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quarta-feira, junho 15

 

O humanismo é um existencialismo

«Creio! Ajuda a minha incredulidade!» (Mc, 9, 24)

Dizia-me um amigo comunista que, com a queda do muro de Berlim e tudo o que significou a derrocada dos regimes socialistas, muitos dos seus camaradas viviam momentos de angústia e frustação por lhes parecer que tudo aquilo em que acreditaram, por que lutaram e deram o melhor das suas vidas lhes parecia então um erro. E que, mais que uma derrota, esses momentos eram uma terrível provação psicológica, um terramoto filosófico, de que dificilmente se iriam recompor. A sua visão do mundo desfizera-se, cairam as referências norteadoras das suas acções, e o sentido da vida parecia perdido, sem nada que o pudesse substituir.
Respondi-lhe que, finalmente, eles - os comunistas - vivenciavam a fé dos cristãos. Uma fé cheia de dúvidas, de desorientação, de incredulidades. E que, como bem escreveu Unamuno, uma fé sem dúvidas é uma fé morta. Lembrei-lhe que Jesus Cristo, no Cálvário, formulou uma pergunta muito comum aos cristãos: «meu Deus, porque me abandonaste?».
Disse-lhe também que o cristianismo tinha sido fundado nos relatos de alguém que, há cerca de 2000 anos, viu um túmulo vazio, se confirmara na palavra de outros - poucos - que garantiam ter visto a maior das improbabilidades: um homem ressuscitado. E que esta fé assim nascente, frágil, tinha chegado até aos nossos dias, com a proclamação sempre nova e ainda estranha para nós, cristãos, de um amor que vence a morte. Contra toda a lógica, contra todos os tempos, contra todas as evidências.

Carlos Cunha [A QUINTA COLUNA]

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