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segunda-feira, setembro 5

 

Duas missas

Já foi aqui assunto de discussão a qualidade das nossas liturgias. Começou o Luís Almeida por nos enviar uma carta aberta ao Senhor Padre M. sobre o pouco significado do rito da eucaristia quando vivido sem ligação com a vida da comunidade. Sobre o pouco sentido de uma Igreja que celebra centrada em si própria em vez de celebrar aberta à presença de Deus no mundo. Depois veio um olhar sobre a Igreja da Maria Conceição dedicado à Eucaristia. Lembrava que termina em Outubro o ano dedicado por João Paulo II à Eucaristia e reflectia sobre o significado profundo que ela tem para a comunidade crente.
Esta é uma área onde acho que a nossa Igreja tem muito a fazer no sentido de dar significado ao ritual. Mas também onde é fácil fazer melhor. Sem exibicionismos, conto-vos duas missas em que participei recentemente.

missa um
É um casamento. Depois da bênção, os noivos dão as boas vindas aos convidados. E explicam o que vêm ali celebrar. Contam um pouco de si e agradecem a presença de todos os que fazem já parte da sua história de casal. O rito prossegue. As leituras foram escolhidas pelos próprios. A primeira é o capítulo 13 da Carta aos Coríntios. A segunda leitura é substituída por excertos de cartas trocadas entre os dois. O evangelho é um excerto do capítulo 5 de S. Mateus. Vem a homilia tripartida. Os noivos começam, lembrando como começou o projecto conjunto que ali celebram. Falam do significado daquela festa e daquele compromisso. "Amanhã será um dia como o de hoje" – explica o noivo. É um sacramento, não é magia. Casados já eles estão há algum tempo. Hoje é apenas (e é um apenas importante) o dia da festa. Depois falam os padres que presidem. Poucas palavras. Palavras claras e simples. Não é o momento para palavras de circunstância ou deambulações teológico-intelectuais. Segue-se o rito do matrimónio propriamente dito. A Oração Universal foi preparada por amigos e familiares que a lêem. Para o credo segue-se o texto do Credo Ecuménico do pastor Dimas de Almeida. E termina a celebração da Palavra. Dá-se início à Mesa Eucarística. É seguido o texto tradicional. A comunhão é distribuída pelos próprios noivos. Gestos simples (como é simples os noivos estarem de frente para a assembleia e não de costas como habitual) que significam a participação de todos no projecto do casal.

missa dois
É uma celebração dominical como outras, num dos muitos domingos do tempo comum. A assembleia é um grupo pequeno de cerca de quinze pessoas. A celebração foi preparada por dois leigos. Das leituras do dia, decidiram destacar o tema da confiança. É seguido o rito tradicional, com alguns textos adaptados para o momento. Para homilia convidam os presentes a reflectir brevemente sobre os motivos que têm, aqui e hoje, para confiar. O padre participa espontaneamente, como alguns dos presentes. As angústias do momento presente não são esquecidas e vêm ao de cima na conversa. Segue-se o Credo, que foi adaptado à ocasião – é seguido o Credo da Confiança. A Oração Eucarística é escolhida entre um conjunto recolhido de várias proveniências. Hoje é usada a que contém um excerto da Carta a Diogneto.

Duas missas aparentemente tão diferentes do habitual mas no fundo iguais a tantas outras. A adaptação do rito à linguagem de hoje e a criação de mais espaços de participação da comunidade não são tarefas complexas. Basta alguma imaginação e um pouco de disponibilidade para arriscar seguir fórmulas diferentes das habituais. Ou um pouco de esforço para que as "alegrias e tristezas, angústias e esperanças" dos dias de hoje passem pela mesa dos cristãos. Quantas homilias são feitas ouvindo os leigos? Quantas Orações dos Fiéis são adaptadas ao momento de vida da comunidade? Em quantas missas do nosso país se citam acontecimentos dos jornais?

Zé Filipe [ENCHAMOS TUDO DE FUTUROS]

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