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C.M. Retractação, Amizade e Espírito - 1. Do lugar das virtudes.Segunda-feira, Março 7. 2005.

Esta retractação é também uma reflexão sobre a amizade ou, em termos mais especificamente cristãos, sobre a caridade. O porquê de estabelecer esta ligação, o porquê desta participação na Terra, encontra-se num comentário recentemente feito por mim no a bordo. De que me retracto eu? - O seu a seu tempo. Porque o faço? - Poder-se-ia dizer que por amizade e por auto-respeito e também porque vários exemplos na blogoesfera, de que sou leitor mais do que ocasional, me levaram a reflectir sobre a amizade e a retractação. Assim, aqui, procurarei, por um lado, relacionar amizade e caridade, e por outro, amizade e retractação, o que me obrigará a percorrer, num excurso mais longo do que desejaria, mas não de pura delonga literária, dois diferentes tipos de questões que com um bocado de sorte, engenho e graça, organizarão este texto.

No primeiro grupo, as questões tentar-me-ão a falar de amizade e da esfera do afecto. Já no segundo grupo, visarei propriamente esta retractação – o seu porquê e o seu de quê.
O que podemos compreender por caridade e, na sua acção mais próxima, por amizade e amor? O que faz da caridade ou do amor uma das três virtudes teológicas e, especificamente, a terceira virtude, em termos de lugar? - A caridade é a terceira virtude teológica, sendo a primeira a fé, a segunda, a esperança. As três são virtudes conferidas e contrapõem-se às virtudes naturais (intelectuais e morais). Em S. Paulo e depois em S. Tomás de Aquino, a fé responde ao entendimento (ou às virtudes intelectuais), a esperança responde à vontade (ou às virtudes morais). Num certo sentido, pode dizer-se que sem fé (positiva ou negativa) não haveria entendimento, e que por isso, a fé é um pressuposto de inteligibilidade, como pode dizer-se que sem a esperança não há vontade boa.
Mas se a fé e a esperança podem figurar como contraponto às virtudes intelectuais e morais, qual a figura que a caridade desenha? Que correspondência cumpre a caridade? A quem acena? – Por Tomás de Aquino, ficamos a saber que a fé e a esperança não ausentam o pecado, que a exclusão do pecado só a determina a caridade. Nos Evangelhos, diz-se que o pior pecar, o que motiva a ausência de perdão, é o pecar contra o Espírito Santo. Por isso, é-nos dito a caridade é a mais admirável das três virtudes com que o supra-sensível nos dotou. Ao que é acrescentado um misterioso repto: só a caridade é digna da imortalidade, só a caridade pode não perecer.
Ora, se pensarmos que a fé respondendo ao entendimento natural só pode firmar o seu lugar na alma, e que a esperança respondendo à vontade natural lida com o corpo, teremos de associar a caridade ao espírito, esse terceiro, entre a alma e o corpo. Assim, nem a vontade corporizada, nem a anima intelectual, seria imortal. Apenas o espírito… Não a anima mas o animus. O que parece corroborado em Coríntios 7, 31-32, pela afirmação de que aquilo que passa é a figura, não a natureza. De onde: só o animus caritativo seria imune à morte porque imune ao pecado.
A caridade aparece então ligada ao espírito, o próprio princípio vital. E constitui com a fé e a esperança uma trindade. Desta trindade e do papel nela desempenhado pela caridade, como ‘graça das graças’ do Espírito Santo (I Coríntios, 13, 8), temos expressão simbólica, por exemplo, em Marcos, no episódio da agonia em Getsémani. Marcos não só diz que os discípulos que acompanham Jesus são Pedro, Tiago e João, como diz por esta ordem. Se associarmos Pedro à pedra que suporta a força da Igreja e se lembramos o papel de Tiago, compreendermos, então, o que representa João, o discípulo amado e o único, como é repetidamente sugerido, nomeadamente, em João, 18, 15, que seguiu Cristo, sem negação, até ao fim.

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