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quarta-feira, junho 1

 

Um possível contra-editorial da Voz de Fátima

O texto que se segue não é meu. A minha assinatura no fim vai ao engano...
Mas aqui não quero enganar ninguém. O que aqui se reproduz é uma notícia no Público, de 18 de Dezembro de 2003, sobre propostas de Anselmo Borges, teólogo e professor de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Um possível contra-editorial do texto que deu brado na mouraria nos últimos dias - do reitor do Santuário de Fátima, no jornal local - em que se assassinava o diálogo sobre o aborto (sim, mais uma vez o aborto, provavelmente uma das questões que mais pode marcar uma ponte de diálogo civilizacional nos nossos tempos, entre crentes e não-crentes... ou definitivamente quebrar essas pontes).

«O padre Anselmo Borges (...) pensa que "dizer que o aborto é sempre um homicídio é uma inverdade". Entrando no debate sobre o aborto pela via filosófica e teológica, Anselmo Borges propõe a necessidade de distinguir entre vida, vida humana e pessoa humana. Autor de "Corpo e Transcendência" (ed. Fundação Eugénio de Almeida), este membro da Sociedade Missionária da Boa Nova faz questão de vincar três ideias: "A vida humana deve ser garantida e respeitada; o aborto é objectivamente um mal e não pode ser encarado como algo de leviano; e é necessário atender às circunstâncias de cada caso, que são por vezes verdadeiros dramas."
Anselmo Borges propõe, depois, distinguir vida, vida humana e pessoa humana: "Nas primeiras fases, não temos uma pessoa em acto. Até à nidação, quando ainda é possível haver gémeos - ou seja, duas pessoas -, quer dizer que não temos um indivíduo." O teólogo português cita ainda o pensador católico espanhol Pedro Laín Entralgo que, na sua obra "Alma, cuerpo, persona", afirma: "Só a partir de um determinado momento do seu desenvolvimento - desde a configuração da blástula e a nidação? - [o zigoto humano] cumprirá o dilema próprio do modo incondicionado de 'ser em potência': chegar a ser homem em acto ou sucumbir."
O padre Anselmo propõe um caminho de saída: "Se com a morte cerebral a pessoa acabou, porque não se toma, como ponto de partida, a ideia de que enquanto não há cérebro não há vida?"
(...) Sobre a posição católica oficial, Anselmo Borges diz que ela é consequência da falta de formação. "A Igreja ainda não percebeu que o aparecimento da pessoa é um processo" e quando "não há formação, há medo". "Todo o discurso moral é para o princípio da vida e para o seu fim. E o que acontece no durante? Quem defende condições de vida dignas para todos, quem forma os jovens?" E, na polémica sobre a despenalização, "a Igreja não deve reclamar o braço legal, antes apoiar-se na sua força legal".»

Miguel Marujo [CIBERTÚLIA]

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