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segunda-feira, julho 18

 

Possível futuro do mundo e lições da história

Realizou-se no dias 6 a 8 do corrente mês, em Gleneagles, Escócia, mais um encontro dos oito países mais industrializados do mundo- Estados Unidos, Alemanha, França, Inglaterra, Itália, Japão, Canadá, e a Rússia. Encontro sempre muito mediatizado, sempre acompanhado pelas inevitáveis manifestações das várias ONG'S. Este ano com a particularidade de ser acompanhado, com os chamados concertos - Live 8. A agenda destes encontros, que se realizam desde 1975, é programar algumas medidas de combate à pobreza no mundo, sobretudo no continente Africano, e melhorar as condições climatérias, alteradas pela excessiva poluição industrial.

O encontro começou logo, com o presidente norte-americano, George W. Bush, a declarar, que qualquer eventual apoio e combate à pobreza, ou a um acordo global para debelar as alterações climatérias causadas pela poluição, estava condicionado pela defesa dos “interesses dos Estados Unidos”, que estão “primeiro” (Fonte; Público).
O encontro terminou com algumas medidas, que pecam pela pouca ousadia, de quererem modificar de facto, as questões que estavam em agenda. Fica-nos sempre a sensação de que se podia “ir mais longe”. Se os países mais ricos decidissem abdicar de um pouco da sua riqueza, de alguns bens, tantas vezes supérfluos, e resolvessem assumir como sua responsabilidade, que é, a melhoria das condições de vida de tantos povos que vivem no limiar da pobreza. Mas, como farão eles isso, se dentro deles próprios as assimetrias, entre os vários grupos sociais, são por demais evidentes?

Trago para completar esta minha reflexão, um texto de Marcelo Barros, editado na agência Adital, onde ele coloca em evidência, que as melhorias das condições de vida, deste planeta, têm que ser uma tarefa comum, sob pena de empenharmos o futuro das próximas gerações.


“As notícias internacionais mostram, mais uma vez, protestos reacções indignadas e até violência de grande parte da sociedade civil ao encontro e projecto dos governantes mais ricos do mundo reunidos no chamado G8. Nenhum terrorismo se justifica, mas enquanto governos como o norte-americano, pretenderem dominar o mundo com técnicas e métodos de terrorismo de Estado, não conseguiremos ver-nos livres do terrorismo de grupos fanáticos que se pretendem a favor dos povos oprimidos, como o ocorrido em Londres.

Como sempre podemos sonhar, convido-vos a imaginarmos que a sabedoria vencerá a insensatez, o amor será maior que o egoísmo e os métodos de não violência prevalecerão. A humanidade conseguirá reverter este tipo de progresso imposto pelo modelo de desenvolvimento predatório que sacrifica tudo ao deus-mercado, eliminará a indústria armamentista e todos os tipos de terrores, antes que estes eliminem a vida na Terra.

Quem lê estas linhas, não pense que acredito em uma linearidade da evolução histórica. Menos ainda que exista um modelo de cultura mais avançado do que outros. ...
...Entretanto todos reconhecem o planeta Terra como casa comum de todos os humanos, sem barreiras de circulação, nem discriminação racial, social ou económica.

Encontros como este dos governantes mais ricos do mundo me fazem pensar que uma das tarefas mais difíceis para os historiadores do futuro será explicar aos seus contemporâneos que, neste Julho de 2005, representantes dos oito países mais ricos do planeta se reuniram para garantir que o sistema económico então dominante na terra não mudasse. De acordo com o jornal espanhol El Mundo (03/07/2005, pag. 50), neste momento da história:

•70 famílias no mundo possuem renda superior à de um bilhão e 455 milhões de pessoas.
•Uma pesquisa de opinião pública acaba de revelar que a maioria dos norte-americanos elegeu Ronald Reagan, o norte-americano mais notável do século XX, em detrimento a outros, por exemplo; Dr Martin-Luther King, que doou a sua vida pela unidade entre raças e pela justiça entre seres humanos.
•Em apenas meio dia de guerra no Iraque, o exército norte-americano gastou o correspondente ao financiamento anual de todo o programa das Nações Unidas para erradicar a Aids e a malária dos países mais pobres.
•A Onu publicou que 13 milhões de dólares bastariam para eliminar a fome no mundo. Só os Estados Unidos gastam 17 milhões de dólares em alimentos para cães e gatos.
•A Europa subvenciona cada vaca europeia com 913 dólares ano, enquanto aceita com dificuldades aprovar um subsídio anual de oito dólares de ajuda para cada africano.

Estes governos milionários declararam perdoar a dívida dos países mais pobres da África, mas, de facto, a tal amnistia é apenas de 16% dos 296 milhões da dívida africana.
Desde 1980, humanistas propõem a chamada taxa Tobin: Um imposto de 0,5% a ser cobrado em toda a transação financeira. Esta pequena taxa garantiria que, em poucos anos, a ONU contasse com um bilhão e meio de dólares para resolver a pobreza no mundo. Os países ricos, liderados pelo governo norte-americano, se opõem e a taxa nunca é aprovada.

Talvez, as pessoas, que, no futuro, estudem esta realidade social se perguntem como a humanidade pode libertar-se desta barbárie e, na diversidade das culturas, ascender a uma civilização de solidariedade e de paz. Espero que se possa responder que, como sempre ocorreu na história, não são os ricos e poderosos que libertam os pobres. A libertação das escravidões, a superação do racismo, o fim das discriminações sempre foram conquistadas pelas próprias vítimas. Mesmo se é importante contar com o apoio dos intelectuais e todos os aliados que os movimentos de libertação podem somar.”

Maria da Conceição (
JARDIM DE LUZ)

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