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segunda-feira, junho 20

 

No Domingo fui à Missa

Senhor Padre M.

Um bom dia para si.
De novo: BOM DIA !

Escrevo-lhe constrangido pela dúvida se o devo fazer, mas impelido por um apelo de consciência, como um dever cristão.

No Domingo passado fui à Missa à sua Paróquia: não era a 1ª vez, mas não é frequente ir à Missa à sua Paróquia (é mais frequente ir a a outras Paróquias).

Sou L.A., um simples Cristão, com a minha mediocridade, com os meus receios, os meus medos, a minha ambiguidade, as minhas limitações e fraquezas, os meus defeitos e o meu pecado e, portanto, não será por isso que me resta algum direito de poder dizer o que quer que seja a alguém, de julgar, nem muito menos de concluir alguma coisa sobre o que quer que seja. Também não sou especialista de coisa nenhuma e, por isso, a minha opinião nem sequer é necessário admiti-la como digna de consideração; não procuro resposta e mais me agradaria fazê-lo no anonimato.
Desejo que a minha atitude não seja mais que um apelo de consciência e peço perdão se estou a ser injusto, porque me sinto como quem vai dar uma bofetada num Filho de Deus.

No Domingo fui à Missa: Assim mesmo! Só isso!
Mas gostaria que tivesse sido um pouco mais: Não como quem marca o ponto, ou cumpre uma obrigação, mas como quem deseja, participa, se compromete e descobre rumo, força e sentido para a Vida.

Procuro não encarar a Missa como um fim em si mesma, mas, em primeiro lugar, como um encontro, com os outros - em comunidade - na celebração da Fé, e com Deus na Sua Palavra, como descoberta da Sua vontade, e na Eucaristia, como alimento e ânimo, e em segundo lugar como um reenvio para a Vida do dia a dia. (Era assim que eu gostava que fosse!)
A Eucaristia, mais do que um fim em si mesma, é um abrir de horizontes, um apelo ao testemunho e um envio em Missão.

Pois o que eu senti foi um cultivo do gesto. O rito pelo rito. O aparato (a aparência) de uma cerimónia, para não dizer uma representação, uma encenação, quase um espectáculo... Sim, um espectáculo! Muito centrado em si mesmo, como se a sua finalidade fosse o próprio rito. Havia um actor principal, com uma pose irrepreensível, (mesmo que estivesse a contar as 36 vezes que a porta do fundo bateu), mas os gestos, a posição, os tempos, o tom de voz, o ritmo, a marcação…, tudo estava definido, controlado, aferido, afinado, ensaiado…, impecável!

A preocupação pelo rito pode tornar-nos ritualistas e escravos do rito.
A preocupação pela aparência da função pode tornar-nos funcionários, profissionais no desempenho, mas desligados e alheios do conteúdo.
O símbolo toma o lugar do objecto e ele próprio deixa de ser símbolo e esvazia-se: fica em nada!

Se há uma presença que deve ser evidenciada é a de Cristo (não a do representante), presente na comunidade dos cristãos (se dois ou mais estiverem reunidos…), presente na Sua Palavra, presente na Eucaristia!
Presidir à comunidade é, antes de mais, estar ao serviço da comunhão: entre a comunidade e desta com Deus. Outros protagonismos podem ser um cultivo da pessoa, mas não serão motivo de comunhão!

Muitas vezes, falo por mim, encobrimos os nossos medos e a nossa insegurança com um verniz protector, com um fazer bem feitinho, para os outros gostarem, como uma capa que nos protege e por detrás da qual ocultamos os nossos receios…!!! (É apenas uma sugestão para uma auto-avaliação).

Aceite um abraço em Cristo.
L. A. Faro, 11/05/2005

Luís Almeida

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