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segunda-feira, outubro 24

 

A Igreja e o Amor

Neste domingo, a Palavra coloca-nos no fundamento do que tem de ser a nossa relação com Deus e com o próximo; o Amor. (Mt 22, 34-40) As autoridades religiosas depois de verem Jesus a não cumprir leis que eles tinham como o superlativo da relação com Deus, por exemplo; o descanso no dia de sábado, onde não era permitido fazer nada, até os passos dados eram contados e tinham um limite. Era proibido cozinhar, ou fazer qualquer outra tarefa. Ajudar alguém necessitado era infringir a Lei. Jesus, com a clarividência dos profetas, ousou infringir essas regras ridículas e centrar-se no essencial: a atitude de amor filial a Deus e o amor solidário aos irmãos. Esta atitude teve como consequência a sua condenação e morte.

Dois mil anos decorridos do facto Jesus de Nazaré, não é menor o perigo de nos deixarmos enredar em legalismos que apenas nos servem de desculpa para o nosso imobilismo. Arranjamos muitas desculpas para não agir de forma solidária e empenhada na superação de muitos males que afectam o mundo em que vivemos. Uma das que se ouve com mais frequência é de que a Igreja actua apenas e só, para a salvação da alma. Pegando na palavra de Jesus: “... portanto o meu Reino não é deste mundo” (Jo 18, 36) encontramos argumento para defender a acção da Igreja apenas no campo espiritual. Não foi esse o modo de actuar de Jesus. O homem é indivisível na sua natureza, corpo e alma são o todo do seu ser.

Diz o documento do Concílio Vat. II, Gaudium et Spes, no seu proémio:
As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para a comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao género humano e à sua história.

E no capítulo II, nº 24:
Deus, que por todos cuida com solicitude paternal, quis que os homens formassem uma só família, e se tratassem uns aos outros como irmãos. Criados todos à imagem e semelhança daquele Deus que «fez habitar sobre toda a face da terra o inteiro género humano, saído dum princípio único» (Act. 17,26), todos são chamados a um só e mesmo fim, que é o próprio Deus.
E por isso, o amor de Deus e do próximo é o primeiro e maior de todos os mandamentos. Mas a Sagrada Escritura ensina-nos que o amor de Deus não se pode separar do amor do próximo, «...todos os outros mandamentos se resumem neste: amarás o próximo como a ti mesmo... A caridade é, pois, a lei na sua plenitude» (Rom. 13, 9-10; cfr. 1 Jo. 4,20). Isto revela-se como sendo da maior importância, hoje que os homens se tornam cada dia mais dependentes uns dos outros e o mundo se unifica cada vez mais
.

25. A natureza social do homem torna claro que o progresso da pessoa humana e o desenvolvimento da própria sociedade estão em mútua dependência. Com efeito, a pessoa humana, uma vez que, por sua natureza, necessita absolutamente da vida social (3), é e deve ser o princípio, o sujeito e o fim de todas as instituições sociais.

32. Do mesmo modo que Deus não criou os homens para viverem isolados, mas para se unirem em sociedade, assim também Lhe «aprouve... santificar e salvar os homens não individualmente e com exclusão de qualquer ligação mútua, mas fazendo deles um povo que O reconhecesse em verdade e O servisse santamente» (13). Desde o começo da história da salvação, Ele escolheu os homens não só como indivíduos mas ainda como membros duma comunidade. Com efeito, manifestando o seu desígnio, chamou a esses escolhidos o «seu povo» (Ex. 3, 7-12), com o qual estabeleceu aliança no Sinai (14).


Esta índole comunitária aperfeiçoa-se e completa-se com a obra de Jesus Cristo. Pois o próprio Verbo encarnado quis participar da vida social dos homens. Tomou parte nas bodas de Caná, entrou na casa de Zaqueu, comeu com os publicanos e pecadores. Revelou o amor do Pai e a sublime vocação dos homens, evocando realidades sociais comuns e servindo-se de modos de falar e de imagens da vida de todos os dias. Santificou os laços sociais e antes de mais os familiares, fonte da vida social; e submeteu-se livremente às leis do seu país. Quis levar a vida dum operário do seu tempo e da sua terra.


A partir desta perspectiva, é claro que, cada cristão na assunção diária do seu baptismo, deve empenhar-se individualmente e em grupos de vária natureza – recreativos, sócio-caritativos, promotores da cultura e educação, apoio a emigrantes e excluídos de qualquer ordem, políticos, etc. – para a promoção do bem comum. É imensa a lista de possibilidades onde se pode estender a acção dos cristãos. Será sempre tida em conta a sua vocação e a sua possibilidade e disponibilidade de acção. No percurso de qualquer cristão é impossível não haver uma sintonia entre a sua pertença à Igreja e o compromisso diário de concretizar sinais claros da presença do Reino, já neste mundo. “Ninguém poderá afirmar: “Ei-lo aqui” ou “Ei-lo ali”, pois o Reino de Deus está entre vós.” (LC 17,21).

Deus, é um Deus que salva dentro da história, no meio das vicissitudes humanas. Assim, insistir numa fé privada, oferecer aos pobres e excluídos deste mundo apenas o consolo da salvação um dia depois da morte, é ser um contra-sinal do Reino. A Igreja que devemos construir, tem de ser uma Igreja comprometida com a salvação integral do homem e da humanidade no seu conjunto.
A comunhão eucarística que recebemos, é uma prefiguração do que há-de ser a “comunhão dos santos na Jerusalém Celeste
Acção de graças, trabalho, comunidade. Tudo isto implica uma morte. A acção de graças é a morte do meu instinto de propriedade. O trabalho é a morte da minha preguiça. A comunidade é a morte do meu individualismo. A morte está presente em tudo, mas ela é ao mesmo tempo ressurreição. Morrendo ao meu individualismo, preguiça, instinto de propriedade, passo para Cristo, torno-me mais Cristo, até me tornar totalmente Ele, depois dessa morte que é a morte final.” (François Varillon in Viver o Evangelho).

Deliberadamente, não falei uma única vez de libertação, (ops já falei), mas todo o amor é livre e libertador, senão não é Amor.


Maria da Conceição (
JARDIM DE LUZ)

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