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quarta-feira, julho 6

 

Sexo à nora

Os bispos defenderam, numa nota divulgada na semana passada, que «a família é a primeira comunidade responsável pela educação das crianças, dos adolescentes e dos jovens». O debate também divide católicos. Porque há limites. E limitações. Retenho o essencial de um texto (jornalístico) que escrevi a propósito (sem nomes, para evitar outras leituras). As frases não são todas minhas, mas reflectem o que também penso. E da sexualidade vista pela igreja e pelos católicos já também por cá falei (vejam nos arquivos, que me falta tempo para isso, caros leitores).

Sabemos: a família é a primeira responsável pela educação para a sexualidade.
Mas – há sempre um "mas": na prática isso nem sempre acontece. Muitos pais não sabem ou não abordam essas questões e, se abordam, fazem-no muitas vezes de forma ligeira, eventualmente preconceituosa e não suficientemente informativa.
O documento dos bispos aponta preocupações: «A escola é subsidiária da família e [neste campo] compete à família decidir as orientações educativas básicas que deseja para os seus filhos, decorrentes dos seus valores, crenças e quadro cultural». Há quem prefira outra abordagem: «No campo da informação deve partir-se daquilo que os miúdos querem saber e não de um programa pré-estabelecido». Mesmo que, na escola, os alunos reproduzam preconceitos e estereótipos: «Eles têm de habituar-se que há outros que pensam de outra maneira e não devem ter como resposta verdades absolutas» da boca dos professores, dizia-me uma professora.
Uma disciplina como esta «exige um perfil de professor para a educação sexual, atento, aberto, que não seja dogmático e que responda exactamente ao que o aluno pergunta: nem mais nem menos», defende-se. «A educação da sexualidade ao implicar relações interpessoais implica uma educação para a ética».
Mas também é absolutamente impensável negligenciar o que os bispos chamam de práticas minoritárias, nomeadamente o sexo entre adolescentes. São questões muito importantes. Apesar disso, ressalve-se: a educação sexual não poderá ser só informação sobre órgãos sexuais, de luta contra a sida e a gravidez precoce. Por isso, a escola tem de usar toda a prudência, para que as crianças, adolescentes e jovens vivam a sexualidade de forma responsável, informada e humana. Mas, ninguém está a querer perverter ninguém - está-se a querer ajudar. E, no meio desta confusão toda, faltou aos senhores bispos uma coisa: perguntarem às famílias e (mais ainda) aos miúdos como pode ser a escola espaço de educação sexual.

Nota final: se na educação sexual «compete à família decidir as orientações educativas básicas que deseja para os seus filhos, decorrentes dos seus valores, crenças e quadro cultural», não poderão algumas famílias (pais e filhos) exigir uma escola que seja "laicizada" ao ponto da educação moral e religiosa ficar de fora? Posto de forma simplista, é certo, o argumentário acaba por poder valer para os dois lados.

Miguel Marujo [CIBERTÚLIA]

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