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quarta-feira, outubro 5

 

Outubro sabático

Agora que o ano litúrgico toma forma para celebrarmos ao longo de meses a Vida, com o nascimento, e a Vida, com a morte e ressurreição - e que, mundanamente, se confunde com os ritmos escolares ou os ritmos de enxadas, com sementeiras-colheitas ou colheitas-sementeiras -, eu retiro-me por um mês. De férias, fora da época que os dias e os trabalhos aceitam como meses de férias. De férias. Ao encontro de amigos, velhos conhecidos, ou histórias de afecto cujos puzzles vou agora completar. Um roteiro para mais tarde contar, quem sabe.

Neste sabatismo na terra, lavro alguns conselhos de Outono, se me permitem a ousadia. Para tardes que definitivamente se ponham com ar outonal: frias, aconchegantes, castanhas... Que este tempo também baralha os ritmos de Deus.
São obras que, de um modo ou de outro, nos falam de Deus. Ou de amor. E de vida. Quem sabe se não volto a eles, eu próprio, depois das férias...

Zbigniew Preisner: este compositor polaco será porventura reconhecido pela sua trilogia «Bleu», «Blanc» e «Rouge», as bandas sonoras da trilogia (igualmente essencial) cinematográfica de Kieslowski, realizador prematuramente falecido. É dele que vos proponho a audição de três obras marcadamente espirituais: o já referido «Bleu», que parte do hino da Caridade de Paulo (numa proposta de "hino europeu"), mas também o anterior «La Double Vie de Véronique», uma outra banda sonora, de um filme igualmente essencial, de... Kieslowski. É esta união de esforços e trabalho entre os dois que resulta a homenagem póstuma de Preisner ao amigo falecido. «Requiem for my friend», é o nome óbvio que esconde uma gravação em que Deus parece esconder-se e desvelar-se em cada sopro, a cada momento...
Sob uma capa diferente, de dúvida e questionamento: «A Vida Depois de Deus», de Douglas Coupland, é um livro de pequenas histórias, para se fazerem acompanhar com ironia, mordacidade e encantamento. Deus já foi. Ou ainda é?
A filmografia de Kieslowski soube traduzir as angústias e as alegrias da fé (quem não se recordará desse monumento televisivo dos anos 80 que é «Decálogo»?!), com a música de Preisner somos transportados para uma proximidade com Deus. Uma manifestação humana. Para vidas como as nossas, depois de deus.

Miguel Marujo [CIBERTÚLIA]

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