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quarta-feira, junho 15

 

Da salvação de um comunista

Álvaro Cunhal desconfiava naturalmente da salvação. Um padre, preocupado, alertou-o há uns anos, para a morte que aí vinha. Ele agradeceu a atenção e, argumentou, que acaso fosse necessário e acontecesse poderia depor a favor daquele padre, na hora do seu juízo, por este ter tentado converter Cunhal.
Sorri ao ler este excerto de uma entrevista ao líder histórico do PCP (recuperado esta terça-feira no jornal A Capital). E pensei que também gostaria de ter respondido assim: porque na resposta, quer se queira, quer não (e: quer se creia, quer não), há uma humildade que pode garantir o reino dos céus. Quem sou eu, pergunto-me, se tiver a soberba de querer converter, apenas por palavras, o outro à minha História. [É verdade que também Cunhal acreditava na sua salvação, de forma devota e crente, e que lhe faltou tantas vezes a humildade para reconhecer a eventual falha dessa sua fé.]
Não me interessa dizer que "está na hora de mudar" porque aquela que se veste com uma longa túnica e carrega uma adaga está a chegar. Conversões de ricos senhores que, na hora da suspeita do encontro, preferiam jogar pelo seguro com oferendas e testamentos.
Não me interessa invocar um qualquer privilégio de crente para anunciar que, se não houver "conversão", não haverá salvação. Afinal, a salvação desenha-se ao longo de sinuosos caminhos, duras jornadas. Cunhal teve na sua luta contra o fascismo a sua prova(ção). Se a estrada de Damasco que fez o levou a descobrir um sentido justo para a vida, então poderemos pensar que são mesmo insondáveis os caminhos do Senhor. Há muitos atalhos pouco nobres na vida deste homem, mas falha-se-me o juízo na hora da morte. Dele. E de todos.
Jesus mandou Zaqueu descer da árvore, para que o acolhesse em sua casa. O senhor padre teria escrito a Zaqueu para lhe pedir a conversão.

Miguel Marujo [CIBERTÚLIA]

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