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Manuel António Ribeiro. A crise actual e a urgência do testemunho cristão. Segunda-feira, Junho 6. 2005.

Nos últimos tempos os sinais de inquietação na sociedade portuguesa atingiram a cota de alarme. A crise económica, depois de nos terem embalado com o discurso da retoma, tornou-se agora duramente sentida pela maioria de nós. A situação de muitas famílias é trágica, facto que contribui para o aumento da marginalidade e para os consequentes riscos de insegurança. Um sentimento de desgraça parece invadir-nos, no meio da sensação de que estamos atolados num lamaçal de degradação e de decadência dos costumes.
A acusação fácil ou o risco de nos refugiarmos no terreno escorregadio das lamentações estéreis pode desviar-nos do problema de fundo: estamos a assistir a uma crise de valores mais ou menos generalizada, que tem a ver com todos e que deve mobilizar o compromisso de cada um de nós.

Precisamos de ser profetas de uma cidadania exigente que agite a perigosa inércia das consciências. Faz falta revitalizar a doutrina conciliar sobre o compromisso dos leigos no mundo que o saudoso Paulo VI sistematizou desta forma magistral: «Pôr em prática todas as possibilidades cristãs e evangélicas escondidas, mas já presentes e operantes nas coisas do mundo». Estas palavras são retiradas da Evangelii Nuntiandi, um notável documento onde se relembra que o campo próprio da actividade evangelizadora dos leigos é «o mundo vasto e complicado da política, da realidade social e da economia, como também o da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos mas media e, ainda, outras realidades abertas para a evangelização como sejam o amor, a família, a educação das crianças e dos adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento» (E.N., 70).

Temos, pois, um amplo campo de acção a desafiar o nosso compromisso. Destacarei três frentes particularmente interpeladoras que apelam ao testemunho dos cristãos.
A nossa profecia cívica deve levar-nos a acabar com o sorriso cúmplice, diante dos «ladinos» que fogem ao dever de pagar impostos e ainda por cima se gabam da sua «esperteza». A ilegalidade, mesmo que menor, não pode ser vista como uma acção eticamente anódina, pois acaba por impor uma sociedade onde a única regra é a afirmação daqueles que não têm escrúpulos.

Também o mundo do trabalho profissional precisa de ser questionado. Se se deve denunciar com veemência a exploração dos trabalhadores, é também necessário defender que os direitos inerentes a uma actividade profissional não se podem divorciar dos correlativos deveres de honestidade e dedicação, particularmente no actual contexto em que os desafios da produtividade e da qualidade são decisivos para a saída da crise económica.

O mesmo de diga do campo da urgência da evangelização da sexualidade. A dimensão do fenómeno da pedofilia e doutras perversões deveria levar-nos a perguntar em que medida não seremos coniventes com o actual clima de erotização global que diariamente entra em nossas casas. As novas tecnologias da informação, designadamente a Internet, estão a ser utilizadas, com o nosso silêncio e porventura com a nossa conivência, para incitar a uma visão desresponsabilizada da sexualidade. Impõe-se cultivar um distanciamento crítico dessas armadilhas do hedonismo, através de uma educação testemunhal que ajude à formação de hábitos mais favoráveis a um desenvolvimento harmonioso da pessoa humana.

Se a denúncia e o exemplo são importantes para a «santificação do mundo a partir de dentro», também o é o anúncio da Esperança a partir de um olhar de salvação sobre as realidades terrestres. Sabemos que o homem é um mistério de fragilidade e contradição. Mas, para nossa sorte, este mistério é iluminado pelo amor de um Deus que tem nome e rosto: Jesus Cristo que veio ao nosso mundo não para o condenar mas para o salvar.

[DOIS DEDOS DE CONVERSA]

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