte com o fim único de nos salvar. Uma vida e uma morte para Deus se aproximar irremediavelmente de nós e para que nós nos possamos aproximar finalmente Dele.
A pessoa e divindade de Cristo, a sua vida entre nós e a sua morte por nós, são a centralidade absoluta da nossa fé cristã, são aquilo que a torna distinta das outras grandes religiões. A natureza humana e divina de Cristo, a Sua palavra, a Sua vida e talvez sobretudo a Sua morte afrontosa na Cruz, são escândalo e mistério para descrentes e para crentes doutras fés. Mas também para nós, cristãos e católicos que dizemos ser, Cristo é também escândalo e mistério. Todos nos acreditamos em Cristo mas muito poucos de nós O conhecem, O percebem e vivem verdadeiramente em Seu nome. Nós acreditamos que Ele é “o Messias, o Filho do Deus vivo” mas não percebemos exactamente qual é o alcance desse facto em que acreditamos.
Nos Seus últimos dias, Ele sofreu e morreu perante muitos mas apareceu ressuscitado perante pouquíssimos. Muitos viram-No agonizando, como se fosse um qualquer homem, e por assim O terem visto duvidaram Dele. Essa dúvida, essa incompreensão do sentido divino do Seu sofrimento, fez certamente também parte da Sua agonia. Apenas uns poucos viram-No ressuscitado e a esses é que a Sua majestade divina apareceu indubitável. Mas nós, que estamos aqui hoje, nós somos como os que estiveram no Calvário e a quem contaram depois a história da Sua ressurreição. A nossa fé é por isso uma fé baseada na esperança mas não é isenta da dúvida e por isso Cristo agoniza ainda hoje nos nossos corações. Daí que seja nossa obrigação, enquanto cristãos e enquanto filhos de Deus, partirmos decididamente à descoberta de Cristo, de tudo aquilo que Ele é verdadeiramente, por impossível que isso seja. Só assim nos descobriremos a nós próprios.
Não é fácil, não somos os primeiros nem seremos os últimos a tentar e, eventualmente, a falhar. Mesmo aqueles que viveram com ele não o conseguiram, mesmo o apóstolo Pedro:


Disse-lhes Jesus: E vós, quem dizeis que eu sou?
Respondendo Simão Pedro: Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo.
E respondendo Jesus, disse-lhe: bem-aventurado sejas, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne e o sangue quem to revelou, mas sim meu Pai que está nos céus.
Também eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
E eu te darei as chaves do reino dos céus. E tudo o que ligares sobre a terra será ligado também nos céus, e tudo o que desatares sobre a terra será desatado também nos céus.
Então mandou aos seus discípulos que a ninguém dissessem que ele era o Cristo.
Desde então, começou Jesus a declarar a seus discípulos que convinha ir ele a Jerusalém e padecer muitas coisas dos anciãos e dos escribas, e dos príncipes dos sacerdotes, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia.
E, tomando-o Pedro de parte, começou a increpá-lo dizendo: Deus tal não permita, Senhor, não sucederá isto contigo.
Ele, voltando-se para Pedro, lhe disse: afasta-te de mim Satanás, que me serves de escândalo; porque não tens gosto das coisas que são de Deus mas das que são dos homens.
(Mt, 16, 15-23)


Num momento, Pedro tem a iluminação Daquilo que Jesus verdadeiramente é; no momento seguinte não consegue entender o que Isso verdadeiramente significa. Também nós entenderemos e deixaremos de entender e assim será sempre, pois tão grande é o Mistério de Cristo.


José [GUIA DOS PERPLEXOS]

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