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quarta-feira, junho 22

 

Obrigações e acções

Na segunda-feira, depois de ler o texto do Luís Almeida, aqui na Terra, fiquei a pensar que é mesmo assim na maioria das nossas igrejas. Mais uma vez o pensei, mas desta vez com uma certa alegria de saber que “aquilo” também incomoda outros.
Uma das coisas que acho que devemos cuidar na Igreja é a liturgia. Quando digo cuidar refiro-me também a manter o que recebemos das tradições e da Tradição, mas, sobretudo à capacidade de dar sentido aos ritos, aos gestos, às palavras enquanto realidades muito mais fundas e que remetem para o quotidiano e para o sentido dos outros.
Já de há anos que se têm feito ouvir algumas pessoas, muitas delas até consideradas “progressistas” e ousadas a dizer que depois do Concílio Vaticano II, passando a Missa a ser em vernáculo se perdeu uma dimensão essencial à vivência da Fé, a relação com o inefável através da beleza e do misterioso. Sou capaz de dar alguma razão a quem o diz e pensa, mas não consigo imaginar a vivência comunitária da Eucaristia sem a participação activa e dialogal de cada um, conforme a sua capacidade ou função. É preciso é ter em conta as várias realidades comunitárias que se celebram.
No pontifical de Domingo de Páscoa presidido pelo Papa como quando o pároco vai celebrar para sete ou oito escuteiros acampados ou no casamento (pela Igreja...) da mais faustosa das princesas como na Missa de corpo presente do miserável sem-abrigo onde só aparece o padre, celebramos sempre a mesma Eucaristia, tornamos sempre presente o dom que Jesus Cristo se fez para nós. A questão é sabermos dar sentido, tornando a celebração digna, a cada um desses momentos a que associamos o partir do Pão que é o Senhor.
É essencial fazer tudo o melhor possível para que tudo seja perceptível e belo, mas é essencial também saber quem, como e em que circunstância estamos para que “a preocupação pelo rito” não nos torne “ritualistas e escravos do rito” como apontava o Luís.
Mas a minha alegria foi maior quando, nesse mesmo dia, li, na comunicação do Angelus de Bento XVI no passado dia 12, que a “Missa dominical deve ser sentida pelo cristão não como uma imposição ou um peso, mas como uma necessidade e uma alegria”. É uma evidência, algo que todos devíamos perceber desde a infância, mas é da máxima importância que o Papa seja capaz de dizer estas coisas simples para que as interiorizemos, para que saibamos da sua importância!
Para a verdade é que continua a haver muitos padres que, até sem se aperceberem, continuam a celebrar missas e missinhas com o maior dos rigores e cuidados, mas por mera obrigação enquanto muitos fiéis continuam a ir, sem estar, sem participar, sem assistir, apenas por obrigação...

Rui Almeida [POESIA DISTRIBUÍDA NA RUA.]

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