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quarta-feira, outubro 26

 

Amarás o teu próximo como a ti mesmo

Tal como num espelho. O outro sou eu. Eu também sou o outro. Um espelho que é uma medida infalível para descobrir se amamos ou não o nosso próximo.
A justiça cristã não é uma justiça retributiva. Jesus não disse: "Faz ao outro aquilo que ele te faz a ti". O que Jesus disse foi: o que tu querias que o outro te fizesse a ti, é isso que lhe deves fazer.
Julgo que foi Bernard Shaw que disse "Não faças aos outros aquilo que gostavas que eles te fizessem: os teus gostos podem não ser os deles". A frase tem piada mas não é essa a perspectiva do cristão. A perspectiva do cristão é: faz ao outro aquilo que ele mais necessita.
Jesus considerava o amor ao próximo como «o seu mandamento», aquele em que se resume toda a Lei. «Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei.» (João 15,12). O cristianismo é este mandamento do amor. Contudo, diz o padre Raniero Cantalamessa, quando se fala de amor ao próximo, pensa-se logo nas obras de caridade e nas coisas fazer pelo próximo: dar-lhe de comer, de beber, visitá-lo, em resumo, ajudar o próximo. Mas, se isto é um efeito do acto do amor, não é o amor. Antes da beneficência vem a bondade; ante de fazer o bem vem querer o bem.

A caridade muitas vezes é fingida pois na realidade é feita por simples ostentação, para passar por benfeitor, para ganhar o paraíso (como se Deus fosse um merceeiro), até por remorsos da consciência.
Mas seria um erro fatal contrapor o amor à caridade material, ou refugiarmo-nos nas boas disposições interiores para com os outros como desculpa para a própria falta de caridade activa e concreta.
Se encontras um pobre esfomeado tiritando de frio, dizia São Tiago, de que lhe serve que lhe digas "Pobrezinho, vai-te aquecer e comer alguma coisa!", se não lhe deres nada do que ele necessita? (os modernos liberais diriam: "O que estás aqui a fazer? Vai trabalhar, pá! Viva a liberdade empresarial!")
Diz São João: não amemos só com palavras mas também com obras. Não se trata portanto de desvalorizar as obras exteriores de caridade, mas fazer com que estas se fundamentem em amor e bondade verdadeiros.
A caridade de coração é algo que todos podemos exercitar e que é universal. Todos a podemos ter se tivermos vontade e a graça de Deus. Não é uma caridade que apenas alguns – os ricos e os saudáveis – possam dar e os outros – os pobres e os enfermos – receber. Todos podem dá-la e recebê-la. Para além do mais é concretíssima. Trata-se de começar a olhar com novos olhos as situações e as pessoas que vemos ou com quem vivemos. Com os olhos com que Deus nos olha: olhos de desculpa, de bondade, de compreensão, de perdão...
Quando isto acontece todas as relações mudam. Caem, como por milagre, todos os motivos de prevenção e de hostilidade que nos impedem de amar alguém e esta aparece como é na realidade: um ser humano amado por Deus, que sofre pelas suas debilidades e limitações (que surgem muitas vezes camufladas de agressividade e de violência). Como tu, como eu, como todos. É como se a máscara que as pessoas e as coisas tivessem colocado, caísse de repente e a pessoa e a situação aparecesse tal como verdadeiramente é.

Este texto foi baseado nas palavras do padre Raniero Cantalamessa tal como as li aqui . Se algo parece menos correcto tal se deve à minha tradução ou às pequenas adaptações ou modificações que introduzi aqui e ali.
Gostaria apenas de explicar uma frase aqui referida – "a justiça cristã não é uma justiça retributiva". A explicação é, parece-me, apenas esta: a justiça cristã é a justiça do amor infinito.

Timshel [TIMSHEL]

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