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segunda-feira, agosto 1

 

Gabriel Silva. Carta. Segunda-feira, Julho 12. 2004.

A propósito do texto, “O MEU CORAÇÃO BATE À ESQUERDA” venho apresentar algumas considerações.

Sobre a citação de Timshel:
1. Em primeiro lugar devo dizer que os termos Esquerda e Direita são hoje em dia desprovidos de qualquer conteúdo ideológico e político concreto. A sua utilização, como significante remete exclusivamente para um passado mais ou menos longínquo, permitindo dessa forma que o emissor possa, de forma nebulosa, associar a tais termos a imagem que bem quiser, escondendo do leitor o seu verdadeiro significado. Julgo portanto, a bem da verdade, que se deveria indicar precisamente do que é que está a falar quando se refere a esquerda/direita, sendo mais fácil ou apontar realidades concretas ou terminologia política, em termos ideológicos.,
2. Do ponto de vista histórico, isto é, desde a origem política do termo até ao passado mais recente no qual ainda faria algum sentido falar de Esquerda, a afirmação de que esta é “religiosa”, poderá ser uma afirmação provocatória, mas descabida de qualquer sentido.
3. A frase: “A opção de lutar ao lado dos fracos contra os fortes é uma opção religiosa não sustentável por qualquer visão "científica" do mundo.” é das mais estranhas que já vi, uma vez que historicamente se de alguma coisa a chamada esquerda foi acusada foi sempre de cientifismo, de ateísmo e de materialismo. Nunca de religiosidade.
4. Não se identificando o que se pretende dizer por direita, também fica difícil de entender a frase seguinte, nomeadamente que a direita teria fé em teorias científicas.
5. Por último, gostaria de dizer que ao longo de dois mil anos, tanta e tanta gente tentou limitar a interpretação e a forma de viver a fé cristã a uma única bitola. Sempre com péssimos resultados, como nos demonstra a História.

Sobre o texto de Carlos Cunha:
Tenho sérias dúvidas de que “Aqui, neste campo da luta, encontro a força cristã da esperança e na busca de um mundo melhor, mais justo, livre e fraterno – e a certeza de como é possível alcançá-lo através de lutas sociais e pessoais, assim participando na Criação. Aqui, neste lado do espectro político, compartilho a indignação profética perante a injustiça do mundo, o combate contra as exclusões, a sede de liberdade, de igualdade, de fraternidade.” seja algo característico de esquerda ou excluente de direita. Parece-me, e sempre assim o entendi, que tais sentimentos e formas de estar na vida fazem parte intrínseca do Homem enquanto ser social.
Também não vejo em que é que a direita (mais uma vez, falamos de quê?) tenha alguma dúvida de “que o papel da política, de todos nós, cidadãos (e cristãos) empenhados, é o de tentar transformar o mundo. Não apenas de administrar as desigualdades e de resignar-se com a desordem das coisas.” Aliás, vejam as críticas que a Administração Bush (julgo que a situam na “direita”...) recebe exactamente por tantos dos seus membros partilharem ou serem animados por essa forma de encarar e assumir a sua fé.
Sobre o resto do texto nada tenho de especial a comentar.
Mas gostaria de dar o meu testemunho relativamente à Doutrina Social da Igreja.
Quando mais novo, foi a partir da vivência e do contacto crescente com realidades sociais injustas e com o sofrimento humano que fui tendo contacto com a Doutrina Social da Igreja, nomeadamente dos primeiros textos do ainda papa João Paulo II. A sua descoberta foi altamente motivadora, tanto mais que existia uma íntima ligação entre a interpretação dos textos evangélicos e as realidades temporais. Algo que por si mesmo define a chamada leitura dos sinais dos tempos e a chamada Teologia incarnada.
Infelizmente, tais belíssimos textos nunca foram assumidos nem pelos cristãos, nem pelas suas estruturas eclesiais, nem pelo próprio João Paulo II . Com o tempo, a própria Doutrina Social da Igreja descambou em algo puramente retórico, sem ligação à realidade ou no mínimo não acompanhado devidamente as alterações sociais e tecnológicas. Foi construído um corpo doutrinal coeso, uniforme e estruturado, mercê de tanta encíclica, mas... sem vida, sem ligação ao real. Uma verbe infinita levou-o a escrever encíclica a trás de encíclica, num exagero retórico que retirou completamente força a algo que tinha era inovador. Os textos foram também cada vez mais sendo justificados e baseados uns nos outros, com contínuas auto-citações, sendo altamente revelador que nas últimas encíclicas o Evangelho é largamente marginalizado em benefício de textos do próprio JPII.

um abraço,
[BLASFÉMIAS]

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