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segunda-feira, junho 20

 

Olhares sobre a Igreja. 2

Na semana passada, na reflexão que aqui fazia, punha em antítese, a presença de uma comunidade religiosa de três carmelitas no meio de uma cidade, e as grandes multidões que participaram no funeral do Papa João Paulo II (reflexão de L. Boff).
Quando vi a reportagem da remodelação do mosteiro, os primeiros pensamentos que me ocorreram, foram de espanto por aqueles carmelitas não se inquietarem com o facto de serem apenas três, e terem a coragem de se lançarem em obras, decerto dispendiosas, e quererem permanecer na sua presença discreta, no meio da cidade. Se os primeiros pensamentos foram de espanto, estes logo deram lugar a uma reflexão mais aprofundada sobre o verdadeiro significado daquela presença tão humilde, até no número. Ocorreram-me então aquelas palavras do evangelho de:

(Mt 5, 13-16)“Vós sois o sal da terra; ora, se o sal se corromper, com que se há-de salgar? Não serve para mais nada, senão para ser , lançado fora e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende uma candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e alumia a todos os que vivem em casa.”

Segundo estas palavras de Jesus, que vêm na sequência do famoso “sermão da montanha” ou “sermão das Bem-Aventuranças”, os discípulos são comparados ao sal. O sal é garantia de que os alimentos não se estraguem, além de dar-lhes sabor. Com Noé, Deus estabeleceu uma aliança com a humanidade, agora, através de Jesus Cristo, pede aos discípulos que sejam, pela sua fidelidade, os garantes de que essa aliança se mantenha e levem por diante a libertação de todos os homens. Se os cristãos não são fiéis ao plano de Deus, não servem para nada, perdem a razão de ser, tornam-se inúteis.

Na comparação dos discípulos à pequena candeia, símbolo de Deus, luz que alumia as nossas trevas, Jesus pede que sejam, agora eles, a manifestação da glória de Deus.
Passados, perto de dois mil anos, depois destas palavras terem sido proferidas, qual o significado que nós cristãos, seguidores de Jesus, hoje, retiramos? De que modo esta Palavra, é Palavra de salvação para a humanidade?
Da nossa experiência humana, retiramos que o sal, ou a pequena candeia, a que Jesus compara os seus discípulos, não são coisas que se impõem pela sua grandeza mas sim pelas suas características de incorruptibilidade e porque, é nas trevas que se manifesta a luz. Portanto, hoje, tal como há dois mil anos, o que define os verdadeiros discípulos é o seu modo de agir e não a grandiosidade ou pequenez dos números de qualquer estatística ou evento por maior visibilidade que tenham, como por exemplo, o funeral do Papa João Paulo II, ou no caso da igreja de Portugal a quantidade de peregrinos que demandam a Fátima.

A glória de Deus não se manifestará, nunca, pelo encher de praças ou igrejas, pela quantidade de dogmas e pela observância da lei, manifesta-se antes, pelo modo de agir de todos os cristãos, inseridos na comunidade dos homens.
Se formos fiéis ao plano de Deus, então serão para nós, aquelas palavras que aparecem no texto; “não se pode esconder a cidade edificada sobre o monte”. Não será então pela grandiosidade dos números que nos imporemos, mas sim porque as nossas obras falarão por nós.

Maria da Conceição

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