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Segunda-feira, Julho 4
Olhares sobre a Igreja – EucaristiaTermina no próximo mês de Outubro, o ano dedicado à Eucaristia (Outubro 2004 – Outubro 2005). Instituído pelo Papa João Paulo II, pretendeu ser um tempo forte de reflexão e de vivência deste sacramento da Igreja. Houve da parte do Santo Padre empenho em produzir documentação que ajudasse à reflexão, e que seguindo os canais próprios chegasse a todas as igrejas particulares e comunidades eclesiais.
A Encíclica Ecclesia de Eucharitia reflecte sobre aquilo que chama a “fonte” e o “ápice” de toda a vida cristã, convidando-nos a um renovado fervor na celebração da Eucaristia. Diz-nos João Paulo II, na começo do referido documento que “a Igreja vive da Eucaristia”. Vamos então ver porquê e como: A centralidade da Eucaristia mergulha-nos no mistério de Cristo: Ele deu a vida para nos salvar. Sempre que celebramos a Eucaristia, não estamos a recordar um facto passado, mas a “actualizar” uma realidade que permanece eternamente. Cada vez que celebramos a Eucaristia tornamos actual, o sacrifício de Cristo. Em cada Eucaristia torna-se presente, o sacrifício da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Eucaristia quer dizer acção de graças, é o significado da palavra em grego. Usando a expressão sacrifício de acção de graças, estamos a dizer que tudo nos vem de Deus. Quando celebramos a Eucaristia estamos a reconhecer que tudo o que temos e somos, tudo o que nos rodeia (a natureza), nos é ofertado por Deus, e em, por e com Jesus Cristo queremos por nossa parte oferecer em oblação. Tudo isto, implica uma consciencialização da nossa parte, de que o acontecimento semanal da celebração da Eucaristia, não é um acto isolado na nossa vida. Em cada Eucaristia, nós em Jesus Cristo, assumimos que queremos ser de Deus; que oferecemos os nossos trabalhos, as nossas alegrias, as nossas dores, as nossas lutas, os nossos fracassos, enfim as nossas vidas, e queremos que Deus as divinize. À Eucaristia chama-se também “fracção do Pão”. O pão que é um alimento vital para o homem, tem na Eucaristia duas simbologias muito importantes e indissociáveis. A primeira é a de que não podemos viver e crescer na nossa vida em Deus, se não nos alimentarmos deste pão que nos vem do Céu (Mt 4, 4) “Nem só de pão vive o homem...”, (Jo 6,35) “Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida, o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede”. A segunda, é a dimensão da partilha desse mesmo pão. Do pão que é essencial para a vida dos homens e que se traduz em todas as necessidades básicas do Homem, para viver dignamente: educação, saúde, habitação, trabalho, direito à cultura... De Jesus Cristo recebemos o exemplo disso mesmo. Antes de se sentar para realizar o gesto da Ceia, tinha toda uma vida de entrega. Com os discípulos, com os marginalizados, com as multidões “famintas” que o seguiam, deu-se em gestos de partilha. O gesto último do seu sacrifício na cruz, foi o culminar de toda uma vida feita serviço. Não poderá ser para nós, outro o caminho. De todas as realizações pastorais, neste ano dedicado à Eucaristia, temo que fiquemos apenas na valorização dos aspectos rituais e cultuais do sacramento, e não lhe demos esta dimensão de partilha. Para muitos cristãos e pastores é mais fácil o empenho na devoção eucarística, do que assumir a vivência da Eucaristia, como fonte eficaz de transformação da sociedade. Não é possível haver verdadeira devoção eucarística, se separada desta partilha de vida e de pão. Maria da Conceição
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terra da alegria. 2004. |
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