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quarta-feira, julho 6

 

Os limites do homem (4): a razão e a Fé.

(as partes entre aspas e em bold do texto que se segue são palavras do Cardeal Ratzinger - este post, tal como alguns posts anteriores, e tal como o próximo post, é baseado nessas palavras; o próximo post será aliás o último post desta série de cinco posts sobre as palavras que o Cardeal Ratzinger proferiu em Abril de 2005, pouco tempo antes de se tornar o Papa Bento XVI)

O texto que aqui postei a semana passada terminava com uma questão. O cardeal Ratzinger perguntava:"Será que com isto pretendemos rejeitar simplesmente o iluminismo e a modernidade?"
Eis a resposta:
"Não, absolutamente. O cristianismo, desde o início, compreendeu-se a si mesmo como a religião do logos, como a religião conforme à razão."
Porque a religião não é incompatível com a razão. A religião é um mero complemento da razão. Cristo apareceu para revelar a Verdade. Uma verdade que não é acessível apenas pela razão. Uma verdade que não é acessível apenas através de uma razão "passiva" mas que exige opções, escolhas, liberdade.

"O cristianismo, como religião dos perseguidos, como religião universal, acima dos vários Estados e povos, negou ao Estado o direito de considerar a religião como uma parte do sistema estatal, postulando assim a liberdade da fé. Sempre definiu os homens, todos os homens sem distinção, como criaturas de Deus e imagem de Deus, proclamando como princípio a sua igual dignidade."
O iluminismo, que surgiu muito depois do cristianismo é um simples reflexo do cristianismo. E o seu erro supremo foi simplesmente a causa e consequência do modo como nasceu: ele foi uma reacção à falta de humildade da Igreja e mimetizou essa falta de humildade.
"O iluminismo é de origem cristã e nasceu, não por acaso exacta e exclusivamente no âmbito da fé cristã. Nasceu lá onde o cristianismo se tornou infelizmente, contra a sua própria natureza, uma tradição e religião de Estado. Apesar da filosofia, entendida como procura de racionalidade – também da nossa fé –, ter sido sempre apanágio do cristianismo, a voz da razão tinha sido demasiado domesticada. Foi e é mérito do iluminismo ter proposto novamente estes valores originários do cristianismo e ter dado novamente à razão a sua voz própria. O Concílio Vaticano II, na Constituição sobre a Igreja no mundo contemporâneo, evidenciou novamente esta profunda correspondência entre cristianismo e iluminismo, procurando chegar a uma verdadeira conciliação entre Igreja e modernidade, que é o grande património que deve ser tutelado por ambas as partes."

E agora que chagámos à conclusão que o erro e o pecado (tal como o Bem) fazem parte da natureza humana e se encontram por toda a parte, em "nós" como "neles", que fazer?
"É preciso que ambas as partes reflictam sobre si próprias e estejam prontas a corrigir-se.O cristianismo deve lembrar-se sempre que é a religião do logos. O cristianismo é fé no Creator spiritus, no Espírito criador, do qual provém todo o real. É justamente esta fé que deveria ser hoje a sua força filosófica, pois o problema é se o mundo provém do irracional – e portanto, se a razão não é outra coisa senão um “subproduto”, talvez prejudicial, do seu desenvolvimento - ou se o mundo provém da razão – e se por conseguinte esta é o seu critério e a sua meta.A fé cristã tende para esta segunda tese, tendo assim do ponto de vista puramente filosófico, muito boas cartas para jogar, embora seja a primeira tese a que hoje é considerada por muitos como a única “racional” e moderna. Mas uma razão que brota do irracional e que, no fim de contas, é ela própria irracional, não constitui uma solução para os nossos problemas. Somente a razão criadora, e que se manifestou como amor no Deus crucificado, pode verdadeiramente mostrar-nos o caminho."

Timshel [TIMSHEL]

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