<$BlogRSDURL$>

 

 

 

   

 
 

terra da alegria


 
 
timshel guia dos perplexos cibertúlia poesia distribuída na rua a bordo baixa autoridade
 
     

quarta-feira, setembro 14

 

Ecumenismo

Pensei em escrever este texto na sequência de um post do Bernardo Motta no afixe (e respectivos comentários). Discutia-se o ecumenismo e o anti-ecumenismo. Em dado momento discutiu-se a definição de ecumenismo.
É verdade que o ecumenismo é, em sentido estrito, apenas o conjunto de iniciativas e actividades tendentes a favorecer o regresso à unidade dos cristãos.
Mas não foi por acaso que, numa revista anti-ecuménica da seita de Lefebvre, toda ela dedicada a atacar o ecumenismo, aparece na capa uma fotografia do Papa João Paulo II sentado ao lado de um representante do judaísmo e de um representante do islamismo.
O ataque ao ecumenismo é de facto um ataque ao diálogo inter-religioso e é, no fundo, tão somente um ataque ao diálogo entre a Igreja Católica e quem não é católico.
O Papa Bento XVI, poucos dias antes de se tornar Papa, disse as seguintes palavras que revelam um pouco da necessidade e da dimensão do diálogo:
"No diálogo tão necessário entre laicos e católicos, nós cristãos devemos estar muito atentos a permanecer fiéis a esta linha de fundo: ou seja, a viver uma fé que provém do logos, da razão criadora e que está por isso também aberta a tudo aquilo que é verdadeiramente racional.
Mas aqui queria, na qualidade de crente, fazer uma proposta aos laicos.
(...) mesmo quem não consegue encontrar o caminho para aceitar Deus, deve de qualquer maneira, viver e orientar a sua vida (...) como se Deus existisse"
.

O anti-ecumenismo é uma reacção de medo e de insegurança. Esquece a frase com que o Papa João Paulo II iniciou o seu mandato: "Não tenhais medo!".
O ecumenismo, em sentido restrito (enquanto movimento para a unidade dos cristãos) ou em sentido lato (enquanto diálogo inter-religioso ou entre católicos e ateus) é apenas uma manifestação do diálogo. E o diálogo e a partilha são as expressões fundamentais do supremo mandamento que Cristo nos deixou, o mandamento novo: o mandamento do amor.
O ecumenismo é a busca de plataformas comuns. Plataformas comuns de oração e/ou de entendimento e/ou de acção. É a esta última plataforama comum que o Papa Bento XVI faz apelo quando se dirige aos ateus nas palavras acima referidas.
É possível que a Igreja Católica fique "desnaturada" com este diálogo? Convém distinguir o que é essencial do que é secundário. E não cairmos em erros passados da Igreja Católica em que, como agora se reconhece, tomou-se o essencial pelo secundário. A essência relativamente à qual um cristão deixa de ser cristão é quando deixa de obedecer ao mandamento do amor.
É possível que um ateu obedeça em muitos dos seus comportamentos a este mandamento mesmo sem se dar conta e sem reconhecer que lhe está a obedecer. E é possível que a Igreja Católica contenha preceitos que não valorizam devidamente este mandamento. O catecismo da Igreja Católica é um documento orientador importantíssimo do mandamento do amor em diversos aspectos da vida. Mas não é a palavra de Deus. Até porque o seu texto tem variado no tempo (e no próprio espaço entre diferentes versões linguísticas como aqui já uma vez referi).

Existem ateus e ateus. Existem ateus (como existem católicos) com um discurso feito de ódio, de agressão e de violência. Com esses podemos dialogar e tentar procurar algumas plataformas mínimas de acção. Mas existem outros (ateus, católicos que não pensam como nós, outros cristãos, membros de outras religiões) com os quais não só o diálogo é possível mas também um bom nível de entendimento e um amplo espaço comum de acção.
O ateísmo, enquanto atitude intelectual que nega a existência de Deus, é um simples pormenor (ilógico e irracional, salvo quando nega simultaneamente qualquer valor moral absoluto). O atéismo tem, sem dúvida, consequências extremamente perniciosas: se no curto prazo, um certo grau de ódio, de agressão e de violência parece simplesmente uma coincidência relativa a certos ateus, já a médio e longo prazo o ateísmo tem, ao nível da própria acção, consequências sempre nefastas.
Tal não impede, bem pelo contrário uma postura dialogante com todos os ateus e mesmo colaborante e construtiva para o Bem (naquilo que for possível) com aqueles que a isso estiverem dispostos.
A postura face ao ecumenismo (em sentido lato) revela o modo como recebemos o mandamento novo que Cristo nos enviou. Revela, em última análise, em que medida aceitamos Cristo como exemplo na nossa vida.

Timshel [TIMSHEL]
Comments:
Deve pedir desculpa "publicamente", aqui, por ter afirmado que os "lefevrianos" são uma ceita, vito que eles defendem somente a doutrina católica integralmente e fielmente, visto que não estão escomungados, e visto que são dos raros grupos católicos que regeita trair a doutrina e a autoridade apostólica.
Não ofenda a Igreja, pff.
Passe bem.
 
Enviar um comentário

sementes da terra
 
mail
 
 
anteriores
04.2004
05.2004
06.2004
07.2004
09.2004
10.2004
11.2004
12.2004
01.2005
02.2005
03.2005
04.2005
05.2005
06.2005
07.2005
08.2005
09.2005
10.2005
11.2005
12.2005
01.2006
02.2006
03.2006
04.2006
05.2006
06.2006
07.2006
08.2006
12.2006
 

 

 
 

terra da alegria. 2004.


 

This page is powered by Blogger. Isn't yours?