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segunda-feira, junho 13

 

Olhares sobre a Igreja

Num destes dias um dos nossos canais de televisão, dava notícia da remodelação de um convento de carmelitas na cidade de Aveiro. O irmão, membro da congregação, que serviu de guia para mostrar as obras no convento, foi explicando que antes construiam-se os conventos e mosteiros longe das povoações, e em lugar alto, como quem se destaca, e à parte. Ele não concordava com estas referências e dizia que o local do mosteiro deve ser bem no meio dos homens. Deve “misturar-se” com eles. Na referida reportagem, era ainda dito que o mosteiro agora remodelado, abrigava uma comunidade de três membros. Foi uma pequena reportagem que provavelmente passou despercebida à maior parte das pessoas.
Já não passaram despercebidos os acontecimentos, que o texto de Leonardo Boff (que a seguir transcrevo) refere. Ora, a Igreja, sabendo-se ela própria símbolo de Cristo no meio do mundo, deve seriamente perguntar-se, que visibilidade pretende ter. A visibilidade das grandes multidões, que caminham, não se sabe muito bem para onde. Ou a visibilidade evangélica que exorta e converte. E é necessáriamente pobre e humilde.



“ A embriaguês mediática provocada pela morte de um Papa e a entronização de outro, ou pela festa de Corpus Christi, mobilizando milhões de pessoas pode nos induzir em erro quanto ao verdadeiro significado das expressões religiosas. Estas manejam símbolos que, por sua natureza, são inevitavelmente ambíguos. Todo o símbolo possui duas direcções. Uma aponta para si mesmo, com o risco de esquecer o Divino e o Sagrado e se considerar um fim em si mesmo. É o que acontece com mais frequência. Então inflaciona-se a profusão de imagens religiosas, construídas habilmente pelos mestres da dramatização mediática, a fim de produzir emoções e mais emoções, pouco importa se elas lembram ou não o Sagrado. Mudanças de vida não ocorrem, nem é preciso. Os fiéis se electrizam, vão às lágrimas, gritam por milagres e canonizam imediatamente seu líder religioso: “Santo subito”, “santo agora mesmo”. Muitos cardeais, bispos e padres se enchem de satisfação, pois vêem o triunfo da religião contra as críticas e suspeitas feitas pela modernidade.
Mas atenção: aqui pode residir um engôdo. Não basta a emoção, precisa-se de reflexão (teologia) para tirar a limpo o problema. A prática originária de Jesus e da Igreja apostólica vai na linha contrária à encenação pública. Jesus diante de tais multidões usaria um discurso que ninguém da midia reproduziria, pois seguramente seria um ruído insuportável: “Convertei-vos, mudem de vida, cuidem do faminto, façam justiça ao oprimido e não dissociem o amor a Deus do amor ao próximo, pois ambos são uma coisa só.
Como no tempo de Jesus, diante de tal discurso as multidões iriam, provavelmente, embora ou minguariam.”...
...”Porque aqui se confrontam dois tipos de cristianismo: o devocionista e o libertador. O devocionista não coloca o acento na mudança mas na aceitação da doutrina proposta pela Igreja. Sem a sã doutrina, diz-se, ninguém se salva. Mas pela ignorância generalizada, poucos a conhecem. Então o recurso é a devoção aos santos fortes, daí o devocionismo”...
...”A doutrina desvinculada da prática da justiça, segundo Jesus, é letra que mata, é ausência do espírito que vivifica, é fazer o homem para o sábado e não o sábado para o homem. Se não resgatarmos esta visão apenas fazemos o jogo do mercado mediático. Este, usando a religião, visa apenas entreter, lucrar e jamais mudar as pessoas e o mundo, pois é isso que importa”.

Maria da Conceição

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