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segunda-feira, outubro 3

 

Coisas soltas sobre a fé

Este texto é uma recolha de coisas escritas sobre a fé, devidamente citadas, comentadas e apreciadas, complementadas com alguns excertos da "Janela do (In)visível", do Pe. Anselmo Borges (ed. Campo das Letras).

a fé não é um sentimento
«A Fé não se confunde com acreditar em Deus. No início, toda a gente acreditava! Ninguém colocava em causa a existência de Deus. Mas, Jesus dizia: "Homens de pouca Fé". A dificuldade estava em ter com Deus uma relação de confiança, em ter Fé.
A Fé não é um sentimento. Por vezes, não sentimos a presença de Deus, ficamos "vazios". Mesmo nessas alturas é possível confiar. A Fé está relacionada com a busca do sentido da vida, a partir da relação com Jesus.
» (Zé Maria Brito)
Há uma frase que me arrepia: "Naquele momento senti Deus" ou "senti que Deus me respondeu", ou outra coisa parecida. Deus não se possui, não se sente. A fé não é um sentimento. É a acreditar que há um sentido na nossa existência e procurar segui-lo. Por isso tem razão Simone Weil quando diz que entre «duas pessoas que não fizeram a experiência de Deus, a que o nega está provavelmente mais perto dele do que a que o afirma». Quem acha que possui Deus, esquece o essencial.
E voltando ao Zé Maria: «O essencial da Fé é a convicção de ser amado, é experimentar que a minha vida faz sentido porque sou amado e tenho uma missão. Isto pode implicar dar sentido ao absurdo, ao que humanamente não faz sentido nenhum.»

se Deus não existisse
O Timshel costuma dizer que o importante não é ter a certeza que Deus existe (quem poderá tê-la?) mas agir como se Deus existisse. Anselmo Borges propõe uma reflexão próxima: e se Deus não existir mesmo?
«E se os crentes andarem enganados? Se precisamente no instante da morte lhes fosse revelado que não há Deus? O filósofo Auguste Valesin respondeu que não se arrependeria de ter acreditado, que tanto pior para o universo se não tem um sentido último, que afinal o mal não está em nós termos acreditado que Deus existe, mas em Deus por não existir. A mesma resposta deu a filósofa e mística Simone Weil: não se arrependeria por ter acreditado, pois "Deus é o bem" e, orientando assim a vida, "nenhuma revelação no momento da morte pode provocardesgosto" ou arrependimento.

da oração
Num texto clarividente e acutilante, já de há algum tempo, o Carlos Cunha dizia o seguinte, falando da sua relação com Deus:
«A minha relação com Deus passa sempre ao lado d'Ele. É colateral. (...) Claro, há a oração. Mas mesmo nos momentos mais intensos de oração, individual ou comunitária, nunca senti que Deus estava pessoalmente perto de mim, a escutar-me. Talvez esteja, mas nunca houve qualquer feed-back da parte d'Ele. Admito, no entanto, que o conteúdo das minhas orações não O comova particularmente. E também não sou muito bom a ler sinais. Nunca percebi o que Ele me quer dizer. Na verdade, acho que não me quer dizer nada de especial. Caso contrário dizia.»
E voltando ao P.e Anselmo Borges:
«Muitas vezes, crentes e não crentes queixam-se de que Deus deve estar surdo. Mas ainda bem que Deus não ouve as nossas orações, pois frequentemente só pedimos disparates. Em vez de pedir o Espírito Santo, como Jesus mandou, pedimos a Deus o triunfo do nosso egoísmo e o abate dos nossos adversários; honra, glória e riqueza para nós, e os outros que fiquem na miséria e sejam nossos servos. (...) Com a ladainha das nossas petições, quereríamos manter-nos na preguiça, continuar infantis e colocar Deus pura e simplesmente à nossa disposição e serviço...
Afinal, Deus dá-nos tudo o que é bom, e rezar é agradecer e louvar e preparar-se para receber o que Deus tem para nos dar... Rezar é ficar à escuta do que Deus no silêncio tem para nos dizer. Rezar não é a tentativa idólatra de converter Deus ao nosso desejo, mas tentarmos nós próprios converter-nos ao desígnio de Deus, que consiste na liberdade digna e na dignidade fraterna de todos os homens.
Rezar é fazer a paz dentro de nós e lembrar o essencial e olhar para o Infinito e ver o Divino em todas as coisas e contemplar a Presença viva de Deus no mais íntimo de nós e no rosto de cada homem e mulher...
»

Zé Filipe [ENCHAMOS TUDO DE FUTUROS]

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