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quarta-feira, outubro 19

 

Portugal, Brasil, a mesma luta

Num momento de ofensiva do grande capital em Portugal, no Brasil e no resto do mundo, num momento em que o capitalismo mundial tenta impor o neoliberalismo como ideologia dominante que permita legitimar através de uma moral tecnocrática imanada de um «deus-eficiência» corporizado no mercado o crescente fosso entre os mais pobres e os mais ricos convém recordar algumas palavras das Comissões Justiça e Paz de Portugal e do Brasil. Recorde-se que estas Comissões foram criadas pelos Bispos das Igrejas Católicas em todo o mundo (as Comissões Justiça e Paz de Portugal e do Brasil foram criadas pelas Conferências Episcopais de cada um destes países).
A luta contra o grande capital é tanto mais urgente quanto as desigualdades se acentuam com o beneplácito e a complacência de governos democraticamente eleitos. Como dizia em Portugal um dos membros de uma organização de luta contra a pobreza, João José Fernandes: «Temos tantos debates sobre o Estado da Nação e nunca se refere o problema da pobreza e da desigualdade».

Comissão Justiça e Paz (Portugal):
"Não só a pobreza deve merecer a nossa atenção, constituindo também motivo de preocupação o facto de se saber que o livre jogo das forças económicas acentua as desigualdades na repartição do rendimento e da riqueza, o que coloca graves problemas aos poderes públicos e à sociedade em geral. Cabe aqui recordar o apelo da Constituição Pastoral Gaudium et Spes, que afirma expressamente: “Deus destinou a terra e tudo que ela contém ao uso de todos os homens e de todos os povos, de modo que os bens da criação devam afluir equitativamente às mãos de todos, segundo a regra da justiça, inseparável da caridade.” (GS, 69)."
"A longo prazo, não se observa uma tendência geral na distribuição do rendimento disponível das famílias, desde os meados dos anos 70. No entanto, no período mais recente, ou seja, entre meados dos anos 80 e meados dos anos 90, as desigualdades de rendimentos reforçaram-se"
"O rendimento relativo das famílias monoparentais e dos membros das famílias sem trabalho é muito baixo e a situação destas pessoas degradou-se"
"se não houver uma opção clara, por parte dos poderes públicos e da sociedade em geral, por uma distribuição mais equitativa da riqueza e dos rendimentos, arriscamo-nos a continuar a assistir ao agravamento das desigualdades, com repercussões particularmente gravosas para os grupos mais vulneráveis da sociedade e com efeitos dramáticos sobre a coesão social."
"Particularmente negativas são as posições daqueles que, sob o argumento da eficiência económica, relegam para segundo plano as consequências sociais do funcionamento dos sistemas económicos, colocando dificuldades acrescidas à condução das políticas sociais."
"A construção de um modelo de fiscal mais justo torna-se por isso num imperativo ético, já não falando da maior racionalidade económica que lhe está associada, constituindo uma prioridade das políticas que visam uma repartição mais equitativa dos rendimentos e da riqueza. A este propósito, convém recordar que nem todos os cristãos estão conscientes das suas obrigações quanto ao cumprimento dos impostos, o que contraria a edificação de um sistema fiscal mais justo e atenta contra a solidariedade que é devida aos grupos mais vulneráveis e a obtenção de uma sociedade socialmente mais coesa."


Comissão Justiça e Paz (Brasil):
"Nas últimas eleições, com a esperança de realizar mudanças na política neoliberal que vinha sendo praticada desde 1990, o povo brasileiro elegeu o Presidente Lula. Até este momento, avaliamos que pouca coisa mudou e presenciamos um mandato cheio de contradições. De um lado, o governo seguiu com uma política econômica neoliberal, resultado de suas alianças conservadoras. De outro, adotou um discurso da prioridade social e uma política externa soberana e de aliança com as nações em desenvolvimento. A eleição do Lula reacendeu as esperanças na América Latina, e influiu de forma positiva em alguns conflitos políticos na região.
De olho nas eleições de 2006, as elites iniciaram, através dos meios de comunicação uma campanha para desmoralizar o governo e o Presidente Lula, visando enfraquecê-lo, para derrubá-lo ou obrigá-lo a aprofundar a atual política econômica e as reformas neoliberais, atendendo aos interesses do capital internacional.
Preocupados com o processo democrático e também com as denúncias de corrupção que deixaram o povo perplexo, vimos a público dizer que somos contra qualquer tentativa de desestabilização do governo legitimamente eleito, patrocinada pelos setores conservadores e antidemocráticos."


PS.: Soube recentemente que Portugal é o país da União Europeia (UE) onde os ricos são os mais ricos e os mais pobres são os mais pobres e que as 100 maiores fortunas portuguesas representam 17 por cento do Produto Interno Bruto e 20 por cento dos mais ricos controlam 45,9 por cento do rendimento nacional. Não sei como é o Brasil...

Timshel [TIMSHEL]

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