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segunda-feira, setembro 26

 

Olhares sobre a Igreja - Que Evangelização?

Quem de alguma forma está envolvido na acção da Igreja, decerto já ouviu os costumeiros lamentos de que a Europa “está descristianizada”, que “é preciso re-evangelizar”, até se fala em “nova evangelização”.
Os responsáveis das igrejas de algumas capitais da Europa – Viena, Paris, Lisboa, Bruxelas e mais tarde Budapeste – reuniram-se e projectaram acções concretas a realizar na cidade, que sejam evangelizadoras. De entre elas, os chamados Congressos Internacionais da Nova Evangelização. O de Lisboa ocorre entre 5 e 13 de Novembro do corrente ano.


Numa recente carta pastoral do Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, que tem como título “A Igreja na Cidade”, diz no seu início: “Sendo expressão da sua obediência a Jesus Cristo, Seu Senhor, o anúncio do Evangelho é uma expressão do amor da Igreja por todos os homens e mulheres que sofrem e lutam para edificar uma sociedade de rosto humano. A Igreja evangeliza porque está convencida de que o anúncio de Jesus Cristo é o anúncio da esperança, e que a fé introduz na realidade humana uma força que potencia quanto de bom existe no coração humano, para edificação de uma cidade justa e fraterna.” E segue caracterizando a cidade, sobretudo Lisboa, a própria Igreja, o anúncio, as várias linguagens de anúncio e por fim os desafios do Congresso Internacional para a Nova Evangelização. Destacando como desafio: “levar as Igrejas a encontrarem caminhos novos de evangelização, no contexto cultural do homem europeu contemporâneo...interpelação às comunidades cristãs para aprofundarem a sua fé, único ponto de partida válido para o dinamismo evangelizador. E esse poderá ser o seu fruto mais precioso:levar os cristãos e as comunidades a assumirem que a evangelização é simples e urgente. Se a nossa fé é um dom precioso e Jesus Cristo, o nosso tesouro, não podemos deixar de os anunciar e partilhar.”

São estes últimos pontos que eu quero destacar nesta reflexão. Ao contrário de a Igreja andar sempre à procura e a reagir àquilo que ela considera serem os obstáculos à sua acção, nomeando “inimigos”, tais como; o sincretismo, o relativismo, o facilitismo, o naturalismo, o subjectivismo e outros “ismos”, deve, ela própria, fazer uma profunda conversão interior, que abranja todas as suas estruturas e agentes pastorais, deste a Hierarquia aos fiéis leigos. Conversão, que a leve a olhar para si e veja com verdade, em que é que tem posto o seu empenho. Se é em crescer e manter as suas estruturas, onde a hierarquia assume o papel preponderante de tornar visível o rosto da Igreja. Onde os dogmas e o Direito Canónico foram, substituindo o Evangelho. Ou, no seguimento de Jesus Cristo, reconhecer-se como o pequeno grão de mostarda (Mc 4,30-32) que sendo a semente mais pequena, dá fruto que permanece.

Um dos combates que Jesus teve de travar com os discípulos, era a sua visão de que a sua missão, tinha de se cumprir no triunfalismo. O pequeno grupo que era o povo de Deus, assumiria sem equívocos a sua posição de povo escolhido. O Templo, impor-se-ia como morada inequívoca de Deus no meio dos homens, e eles participariam disso.
Nada disso aconteceu, a pequena semente foi rejeitada, aniquilada e os discípulos dispersos. Após a ressurreição, compreenderam então, que o seu destino era o da pequena semente, que só será árvore frondosa, quando se cumprir em definitivo, o Reino de Deus.
Durante estes dois mil anos de cristianismo, fomos esquecendo esta verdade. Começámos a achar que a pequena semente deu lugar à árvore frondosa que é a Igreja, tão numerosa e estendida a toda a Terra. Achando-se e dizendo-se rica, porque possuia o depósito da Tradição.
Caímos na tentação dos discípulos, de achar que o Reino estava cumprido. E começámos a ver “inimigos”, onde estão irmãos que, como nós, demandam o Reino.
Para sermos evangelizadores, temos de perceber e assumir, que Deus continua a chamar os mais pobres, os que não se impõem por qualquer espécie de poder, os que sabem que o Reino não exclui ninguém. Os que não se consideram a si justos. Os que sabem que o seguimento de Jesus é o da doação e da entrega da vida por amor.


Da carta do D. José Policarpo, gosto sobretudo desta frase: “A dimensão mais decisiva e fundamental da realidade da Igreja é invisível, silenciosa, guardada e sentida no mais íntimo do coração humano.”

PS- Para completar esta reflexão, recomendo vivamente, a leitura e reflexão deste texto, ouvido ontem nas nossas missas. (S. Paulo Filip. 2, 1-11)


Maria da Conceição (JARDIM DE LUZ)

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