<$BlogRSDURL$>

 

 

 

   

 
 

terra da alegria


 
 
timshel guia dos perplexos cibertúlia poesia distribuída na rua a bordo baixa autoridade
 
     

quarta-feira, setembro 21

 

Regresso às aulas

No meu regresso à Terra, regresso à escola. Um regresso que me é próximo, por três motivos: a minha sobrinha começou o 1º ano do ensino básico, uma etapa esbatida pelo percurso no pré-escolar, idêntico a tantas crianças nesta altura; uma prima entrou na universidade; e, por fim, eu próprio regresso aos bancos da faculdade, para ver se acabo um curso que experimento de modo bem mais realista no quotidiano de trabalho.
O regresso que aqui me interessa é, no entanto, é a escola num sentido mais amplo. Vade retro, qualquer regresso à escola de valores, mas venha a nós uma escola diferente. Para começar, vale a pena ir ao acessório: a quinquilharia que ornamenta as escolas... Cruzes, crucifixos, estátuas de nossas senhoras ou painéis de santinhos devem ser removidos. Não por uma qualquer cedência a alegados ateístas militantes (que mais parecem uma seita de ressabiados anti-qualquer-coisa), mas sim pela consciência que os católicos devem ter da condição secular da sociedade.
Tenho para mim que a secularização não é nenhum demónio, como sobressai nalguns discursos, mesmo do Papa Bento XVI. A secularização (a que muitos, incluindo os tais ateístas militantes, chamam de laicidade — esquecendo que essa é também uma condição intrínseca também a qualquer crente-leigo) não pode assustar. É própria de uma sociedade que experimenta uma pluralidade de opiniões, uma diversidade de credos e uma multiculturalidade. Afirmar isto não significa esconder no armário ou nas sacristias, a condição da vida dos crentes — nas cerimónias religiosas em espaços públicos e privados, nas tomadas de posição públicas, sem dogmas (afinal, não precisamos que nos imponham regras, necessitamos antes de linhas orientadoras, para discernirmos nós os caminhos).
Cuidada a quinquilharia (passe a eventual grosseria, para alguns, apenas quero sublinhar o óbvio: são questões acessórias), avance-se para a questão das aulas de educação moral e religiosa. A disciplina, hoje em dia, pode ser leccionada para diferentes credos — das igrejas protestantes aos muçulmanos, dos budistas aos judeus. Era bom que assim fosse: fazer da secularização um tratado de pluralidade e dialogo inter-religioso. Esta disciplina não devia ser exclusivista (apesar de entender que se deve manter fora do currículo obrigatório), permitindo que, mais do que uma "catequese", as aulas de EMR (católica, cristã, muçulmana, judaica, o que for!) sejam um espaço de aprendizagem sobre cada uma das religiões. Começar por aqui, pelo conhecimento do outro, significaria que a alteridade substituiria as costas voltadas em que as religiões vivem — e, politicamente, deixaria de haver justificação para a guerra, para o atentado, para a ignomínia.
O passo é simples — está aqui à mão de semear. No regresso às aulas.

Miguel Marujo [CIBERTÚLIA]

sementes da terra
 
mail
 
 
anteriores
04.2004
05.2004
06.2004
07.2004
09.2004
10.2004
11.2004
12.2004
01.2005
02.2005
03.2005
04.2005
05.2005
06.2005
07.2005
08.2005
09.2005
10.2005
11.2005
12.2005
01.2006
02.2006
03.2006
04.2006
05.2006
06.2006
07.2006
08.2006
12.2006
 

 

 
 

terra da alegria. 2004.


 

This page is powered by Blogger. Isn't yours?